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 África do Sul: garanta sua saúde no país da Copa 

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Publicado em: 02/06/2010   
Autor: Núcleo Educacional Científico

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Com início em 11 de junho e término programado para 11 de julho, a Copa do Mundo deve atrair milhares de visitantes à África do Sul, entre eles muitos turistas brasileiros. Para quem vai viajar ao continente africano, Jessé Reis Alves, assessor médico do Serviço de Vacinação e do Check-up do Viajante do Fleury Medicina e Saúde, preparou algumas dicas gerais.

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O médico ressalta, no entanto, que antes de viajar é necessário que cada pessoa busque orientação médica individual, que conste informações específicas às suas condições de saúde. “Cada indivíduo tem histórico de saúde e antecedentes vacinais pessoais, então precisa buscar orientação específica para saber o que pode ou não fazer dentre essas recomendações”.

PRIMEIRO PASSO – TOMAR AS VACINAS OBRIGATÓRIAS

Em caso de viagem à África do Sul, é obrigatório vacinar-se contra a febre amarela. Não existe transmissão da doença nesse país, mas de acordo com a regulamentação sanitária local, estrangeiros que provêm de áreas onde ocorrem casos de febre amarela – como o Brasil – devem apresentar um certificado internacional de vacinação para que sua entrada seja autorizada. A vacina deve ser tomada até dez dias antes da viagem, e o certificado pode ser obtido nos postos de atendimento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), nos aeroportos, mediante a apresentação da carteira de vacinação. Atenção: algumas pessoas – como gestantes e portadores de doenças que diminuam a imunidade – não podem receber esta vacina.

SEGUNDO PASSO – PLANEJAR OS CUIDADOS COM A SAÚDE DURANTE A VIAGEM

PARTE 1 - Recomendações para quem vai somente assistir à Copa, e circulará apenas nos centros urbanos

Nesse caso, os riscos de infecções são relativamente pequenos, e comparáveis aos das grandes cidades brasileiras. Logo, as recomendações são semelhantes. Ainda assim, atenção: os torcedores estarão em locais de aglomeração, e em contato com pessoas vindas de diversos lugares, o que aumenta a possibilidade de circulação de diferentes tipos de doenças.

1- Atualize o calendário de vacinas

a) Vacina contra influenza. É importante vacinar-se contra a gripe, tanto a sazonal ou comum, quanto a gripe A, causada pelo vírus influenza H1N1. Na África do Sul, a circulação do vírus influenza é maior entre abril e setembro, sendo que nos meses de junho e julho são registradas temperaturas mais baixas, o que aumenta a possibilidade de transmissão de gripe. Isso ocorre porque o frio favorece a propagação desses vírus e de outros agentes infecciosos de transmissão respiratória, já que as pessoas tendem a ficar confinadas a lugares fechados. O ideal é tomar a vacina cerca de duas semanas antes de viajar.

b)  Vacina tríplice viral, contra caxumba, sarampo e rubéola. As pessoas que nasceram depois de 1960, e ainda não receberam essa vacina na vida adulta, também devem se vacinar antes da viagem. Vale ressaltar que houve um grande número de casos de sarampo na África do Sul em 2009. De setembro do ano passado até agora, foram registrados quase 13 mil casos da infecção no país, a maioria na região que inclui as cidades de Pretória e Johanesburgo. A recomendação é que essa vacina seja aplicada até duas semanas antes da viagem, para que tenha efeito em tempo hábil, o que tanto protege o viajante de contrair as doenças, quanto impede que traga o vírus do sarampo para o Brasil ao retornar.

c) Vacina contra hepatite A. A imunização é recomendada para quem vai viajar para qualquer país em que haja possibilidade de ingestão de alimentos e água que tenham algum tipo de contaminação. A vacina pode ser tomada até na véspera da viagem, sem que sua eficácia seja comprometida.

2- Previna-se de outras doenças comuns no país

a) Aids – A Organização Mundial de Saúde estima que cerca de 18% da população sul-africana esteja infectada pelo HIV. Portanto, é essencial usar preservativo em todas as relações sexuais, medida que também é capaz de prevenir outras doenças sexualmente transmissíveis.

b) Tuberculose – O país tem uma prevalência elevada dessa doença, então devem-se evitar, na medida do possível, locais fechados e de grande aglomeração, que são propícios à transmissão do bacilo causador.

3- Fique atento à alimentação e hidratação

Evite ao máximo a ingestão de alimentos crus ou que sejam muito manipulados, principalmente pratos que contenham frutos do mar ou verduras cruas. Prefira alimentos cozidos em altas temperaturas, o que elimina os riscos de contaminação por microorganismos que causam diarréia – problema mais frequente entre os viajantes.  Procure consumir água mineral engarrafada, de preferência com gás, que mais dificilmente é adulterada. Evite também usar gelo, que pode ser feito com água não tratada. Essas medidas também são importantes para a prevenção da hepatite A.

4- Adeque-se ao clima

Leve roupas tanto para o calor quanto para o frio. ATENÇÃO: no período em que acontecerá a Copa, a África do Sul estará no final do outono e começo do inverno, e a temperatura média em algumas cidades pode ficar abaixo dos 10º C. Ainda assim, em caso de longa exposição ao sol, é recomendada a utilização de protetor solar com fator de proteção de no mínimo 15.

5- Procure adaptar-se ao fuso horário

O horário local é de 5 horas a mais em relação ao Brasil, o que pode levar ao torcedor algum desconforto, como dificuldade de dormir e de se concentrar. Por isso, tente se adaptar o mais rapidamente possível. As dicas são: a) Caso chegue pela manhã ou durante o dia, exponha-se o máximo possível à luz solar e não durma, o que torna mais rápida a adaptação; b) Tente respeitar os horários locais de alimentação. c) Não tente fazer as atividades como se estivesse no horário brasileiro, pois as dificuldades de adaptação serão maiores e você ficará cada vez mais cansado. 

PARTE 2 – Recomendações para quem, além da Copa, fará safáris, visitas a parques (como o Kruger Park, um dos mais frequentados do país) e outras regiões no interior do país

Nesse caso, além de todos os cuidados já apontados na PARTE 1, há recomendações específicas:

1- Prevenção de Malária (veja também mapa abaixo)

Apesar de, no inverno, diminuir a transmissão dessa doença, alguns cuidados devem ser tomados, como: a) usar repelente de insetos que contenham a concentração correta de princípio ativo, e de forma adequada ao longo do dia, aplicando em todas as áreas expostas da pele e reaplicando de acordo com a orientação do fabricante; b) usar roupas que possam cobrir a maior extensão possível da pele c) permanecer alojado em locais que tenham ar condicionado. Todas essas medidas diminuem as chances de ser picado pelo mosquito transmissor da malária. Existe a possibilidade de usar medicação que evite o desenvolvimento da doença (quimioprofilaxia), porém essa recomendação é feita apenas em situações especiais, com orientação médica. Vale lembrar que, assim como no Brasil, existem grandes diferenças regionais na África do Sul, portanto a transmissão de malária é heterogênea no território do país. Em todas as áreas urbanas e grandes cidades onde ocorrerão os jogos da Copa, e no litoral (cidades como Cape Town e Porth Elizabeth), o risco de aquisição de malária é nulo. Caso apresente febre em até duas semanas após o retorno ao Brasil, procure atendimento médico e informe sobre a viagem, para que possa ser feita investigação diagnóstica adequado para malária.


Fonte: Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e Google

2- Prevenção de Febre do vale do rio Rift

Trata-se de uma doença local transmitida pela picada de mosquitos, geralmente em áreas rurais onde há criação de gado e outros animais. As medidas de prevenção de picadas descritas para a malária também são válidas nesse contexto.

3- Prevenção de Tifo do carrapato

A doença é transmitida pela picada do carrapato, e atinge principalmente a região sudoeste do país, próxima à Cidade do Cabo (Cape Town), nas áreas mais secas e próximas à fronteira com a Namíbia. Recomenda-se evitar a exposição a locais em que possa haver carrapatos, como pastagens e criações de animais ou, se o fizer, usar calças compridas e botas.

4- Esquistossomose

Trata-se de uma doença infecciosa provocada por um parasita que, antes de se hospedar no organismo humano, completa seu ciclo de vida em caramujos que vivem em córregos e lagoas. Por essa razão, é preciso evitar banhos nesses cursos de água.

ATENÇÃO: a África do Sul não é atingida pelo vírus ebola, que se restringe a países como o Congo e o Zaire.

TERCEIRO PASSO – PARA PESSOAS QUE FAZEM USO DE MEDICAMENTOS FREQUENTES

Algumas recomendações devem ser seguidas: a) Leve os medicamentos na embalagem original, de preferência acompanhada de prescrição médica em inglês, contendo a descrição de cada um deles e de seu uso; b) Providencie uma quantidade de medicação suficiente para a viagem toda, já que na África do Sul pode não ser possível comprá-la; c) Pessoas que usam lente de contato devem levar pelo menos um par extra, já que pode ser difícil comprar o mesmo tipo de lente na África do Sul.

Fonte: Jessé Reis Alves, assessor médico do serviço de Vacinação e do Check-up do Viajante do Fleury Medicina e Saúde

Este material foi elaborado pelo Fleury, tendo caráter meramente informativo. Não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte seu médico.

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