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 Tabagismo na adolescência: o que fazer? 

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Publicado em: 16/11/2009   
Autor: Núcleo Educacional Científico

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A indústria tabagista influenciou várias gerações. Quem tem 30 e poucos anos ainda se lembra de seus comerciais televisivos: esportes radicais, hits do momento, jovens descolados ou caubóis másculos. Também eram os fabricantes de cigarro os maiores patrocinadores de grandes festivais de rock e jazz. No cinema, fumar era símbolo de sensualidade ou de uma charmosa rebeldia.

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Desde o início desta década, todo esse marketing do tabaco foi banido – hoje, é absurdo pensar na hipótese de se veicular uma propaganda que mostre uma bela garota com um cigarro entre os dedos. Mesmo assim, pesquisas mostram que, no Brasil, cerca de 90% dos fumantes adquirem o hábito antes dos 18 anos. Um dado preocupante que demonstra não ser só a mídia a responsável por esse comportamento.

“Na adolescência o indivíduo está buscando recriar sua identidade, que até então era de criança. Pertencer a um grupo é importante nesse processo, e o adolescente assume certos comportamentos para sentir-se integrado. O risco está no fato de que, para alguns grupos, o cigarro ainda aparece como um sinal de postura, de rebeldia e maturidade”, explica Thiago Pavin, psicólogo do serviço de Gestão de Saúde do Fleury. Ou seja: por mais que o jovem não encontre na propaganda o estímulo ao tabagismo, ele ainda pode sofrer “pressões sociais” para desenvolvê-lo. Esse estímulo pode estar dentro do grupo ao qual ele pertence e também pode estar em casa: pais e mães tabagistas tornam o ambiente mais permissivo.

Ter um diálogo aberto com os filhos ajuda, e muito, a prevenir esse problema. “Não há receita de bolo para essa questão. Tudo depende muito da dinâmica familiar. Por exemplo, não é raro o adolescente usar o cigarro como forma de fuga ou contestação de ambientes familiares repressores”, afirma o psicólogo. Em vez de abusar da autoridade, os pais podem explicar, sem tom professoral, os malefícios causados pelo tabaco. Estar sempre disposto a ouvir e responder às dúvidas do adolescente também cria uma atmosfera mais harmoniosa para abordar a questão.

A falta de diálogo também leva o jovem a esconder da família seus hábitos. “Eles não contam porque sabem que serão reprimidos por isso, ou porque têm medo de desapontar os pais”, diz Pavin. Se o problema já bateu à porta, portanto, não adianta recriminar. “Quando o cigarro é usado como contestação, por exemplo, a bronca dos pais só vai reforçar o comportamento, pois gerou o efeito esperado de chamar a atenção. Mais uma vez, a conversa honesta é o melhor caminho.”

Primeiro, é preciso entender os motivos que levaram o adolescente a fumar, explica o psicólogo. “Para entender esse comportamento é importante tirar o foco do cigarro e olhar o que está à volta. Se o cigarro é uma forma de inserção a um determinado grupo, a família precisa pensar em maneiras de ajudar o filho a aprender formas mais saudáveis para integrar-se, ou mesmo ajudá-lo a refletir se vale a pena fazer parte desse ou daquele grupo. E se os pais serviram de modelo por fumarem, está mais do que na hora de abandonar o hábito para dar um novo exemplo.”

Thiago Pavin reforça que os pais devem estar ao lado do adolescente neste momento, e não contra. “Assim como os adultos, o jovem só vai parar de fumar quando tiver vontade. O papel da família, portanto, é orientar, estar junto”, explica, ressaltando que parceria não é sinônimo de permissividade. “Mesmo que reprimir esteja fora de questão, é preciso estabelecer alguns limites. Os pais podem não deixar que o adolescente fume dentro de casa ou reduzir a mesada, a fim de dificultar o acesso ao cigarro. O adolescente tem que sentir que fumar implica em prejuízos sociais. Isso pode suscitar motivação para parar de fumar”.

Dialogar também não significa bater na mesma tecla o tempo todo. Que tal mudar o foco de vez em quando? Incentivar a prática de um esporte, por exemplo, pode ser bastante eficaz – afinal, atividade física e cigarro não combinam. É importante respeitar o espaço do jovem, mas fazer mais programas em família, inclusive para lugares escolhidos pelos próprios jovens, ajuda a quebrar a “barreira” que costuma se erguer entre pais e filhos nesta fase: tente se manter próximo, convide os amigos dele para ir em casa, acompanhe sua rotina. Isso ajuda a estreitar os laços e, por conseqüência, incentiva o tão almejado diálogo.


Fonte: Thiago Pavin, psicólogo do serviço de Gestão de Saúde do Fleury

Este material foi elaborado pelo Fleury, tendo caráter meramente informativo. Não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte seu médico. 

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