
Você já se assustou quando alguém, em casa ou no trabalho, lhe indagou: “você está estressado”? Se sim, saiba que isso não aconteceu somente com você. O termo “estresse” está muito difundido na cultura popular e geralmente é usado para designar irritabilidade ou cansaço - adjetivos que ninguém gosta de receber. Isso está parcialmente correto.
Na área da saúde, o estresse é entendido como uma reação natural do organismo diante de qualquer estímulo que nos desafie ou nos force a uma adaptação momentânea. Essa reação, que é na verdade uma busca de adaptação, envolve aspectos físicos e psicológicos. No início, o estresse é mais positivo do que negativo, pois gera energia “extra” para enfrentarmos o desafio imposto. Portanto, ao contrário do que se pode pensar, estar estressado não é necessariamente ruim. Somente quando a adversidade não cessa e permanecemos estressados por longos períodos é que isso se torna um problema – que prejudica nossa saúde e nossa produtividade.
Para prevenir as consequências indesejáveis do estresse, o ideal é não esperar que alguém nos alerte, e sim aprender a detectar seus sinais.
Assim que percebemos uma dada situação como desafiadora à nossa capacidade pessoal – como realizar um trabalho complexo em um tempo relativamente curto –, nosso organismo desencadeia a reação de estresse. Há a liberação de alguns hormônios, dentre eles a adrenalina, que estimulam o corpo e a mente, deixando-os em estado de prontidão. Nessa fase, o organismo se volta para superar o desafio e, por isso, fica mais agitado e precisa de pouco descanso. Os músculos ficam tensos, o coração acelera, o sono não vem e a fome diminui. O humor fica eufórico e um pouco irritado, por consequência da tensão e do excesso de foco no problema. É importante notar que essas mudanças devem ser breves e circunstanciais. Assim que o desafio é superado ou abandonado, tudo tem de se normalizar. Desse modo, a reação de estresse nos torna mais capazes, criativos e produtivos por um tempo breve.
Se o problema desafiador persistir por mais tempo, ou logo em seguida surgirem outros, o estresse vai permanecer. Só que agora de maneira menos benéfica. Devido ao gasto de energia além do comum, começa a haver desgaste físico e mental. O organismo começa a reclamar por calma, descanso e sono. É comum sentir complicações no intestino, como diarreias ou prisão de ventre, e ainda tonturas, dores de cabeça e diminuição do desejo sexual. O humor tende a continuar irritado, porém cada vez mais ansioso e emotivo. A concentração diminui e a memória começa a falhar. O pensamento se fixa no problema e é difícil pensar ou falar em outra coisa. Sem conseguir raciocinar direito, a criatividade e a produtividade caem. É geralmente nessa fase do estresse que as pessoas notam as mudanças no comportamento e no rendimento.
Se a situação permanecer sem solução, o estresse pode levar o organismo à exaustão. Nessa fase há uma perda do equilíbrio e isso é especialmente prejudicial à nossa saúde, pois a resistência física e emocional está muito comprometida. Assim, além das diarreias frequentes, outros problemas podem surgir: úlcera, mudança extrema de apetite, hipertensão arterial, problemas dermatológicos prolongados, tontura frequente, tiques nervosos, impotência sexual, entre outros. Vários estudos demonstram que o estresse prolongado também favorece o surgimento de depressão e outros distúrbios mentais.
É importante, portanto, não permitir que o estresse evolua para níveis elevados, que fogem ao nosso controle e prejudicam nossa saúde e nosso trabalho. Para isso, o primeiro passo é reconhecer os sinais que o organismo emite, para saber se você está realmente estressado e em que fase. Depois, é fundamental mapear no ambiente as fontes de nosso estresse, seja no trabalho ou em casa. Feito isso, é saudável refletir sobre o quanto o ambiente é hostil ao nosso organismo. Por fim, vale a pena investir em mudanças que possam tornar nossa vida menos vulnerável ao estresse. Como muitos cientistas vêm provando, essa é uma escolha que contribui bastante para viver com mais saúde e por mais tempo.
*Thiago Pavin é psicólogo da área de Gestão de Saúde do Fleury
Este material foi elaborado pelo Fleury, tendo caráter meramente informativo. Não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte seu médico.