
O exame ultrassonográfico na gestação tem por objetivo fornecer informações sobre o desenvolvimento fetal e o ambiente intrauterino, tentando identificar possíveis desvios que possam interferir na saúde da mãe e do feto.
O primeiro exame é realizado por volta da 7ª a 9ª semana de gestação e é feito preferencialmente pela via transvaginal. Neste exame, é possível visualizar o saco gestacional, a vesícula vitelina – que é responsável pela nutrição do embrião em suas primeiras semanas – e o próprio embrião, que é visível a partir da 6ª semana. Os batimentos cardíacos podem ser observados com 6 semanas e 3 dias. Esta ultrassonografia tem como mais importante contribuição a localização da gestação, afastando as gestações fora do útero (por exemplo, nas trompas ou nos ovários), que são inviáveis e necessitam de tratamento específico. Também é possível identificar a idade gestacional do embrião, ver o número de embriões (que indica se a gestação é múltipla ou não) e avaliar presença de descolamentos da placenta.

Após o primeiro ultrassom, é agendado um exame ultrassonográfico entre 11 semanas e 3 dias e 13 semanas e 6 dias. Este é conhecido como ultrassonografia morfológica do 1º trimestre. O principal objetivo é o rastreamento da síndrome de Down pela medida da translucência nucal e do osso do nariz do feto. Esses dados, associados à dosagem de algumas proteínas plasmáticas (rastreamento bioquímico de 1º trimestre) no sangue materno, ou seja, a beta HCG livre e a PAPP-A, permitem estimar o risco da síndrome de Down no feto. Nesta fase, o feto mede entre 4,5 e 8,4 cm e já tem uma aparência mais fácil de ser reconhecida. Também nesta fase já é possível afastar algumas malformações fetais.
A partir do quinto mês de gestação, é realizada a ultrassonografia morfológica de 2º trimestre, entre 20 e 24 semanas. Agora, o feto pesa cerca de 500 gramas e mede entre 22 e 25 cm. Esse exame tem por objetivo avaliar todas estruturas fetais que estão visíveis, do cérebro aos membros, bem como a placenta e o cordão umbilical. Nesta fase também é possível avaliar o risco de se ter um parto prematuro por meio da ultrassonografia transvaginal do colo uterino, que pode ser feita no mesmo exame.
A ausência de anormalidades nos exames realizados até a 24ª semana de gestação permite grande segurança aos pais quanto à saúde de seu filho. Estes exames trazem um pouco de ansiedade ao casal antes de sua realização, mas costumam ser muito tranquilizadores ao seu final.
No prosseguimento da gestação, a mãe realizará exames obstétricos entre as 28ª e 34ª semanas, para avaliar o crescimento fetal (peso fetal), a maturidade placentária e o volume de líquido amniótico. Em algumas situações de maior risco, poderá ser realizado nova ultrassonografia morfológica fetal nesta fase, com o objetivo de reavaliação das estruturas fetais.
Próximo ao parto, entre 36 e 40 semanas, podem ser realizados exames que avaliam a vitalidade fetal, ou seja, aqueles relacionados ao bem-estar do feto, como oxigenação e nutrição. São dois os exames úteis para esse fim: a dopplervelocimetria obstétrica e o perfil biofísico fetal. A boa vitalidade do feto sugere que a gestação atingirá os nove meses. Algum desvio da vitalidade pode requerer antecipação do parto.

O feto pode ser visualizado também por imagens tridimensionais. A ultrassonografia 3D/4D pode mostrar o bebê a partir da 22ª semana de gestação, mas a melhor época de realização do exame é entre 30 e 34 semanas. Por meio desse exame, a gestante tem a oportunidade de ver, em tempo real, as primeiras imagens do seu filho, identificar sua fisionomia e particularidades. Este exame aumenta a percepção do casal em relação à gravidez, estreitando os vínculos dos pais com o bebê.
Fonte: Mario Henrique Burlacchini, responsável pela área de Medicina Fetal do Fleury
Este material foi elaborado pelo Fleury, tendo caráter meramente informativo. Não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte seu médico