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 Cirurgia de retirada de adenoides em crianças 

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Publicado em: 21/08/2009   
Autor: Núcleo Educacional Científico

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A adenoide ou tonsila faríngea, também conhecida como “carne esponjosa”, localiza-se atrás do nariz, na parte superior da faringe, ou seja, na rinofaringe. É constituída por um tecido de defesa (tecido linfoide) e, por isso faz parte do sistema imunológico. Presente em todas as crianças desde o nascimento, ao longo da primeira fase da vida desenvolve-se muito para depois regredir, desaparecendo por volta dos 12 anos.

Em algumas crianças, no entanto, a adenoide aumenta excessivamente de volume, na maioria das vezes, por um estímulo imunológico (causando a hipertrofia de adenoide). Esse crescimento exagerado geralmente obstrui a passagem do ar pelas regiões posteriores das cavidades nasais, fazendo com que a criança passe a respirar pela boca.

Isso, por sua vez, provoca prejuízos no desenvolvimento da face e da arcada dentária, ocasionando deformidades nesses locais e problemas na ingestão dos alimentos. Além disso, essa obstrução causa transtornos importantes durante o sono como ronco e períodos maiores de interrupção da respiração, que fazem com que a criança apresente irritabilidade, desatenção, alterações no comportamento e, menos frequentemente, sonolência durante o dia.

Outro aspecto relevante é o transtorno que a hipertrofia da adenoide cria na comunicação natural entre o ouvido e a faringe: a interrupção dessa ligação ocasiona inflamações repetitivas no ouvido, ou seja, as otites médias agudas.

Por também serem constituídas por tecido linfóide, as amídalas geralmente acompanham as alterações que ocorrem nas adenoides, o que agrava ainda mais os problemas respiratórios e os relacionados ao fluxo dos alimentos. Vale lembrar que este distúrbio é muito raro no adulto e, caso ocorra, merece uma atenção e investigação adequadas.

O diagnóstico do problema é feito por uma avaliação médica especializada que pode orientar a realização de uma radiografia, possibilitando a avaliação da coluna aérea nessa região da face (Rx-Cavum). Outro recurso de grande valor é a nasofibroscopia, um exame no qual um fino aparelho de fibra ótica é introduzido no nariz do paciente, após anestesia local, possibilitando a visualização e avaliação das estruturas da região, inclusive a adenoide.

Segundo Flávio Akira Sakae, doutor em Otorrinolaringologia pela USP, o primeiro passo é fazer um bom diagnóstico, pensando nas diversas causas de obstrução do nariz e de respiração pela boca. “Caso o aumento da adenoide seja o fator principal da obstrução nasal, o tratamento cirúrgico, ou adenoidectomia, pode ser indicado para a sua remoção. Geralmente, o que ocorre inicialmente é um tratamento clinico com remédios para tratar as doenças alérgicas e infecciosas, porém, quando a obstrução pela adenoide é grave, não há uma melhora efetiva dos sintomas”, diz o médico.

“Um dado importante é que a adenoide, a partir dos seis, sete anos de idade, sofre um processo natural de involução, ou seja, tende a diminuir de tamanho espontaneamente. O problema é que, em algumas crianças, essa involução não ocorre. Aí, dependendo da gravidade da situação e da idade, é improvável que essa involução natural ocorra, e a intervenção cirúrgica se faz necessária para evitar um comprometimento irreversível do desenvolvimento da criança”, completa Rodrigo Tangerina, otorrinolaringologista do Fleury.

Após a cirurgia, Tangerina ressalta que a volta da respiração fisiológica normal permite à criança retomar seu processo de desenvolvimento. “Se a criança apresentar otite por obstrução das tubas auditivas pela adenoide, a correção dessa alteração deve resultar em melhora dos limiares auditivos e redução das infecções de ouvido de repetição”, explica.

“A melhora nas crianças é muito grande e rápida. A qualidade de vida aumenta muito, pois a criança se alimenta melhor, dorme melhor, deixa de roncar e passa a respirar pelo nariz, acabando com risco das complicações de um respirador bucal, se a hipertrofia da adenoide for a causa. É também importante ressaltar que a retirada da adenoide não prejudica o seu sistema de defesa, já que temos vários outros sítios de defesa espalhados no organismo”, finaliza Sakae.

Confira mais informações sobre a cirurgia de retirada de adenoides:

Indicações – A partir da avaliação médica, a indicação é individualizada e depende da persistência de sintomas como a respiração bucal, ronco noturno, apneia obstrutiva do sono, otites de repetição, distúrbios no fluxo dos alimentos, entre outros, quando relacionados ao aumento do volume da adenoide.

Contraindicações – Algumas contraindicações estão relacionadas à anestesia geral, ou seja, caso o paciente possua alguma doença grave, em que os riscos para uma anestesia são grandes. O procedimento também tende a ser evitado em crianças muito pequenas, na vigência de infecção das vias aéreas, doenças respiratórias não controladas, com certos problemas locais, como, por exemplo, distúrbios no palato mole e com fenda palatina. Vale lembrar as limitações inerentes dos pacientes com doenças neuromusculares e distúrbios da coagulação sanguínea.

Cuidados no pré-operatório – São necessários a avaliação pré-operatória do pediatra ou do clínico e exames de sangue para avaliar a coagulação e afastar existência de infecções e anemia. A presença de qualquer sinal de infecção das vias aéreas e febre, bem como agudização de doenças crônicas anteriormente controladas como asma, por exemplo, também devem sempre ser prontamente informadas ao otorrinolaringologista.
 
Preparação do paciente – Como o procedimento é realizado sob anestesia geral, um jejum de 8 horas deve ser seguido à risca. Deve-se ainda evitar a utilização de qualquer medicamento sem o conhecimento do médico cirurgião na semana anterior à cirurgia, principalmente aqueles remédios que possam interferir no processo de coagulação, como o AAS, anti-inflamatórios e anticoagulantes.
 
Técnicas – A principal técnica para a retirada da adenoide é a adenoidectomia por meio de curetagem, que é realizada com a introdução de um instrumento por meio da boca, que chega até a nasofaringe. O controle do sangramento (hemostasia) é realizado por compressão com gaze, não sendo necessário dar pontos. Recentemente, foi introduzido o uso do microdebridador para essa cirurgia. Microdebridadores são instrumentos que possuem uma ponteira que consiste em um tubo metálico, com uma lâmina giratória em seu interior, conectado a um aspirador. Dessa forma, o instrumento vai fragmentando o tecido em pequenos pedaços, aspirando-os juntamente com o sangramento que ocorre durante o procedimento, o que contribui para que o sangue não seja aspirado pelo pulmão. Essa técnica é realizada com o auxílio de uma fibra óptica para a visualização das estruturas, e permite um maior controle na remoção e hemostasia. No longo prazo, no entanto, os resultados são semelhantes aos da técnica tradicional.

Tempo de duração do procedimento – De 20 a 30 minutos. Nos casos em que é realizada a amidalectomia (retirada das amídalas), o tempo total pode chegar a 1 hora.

Possíveis complicações – As complicações deste procedimento são mínimas e muito raras. O principal risco é o sangramento excessivo, que na grande maioria dos casos é controlado com um tampão de gaze deixado por aproximadamente 10 minutos na região da adenoide que está sangrando. Quando isso não é suficiente, pode ser feita uma cauterização elétrica para cessar o sangramento ou podem ser usadas substâncias coagulantes aplicadas topicamente.
 
Retorno às atividades normais do dia a dia – Em três a sete dias, dependendo de cada caso.

Cuidados no pós-operatório – Lavagem do nariz com soro fisiológico, o que permitirá uma melhora rápida da respiração nasal. O paciente deve evitar esforço físico, exposição ao sol, calor excessivo na face (principalmente na hora do banho) e a ingestão de alimentos muito quentes. Se realizada somente a adenoidectomia, a restrição ao tipo de alimento é mínima. Com o tempo, a criança deve ser orientada a respirar pelo nariz e, em alguns casos, a fonoterapia pode ser indicada. De maneira geral, a dor do pós-operatório da adenoidectomia isolada não é intensa.
 
Fontes:
- Flávio Akira Sakae, doutor em Otorrinolaringologia pela USP, chefe do Grupo de Faringolaringologia da PUC de Campinas e membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial
- Rodrigo de Paiva Tangerina, médico otorrinolaringologista do Fleury, especialista em Medicina do Sono e mestre em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Este material foi elaborado pelo Fleury, tendo caráter meramente informativo. Não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte seu médico.

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