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Avaliação da vitalidade fetal 
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Publicado em: 27/11/2009   
Autor: Luciana Carla Longo e Pereira

O desenvolvimento tecnológico das últimas décadas possibilitou imensas mudanças na propedêutica materno-fetal, melhorando o prognóstico sobretudo das gestações de alto risco. Os métodos de avaliação da vitalidade fetal incluem basicamente a avaliação clínica, a cardiotocografia, o perfil biofísico fetal e a dopplervelocimetria. Os métodos clínicos, como a ausculta dos batimentos cardíacos fetais, a observação de movimentos corporais fetais, a medida da altura uterina, a amnioscopia, são ferramentas para a rotina do seguimento pré-natal; os demais são indicados para as gestações de alto risco, em que há maior risco de distúrbios da oxigenação fetal e consequente sofrimento fetal, uma vez que permitem a predição do sofrimento fetal. Nesses casos de alto risco, resultados normais da avaliação da vitalidade do feto, associados ao bom controle materno, asseguram a continuidade da gestação. Resultados anormais desses testes, mesmo diante de bom controle materno, devem levar a pensar sobre os riscos de danos fetais por hipoxia ou por prematuridade, no sentido de decidir a antecipação do parto.

Indicam-se os exames da vitalidade fetal nos casos de risco de comprometimento da oxigenação fetal. Há quatro grandes grupos de indicações:
- doenças maternas, como síndromes hipertensivas, endocrinopatias, pneumopatias, cardiopatias, nefropatias, hemopatias, nefropatias, desnutrição, neoplasias;
- doenças fetais, como malformações, anemias, infecções, cardiopatias;
- intercorrências da gestação, como restrição do crescimento fetal, oligoâmnio, polidrâmnio, amniorrexe prematura, síndrome transfusor-transfundido, placenta prévia, pós-datismo;
- gestações gemelares;
- antecedentes obstétricos desfavoráveis: restrição de crescimento fetal de causa desconhecida, descolamento prematuro de placenta e natimorto sem causa explicada.

CARDIOTOCOGRAFIA

A cardiocotocografia é um método que avalia o comportamento da frequência cardíaca fetal em relação ao tempo e à ocorrência de movimentação fetal e de contrações uterinas. Por sua elevada sensibilidade e seu alto valor preditivo negativo, constitui ferramenta de amplo uso, inclusive intraparto. Visando a reduzir os resultados falso-positivos, tem-se a modalidade computadorizada, que analisa mais um parâmetro em relação à convencional: a microvariabilidade da frequência cardíaca (ou variação de curto prazo, do inglês short-term variation), cuja avaliação não é possível na análise convencional, que é visual. Na ausência dos chamados episódios de alta variação da frequência cardíaca, o cálculo da variação de curto prazo independe da frequência cardíaca basal e se correlaciona com desenvolvimento de acidose metabólica e até com óbito intrauterino. Nesse aspecto tem-se o grande valor da variação de curto prazo: o fato de ser um dos melhores parâmetros a refletir o bem-estar fetal. Foram estabelecidos parâmetros de normalidade do traçado cardiotográfico pela análise computadorizada, conhecidos como critérios de normalidade de Dawes-Redman, que analisam frequência cardíaca basal, episódios de alta variação da frequência cardíaca, desacelerações, movimentos fetais e acelerações, variabilidade em episódios de alta variação e variação de curto prazo.

PERFIL BIOFÍSICO FETAL

O perfil biofísico fetal baseia-se na hipótese de que as atividades biofísicas são reflexo do grau de oxigenação do sistema nervoso central do feto e estuda atividades biofísicas fetais (frequência cardíaca, movimentos corpóreos, movimentos respiratórios e tônus) e volume de liquido amniótico, objetivando predizer o sofrimento fetal. Tem, como indicação, ampliar a avaliação em relação à cardiotocografia. Inclui quatro parâmetros que são marcadores agudos de sofrimento fetal, isto é, que se alteram rapidamente na ocorrência de hipoxia fetal, e um marcador crônico de sofrimento fetal, que é a análise do volume de líquido amniótico. Cada parâmetro recebe nota 2, se normal, e nota 0, se alterado, o que faz o resultado do exame variar de 0 a 10. De modo geral, resultados normais somam 8 ou 10 e representam baixo risco de asfixia aguda e crônica se o índice de liquido amniótico estiver normal, sendo passíveis de conduta conservadora da gestação. Já o perfil 6, com índice de liquido amniótico normal, relaciona-se a possível asfixia aguda, devendo ser considerada a repetição do exame em seis horas; se o resultado persistir, convém pensar na resolução da gestação. Resultados inferiores a 6 pedem a resolução da gravidez se houver viabilidade fetal. É importante frisar que a conduta diante de qualquer resultado de perfil deve levar em consideração a idade gestacional, o risco de óbito fetal e até as condições maternas.

DOPPLERVELOCIMETRIA

A dopplervelocimetria estuda os fluxos sanguíneos em territórios materno e fetal e permite a avaliação da hemodinâmica placentária, nas faces materna e fetal. Decorridas cerca de duas décadas de seu uso, esse método consolidou-se como o melhor para avaliação prática da placentação e tornou-se imprescindível para a vigilância de gestações com risco de desenvolvimento de insuficiência placentária.  Seu uso está indicado diante de risco de insuficiência placentária, com o objetivo de fazer triagem, e de insuficiência instalada, para quantificá-la e acompanhar os casos. Os principais vasos analisados incluem as artérias uterinas, as artérias umbilicais, a artéria cerebral média e o ducto venoso, havendo curvas de normalidade para cada vaso, em relação à idade gestacional.

Na ocorrência de redução da oxigenação do sistema nervoso central, observam-se alterações da cardiotocografia e do perfil biofísico, o que ocorre mais frequentemente na vigência de insuficiência placentária e, portanto, de alteração também da dopplervelocimetria. Contudo, os dois primeiros exames também se modificam por causas agudas, sem insuficiência da placenta, o que justifica discordância de seus resultados com os do Doppler. Esse fato demonstra a necessidade de análise detalhada de cada caso, preferencialmente por profissional especializado na área.

 

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