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 Prazeres que os fumantes não têm 

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Publicado em: 25/08/2009   
Autor: Thiago Pavin*

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Com o objetivo de fugir da rotina, um grupo de amigos combina um final de semana no campo. Já no caminho, eles se empolgam pensando nas possibilidades de aventuras que a natureza local lhes reserva. No primeiro dia, logo pela manhã, iniciam uma trilha de alguns quilômetros até uma bela cachoeira. O grupo mantém um bom ritmo na caminhada, exceto por um deles, que, aos poucos, vai sentindo o fôlego sumir e as pernas ficarem mais lentas, enquanto os companheiros se distanciam à sua frente...

Este é apenas um exemplo das inúmeras situações pelas quais os fumantes passam ao praticarem uma atividade física. Algo que antes era tão simples e prazeroso, como uma caminhada, começa a ficar paulatinamente mais difícil.

Estudos da década de 80 já demonstravam que o tabagismo prejudica a capacidade do pulmão de absorver a quantidade necessária de oxigênio do ambiente e de difundi-lo ao sangue que o transporta até os músculos e órgãos. Primeiramente, com o tempo, o tabagismo provoca uma inflamação nas vias aéreas. Nos pulmões, a fumaça agride as células e destrói, aos poucos, as estruturas chamadas alvéolos, responsáveis pela oxigenação do sangue, que ocorre quando ele passa por esses elementos pulmonares. Finalmente, ainda que se otimize a entrada de ar, a proteína responsável por transportar o oxigênio dos pulmões para o resto do corpo denominada hemoglobina – que se encontra no interior do glóbulo vermelho, no sangue – perde um pouco da sua eficácia. Isso ocorre porque parte da hemoglobina deixa de se ligar à molécula de oxigênio para se ligar à molécula de monóxido de carbono, presente na fumaça do tabaco. Assim, os glóbulos vermelhos chegam a transportar até 10% a menos de oxigênio aos músculos e às outras partes do corpo, segundo o site do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos.

Olfato e paladar prejudicados
Depois de algumas investidas, o cavalheiro enfim consegue agendar um jantar romântico com sua dama naquele novo e requintado restaurante. Enquanto aguarda a dama na porta da casa dela, ele acende um cigarro. A dama se apresenta estonteante, com o toque especial de um suave e delicado perfume. O cavalheiro apenas comenta da elegância de sua roupa e penteado. Já no restaurante, pedem para degustar um bom vinho antes da refeição. O garçom lhes traz algumas opções. O cavalheiro cheira e degusta o primeiro, depois o segundo, em seguida o terceiro. Não percebe muita diferença, então opta pelo último. A dama olha com certa desconfiança. O jantar prossegue com a refeição. Ambos são apreciadores da boa culinária, mas o cavalheiro parece não deliciar-se tanto da comida quanto a dama. Nem mesmo a cara sobremesa surpreende seu paladar...

Tanto o olfato quanto o paladar são prejudicados com o consumo contínuo do cigarro. Uma revisão de 2008 sobre o tema, publicada na Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, concluiu que a exposição ao fumo parece alterar significativamente os  receptores da mucosa do nariz e da boca, componentes celulares que participam do processo fisiológico que resulta nessas sensações.

A presença de certas substâncias agressoras e a temperatura quente da fumaça causam alterações na superfície da mucosa nasal, gerando sensação de queimação, dor e prejuízo na capacidade de diferenciar ou identificar aromas suaves. Não suficiente, fumar parece diminuir a sensibilidade das papilas gustativas quanto à percepção de alimentos salgados, amargos e doces. Assim, as comidas perdem um pouco do sabor e, consequentemente, do prazer que proporcionam.

E se você conheceu algum fumante que já não sorri tanto quando se olha no espelho, saiba que a ciência tem dado algumas explicações para isso. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o tabagismo também agride a pele, fazendo com que os fumantes aparentem ter até dez anos a mais que a idade real. Além disso, facilita a perda prematura de dentes e mancha o esmalte, deixando um sorriso literalmente amarelo.

Fumar, além de prejudicar a saúde, também atrapalha as pequenas coisas que deixam a vida mais gostosa.


*Thiago Pavin é psicólogo da área de Gestão de Saúde do Fleury

Este material foi elaborado pelo Fleury, tendo caráter meramente informativo. Não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte seu médico.

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