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 Fatores de risco para a depressão pós-parto 

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Publicado em: 12/01/2010   
Autor: Thiago Pavin*

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A depressão pós-parto é um transtorno que se caracteriza por sintomas semelhantes aos da depressão comum: estado de humor rebaixado, pouca vontade de sair de casa, isolamento social, tristeza intensa e frequente, apetite e sono alterados. A diferença, no entanto, é que, na depressão pós-parto, esses sintomas aparecem na mãe, entre um mês e um ano após o nascimento da criança. Ao contrário do que se possa pensar, esse é um distúrbio não só de ordem psicológica, mas também biológica e social.

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Podemos tomar como exemplo uma mulher que tem uma predisposição genética para desenvolver depressão. O estresse que ela enfrenta durante a gestação e depois do nascimento da criança pode ser exatamente o fator desencadeante dos sintomas depressivos. Estabelece-se, então, a depressão pós-parto. No plano psicológico, os principais fatores ligados ao desenvolvimento de depressão pós-parto são:

  • Pouco suporte do parceiro, geralmente quando é ausente durante a gravidez;
  • Rejeição do filho, tanto pela mulher quanto pela família, incluindo também o pai da criança;
  • Pouco apoio da família para a mãe; 
  • Insatisfação da mãe quanto aos cuidados recebidos durante a gestação;
  • História de algum transtorno psiquiátrico, de ansiedade ou depressão previamente;
  • Dificuldade de assumir o papel materno (redimensionamento da maternidade), que atinge principalmente as mães adolescentes;
  • É comum a mãe apresentar comportamento melancólico por até 15 dias após o parto (conhecida como melancolia do pós-parto ou, em inglês, baby blues). Contudo, se esse comportamento for muito intenso e perdurar por um período mais longo, caracteriza-se como fator de risco.

Fatores relacionados à gestação e ao parto também podem servir de gatilho para a depressão pós-parto. Passar por poucas ou nenhuma consulta pré-natal contribui para que a mulher desenvolva essa depressão. O pré-natal bem feito ajuda a mulher a lidar melhor com a gravidez, a iniciar a estruturação de sua identidade de mãe para quando a criança chegar.

Dificuldades no parto, por sua vez – como sentir muita dor, por exemplo – podem tornar o evento traumático, atribuído à criança ou ao estado de gravidez, resultando também em casos de depressão pós-parto. Existem estudos mais recentes mostrando que, quando ocorre nascimento prematuro ou morte do bebê, também há maior risco para a mulher apresentar os sintomas da depressão.

Quanto aos fatores biológicos, vários estudos tentam mapear quais são os hormônios mais ligados ao problema, como eles se interrelacionam e com que frequência desencadeiam a depressão. As pesquisas ainda estão tentando descobrir alterações hormonais que poderiam caracterizar a depressão pós-parto antes que ela se manifeste. Assim, o profissional de saúde poderia monitorar esses hormônios e instituir medidas de prevenção. Mas muitos estudos ainda são necessários até que se possa assumir uma causa hormonal para esse problema.

Os fatores sociais relacionados ao problema também devem ser considerados. Estudos recentes têm mostrado maior ocorrência de depressão pós-parto em mulheres de baixa renda, com baixo nível de escolaridade, mães adolescentes e solteiras, e com dificuldades econômicas. Ainda temos de evoluir bastante na esfera social para conseguir lidar com esse problema. Melhorias nas condições de trabalho, renda, educação e de saúde, todos juntos, certamente contribuirão para uma redução da prevalência dessa e de muitas outras doenças.

O tratamento do transtorno, por sua vez, não é muito diferente do de outros tipos de depressão, exceto pelo fato de a paciente estar grávida ou em período pós-parto. Entra, então, a responsabilidade do médico que faz o pré-natal e do pediatra que está cuidando da criança, que devem observar os comportamentos da mãe durante a gravidez e até um ano após o nascimento. Nestes casos, a intervenção multiprofissional é ainda mais importante.

Quanto antes forem detectados os sinais de depressão, enquanto ainda são brandos, melhor o prognóstico. Também é importante a família estar atenta para o comportamento da mãe. Quando os sintomas começarem a aparecer, ela deve receber ajuda logo. Caso o problema seja diagnosticado, a atuação rápida de um psicólogo e/ou de um psiquiatra é fundamental.

A depressão pós-parto traz consequências não só para a mãe, mas também para os filhos. Mães deprimidas tendem a ser um pouco mais negligentes nos cuidados com seus bebês, impactando diretamente na saúde e no desenvolvimento cognitivo da criança. Por isso, não só para a mãe, mas também pelo impacto que terá na criança, é preciso prevenir e, quando for o caso, tratar a depressão pós-parto.


* Thiago Pavin é psicólogo da área de Gestão de Saúde do Fleury

Este material foi elaborado pelo Fleury, tendo caráter meramente informativo. Não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte seu médico.

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