
O joanete, denominação popular da deformidade do hálux valgo, caracteriza-se pelo desvio lateral do 1º dedo do pé, conhecido usualmente como “dedão”. Devido a uma combinação de fatores genéticos do próprio paciente e de fatores externos – especialmente o uso de calçados inadequados – ocorre um desbalanço mecânico das estruturas estabilizadoras da articulação, ocasionando a deformidade.
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O problema, que afeta uma fração significativa da população urbana, atinge mais as mulheres que os homens, na proporção de oito para um. Não por acaso, o principal fator externo para o aparecimento da deformidade é o uso de sapatos inadequados, geralmente de salto alto e/ou bico fino.
“Quando a pessoa usa salto, a pressão plantar fica concentrada abaixo do primeiro e do segundo dedo, levando à sobrecarga destas articulações e ao surgimento das deformidades”, explica Cibele Réssio, mestre em Ortopedia e Traumatologia pela Unifesp.
“A diminuição da altura dos saltos, a escolha de calçados sem bico fino e o estímulo ao uso de sandálias e a andar descalço são medidas que auxiliam na prevenção do problema”, completa André Yamada, médico da área de Diagnóstico por Imagem do Fleury.
Tanto para o diagnóstico quanto para um tratamento conservador ou cirúrgico do problema, os exames de imagem são importantes. “O estudo radiográfico de ambos os pés (frente e perfil, com carga) são essenciais. No caso de dúvida diagnóstica ou na suspeita de patologias associadas – por exemplo, as artrites – a Ressonância Nuclear Magnética é o método de escolha”, esclarece Yamada.
O tratamento conservador, no entanto, restringe-se apenas à melhora da sintomatologia do paciente e não traz a correção da deformidade. Modificações no tipo de calçado, uso de protetores na área de atrito e dor, além das órteses (dispositivos que ajudam no alinhamento e apoio da articulação) são alternativas de tratamento não-cirúrgico. Na falha do tratamento conservador, a cirurgia é a opção. A técnica é escolhida de acordo com a gravidade da deformidade e a presença ou não de outras patologias associadas.
“No caso das mulheres, se a menina ainda não menstruou, seu esqueleto é imaturo, ou seja, há a possibilidade de tratamento conservador, sem cirurgia. Então se coloca uma órtese noturna, que impede a progressão da deformidade. Após a menarca, o pé não cresce mais e, com a maturidade do esqueleto, o único tratamento resolutivo passa a ser o cirúrgico”, finaliza Cibele Réssio.
Confira a seguir mais detalhes da cirurgia para correção do joanete:
Indicações – O estudo radiológico pormenorizado é que determina a indicação cirúrgica, além da sintomatologia. A pessoa tem que estar com sua condição clínica totalmente estável para passar pelo procedimento.
Contraindicações – Doenças sistêmicas sem controle adequado, distúrbios da coagulação sanguínea, osteoporose grave e a impossibilidade de ficar em repouso no pós-operatório.
Cuidados no pré-operatório – Exames de rotina, como coagulograma, Rx de tórax e Ecocardiograma.
Preparação – No dia da cirurgia, o paciente deve estar em jejum de 8 horas antes do procedimento. Recomenda-se que a internação seja feita 2 horas antes da cirurgia, para que o anestesista e o paciente se conheçam e seja feita a avaliação da anestesia mais apropriada para o caso. Quinze minutos antes do procedimento, é dado ao paciente um comprimido pré-anestésico para relaxamento.
Técnicas – Atualmente, os cirurgiões dispõem de técnicas que, além de diminuírem a angulação da articulação, promovem a fixação das estruturas ósseas por meio de placas e parafusos, o que aumenta a segurança do procedimento e diminui o risco de recorrência do problema.
Tempo de duração do procedimento – Joanete leve: 40 minutos; Joanete moderada: 1 hora; Joanete grave: 1h30 a 2h.
Possíveis complicações – Por se tratar de uma cirurgia de pequeno a médio porte – dependendo da gravidade do caso – as complicações referem-se àquelas das cirurgias de pouca complexidade, ou seja, reações alérgicas, sangramentos de fácil controle e os episódios de dor, comuns aos pós-operatórios ortopédicos.
Cuidados no pós-operatório – O paciente pode sair do hospital com um sapatinho especial, que se chama sandália de Barouk, na qual se apóia somente o calcanhar, deixando a parte operada para fora, sem o peso do corpo. Este sapato, no entanto, é para pequenas distâncias. O paciente deve ficar em repouso, com os pés elevados até que o processo cirúrgico seja consolidado e se possa pisar com calçados normais. Até a recuperação total, recomenda-se realização de fisioterapia.
Período para retomar atividades normais – Para joanetes leves, pode-se voltar ao trabalho após 1 mês. Para os casos moderados e graves, o retorno só deve acontecer após 2 meses. A utilização de calçados com saltos altos leva ainda mais tempo, de 3 a 4 meses após o procedimento.
Ganhos – Correção completa da deformidade, deixando o pé mais harmônico e funcional, e sem dor.
Fontes:
- Cibele Réssio, mestre em Ortopedia e Traumatologia e especialista em pé e tornozelo pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Membro da American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS)
- André Fukunishi Yamada, médico da área de Diagnóstico por Imagem do Fleury
Este material foi elaborado pelo Fleury, tendo caráter meramente informativo. Não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte seu médico.