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 Cirurgia para correção do estrabismo 

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Publicado em: 14/07/2009   
Autor: Núcleo Educacional Científico

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Fernanda Krieger, chefe       do Setor de Estrabismo         do Instituto Tadeu Cvintal

O estrabismo é uma condição que prejudica substancialmente a qualidade de vida do paciente. Como o problema acarreta o desalinhamento da posição dos olhos – perdendo o paralelismo-, interfere diretamente nas habilidades que necessitam de um tipo importante de visão, a binocular. Essa visão resulta da capacidade de fusão das imagens obtidas em cada olho e é importante, principalmente, para atividades que necessitam da percepção de profundidade. Nas crianças, o problema leva ao déficit visual – já que a visão de um dos olhos é suprimida –, e nos adultos, causa a visão dupla.

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Segundo Fernanda Krieger, chefe do Setor de Estrabismo do Instituto de Oftalmologia Tadeu Cvintal, a principal forma de tratamento é a cirurgia corretiva, exceto nos estrabismos muito pequenos. “Quando o desvio é muito pequeno e há visão dupla, o problema pode ser aliviado pelo uso de óculos com prismas (lentes sem grau que compensam o desvio e corrigem a visão), mas estes não são a maioria dos casos”, diz a oftalmologista.

Na entrevista a seguir, a médica explica os procedimentos cirúrgicos utilizados para a correção do estrabismo.
 
Há alguma restrição para a realização da cirurgia?
Não há nenhuma restrição para a realização da cirurgia do ponto de vista oftalmológico. Há contraindicações de ordem clínica, por exemplo, para um paciente que apresente hipertensão arterial ou diabetes descompensados.

Que cuidados o paciente deve ter no pré-operatório?
Nos casos em que a cirurgia é realizada sob anestesia geral, que são a maioria, o principal cuidado pré-operatório é a realização de um jejum de 8 horas, inclusive de líquidos. Quando o paciente é criança e existe um déficit visual, se faz um tratamento com tampão ocular para exercitar a visão do olho cuja visão foi suprimida (“olho preguiçoso”). Para todos os pacientes solicitamos uma avaliação clínica e cardiológica para estimar a segurança do procedimento.

Como se dá a preparação do paciente antes da operação?
A cirurgia para corrigir o estrabismo não exige o uso de colírio para dilatar a pupila, como em outros tipos de cirurgia. O paciente deve apenas estar em jejum e se dirigir ao local escolhido para a cirurgia no mesmo dia da operação.
 
Quais são as técnicas existentes para a realização dessa cirurgia?
As principais técnicas de correção do estrabismo são duas: a que muda a posição e a que encurta um dos músculos do olho desviado. As demais técnicas existentes são variações destas duas. É importante ressaltar que temos seis músculos em cada olho, e estes músculos estão sobre o olho, inseridos na parte branca, externa, entre a conjuntiva e a esclera. Então, na cirurgia de estrabismo, não há a necessidade de entrar no olho, como é o caso da cirurgia de catarata ou de retina. Os pontos que são dados são realizados com fios muito finos, que são absorvidos com o passar do tempo, não havendo, portanto a necessidade de retirá-los.

Qual o tempo de duração do procedimento?
O tempo médio da cirurgia é de 30 minutos para os desvios pequenos e de 40 a 50 minutos para desvios moderados e grandes. Após a cirurgia, o paciente permanece em torno de 5 a 6 horas de repouso, recebendo alta após este período. De um modo geral, não há a necessidade de ficar com curativos oclusivos, como é o caso de outras cirurgias oculares, como a de catarata.

Há algum tipo de complicação que possa surgir durante a cirurgia? E depois?
É muito rara a ocorrência de complicações durante este tipo de cirurgia. A principal delas é o músculo sair do local que foi fixado, mas este acontecimento é passível de correção no próprio ato cirúrgico. Após o procedimento, a principal complicação identificada é a correção exagerada (supercorreção) ou insuficiente (subcorreção) do estrabismo. Elas ocorrem em uma pequena porcentagem dos casos e são corrigidas com outra cirurgia.

Quais os benefícios de se realizar o procedimento em ambiente de hospital-dia?
Usufruir de uma infraestrutura tecnológica e de recursos humanos altamente avançados e qualificados, com menor custo, é um dos principais benefícios de se operar em um hospital-dia. Além disso, o risco de infecção hospitalar é menor e há menos burocracia e demora nos procedimentos em relação a um hospital geral. Dessa forma, todo o processo é agilizado, desde a internação, passando pelo início da cirurgia e a alta hospitalar. O atendimento personalizado e diferenciado dado ao paciente e ao médico são outras vantagens usualmente oferecidas por um hospital-dia.

Quanto tempo após a cirurgia o paciente pode retomar suas atividades normais?
O tempo é variável e depende de cada paciente, mas, em média, após cinco a sete dias.

Que cuidados especiais o paciente deve ter no pós-operatório?
Não há nenhuma restrição quanto a ler, assistir televisão ou às rotinas básicas do dia a dia A única orientação é que o paciente evite praticar qualquer tipo de mergulho no primeiro mês após a operação.
 
Quais ganhos o paciente tem para a sua vida após a realização do procedimento?
O principal ganho está relacionado à aparência, com melhora significativa da sua autoestima e imagem.  Estas mudanças são positivas e acarretam profundas transformações na vida dos pacientes. Nos casos onde há visão dupla, a resolução do problema e a retomada de atividades diárias como dirigir e ler são um ganho inestimável. Nas crianças, além dos benefícios já citados, temos também a obtenção da visão binocular, já que a visão do olho, anteriormente “preguiçoso”, estará sendo utilizada.
 
- Fonte: Fernanda Krieger, médica formada pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), com Residência Médica em Oftalmologia, especialização em Estrabismo, mestrado e doutorado pela mesma instituição. Estagiou no Serviço de Estrabismo e Oftalmologia Pediátrica no New England Medical Center de Boston (EUA) em 1997. É chefe do Setor de Estrabismo do Instituto de Oftalmologia Tadeu Cvintal desde 1995

Este material foi elaborado pelo Fleury, tendo caráter meramente informativo. Não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte seu médico.

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