Fale com o Fleury
Artigos
Calculadoras
Cursos e Eventos
Dicionário da Saúde
Mitos e Verdades
Podcast
Quiz
Revista Saúde em Dia
Espaço Saúde em Dia
Encontre informações sobre saúde e bem-estar.
    \\ Espaço Saúde em Dia \\ Artigos

 Cirurgia de glaucoma em ambiente de hospital-dia 

Alterar o tamanho da letra:
 

Publicado em: 04/03/2009   
Autor: Núcleo Educacional Científico

Imprimir | Recomende esta página

Vital Paulino, chefe do setor de glaucoma da Unicamp

Glaucoma é uma doença normalmente associada à elevação da pressão intraocular e que causa uma lesão ao nervo óptico, responsável por conduzir os estímulos visuais ao cérebro. A lesão, por sua vez, resulta em alterações progressivas do campo visual, que podem culminar com cegueira.

Segundo o oftalmologista Vital Paulino, vice-presidente da Sociedade Ibero-Americana de Glaucoma, não há cura para a doença, mas há formas eficazes de controlar a sua evolução com tratamento medicamentoso e, em alguns casos, cirurgia.

Na entrevista a seguir, o médico tira dúvidas sobre o glaucoma e detalha como ocorre a trabeculectomia, procedimento cirúrgico para controle da pressão intraocular realizado no Fleury Hospital-Dia.

Há diversos tipos de glaucoma?
Há várias classificações dos glaucomas. As mais utilizadas os dividem em primários e secundários, de ângulo aberto ou fechado. Os glaucomas primários são aqueles onde a elevação da pressão intraocular não tem causa estabelecida, ao contrário dos glaucomas secundários, onde existem causas específicas da elevação da pressão intraocular, por exemplo, trauma (glaucoma traumático), inflamação intraocular (glaucoma inflamatório), proliferação de vasos sanguíneos (glaucoma neovascular), entre outros.

Quais os primeiros sintomas?
O glaucoma de ângulo aberto, assim chamado devido ao mecanismo ocular que o causa, é o mais comum na população brasileira e é tipicamente assintomático. Assim, pacientes com esse tipo de glaucoma jamais se queixam de dor de cabeça, dor ocular ou olho vermelho. Na realidade, quando se queixam de alguma alteração visual, a doença já se encontra muito avançada, com alterações irreversíveis do campo visual. Por isso, há a necessidade de se fazer o diagnóstico precoce da doença em consultas de rotina ao oftalmologista e iniciar o tratamento imediatamente. Por outro lado, o glaucoma de ângulo fechado pode vir acompanhado de sintomas, geralmente envolvendo apenas um olho, causados por um aumento súbito da pressão intraocular. Esses sintomas incluem dor ocular intensa, olho vermelho, dor de cabeça, visão de halos coloridos e embaçamento visual. Esse quadro é chamado de glaucoma agudo e pode ser evitado, com um acompanhamento oftalmológico, com a realização de um procedimento a laser na íris denominado iridotomia.

Que doenças podem elevar a pressão intraocular?
Algumas delas são inflamações oculares (uveítes), trauma ocular, proliferação de vasos sanguíneos em pacientes diabéticos e uso de corticoides, todas podendo causar glaucomas secundários. Alguns tipos de glaucoma ainda não têm uma causa bem definida, por isso o oftalmologista busca diagnosticá-los precocemente e iniciar, assim que possível, o tratamento.

Há cura para o glaucoma?
Infelizmente, não. O tratamento visa a reduzir a pressão intraocular, que é o principal fator de risco para a progressão da doença. Essa redução pode ser obtida com tratamento medicamentoso (colírios), laser ou cirurgia. Com a redução da pressão intraocular, obtém-se o controle da doença, não a cura. Para garantir que o controle esteja adequado, exames oftalmológicos periódicos (a cada 3-6 meses) são necessários, dependendo da gravidade do caso. Nesses exames, a pressão intraocular é medida, o campo visual é analisado, assim como o aspecto do nervo óptico. Qualquer sinal de piora de campo visual ou nervo óptico sugere que o controle pressórico esteja inadequado e que uma redução adicional da pressão intraocular seja necessária.

Quando a cirurgia é indicada?
A cirurgia é indicada quando o tratamento medicamentoso e o tratamento a laser não são eficazes em manter a pressão intraocular em um nível satisfatório para o paciente. Atualmente, isso tem se tornado mais raro com as novas medicações.  No entanto, para alguns casos, ela ainda é necessária.

Há alguma restrição para a realização do procedimento?
A principal restrição inclui a utilização de medicamentos que aumentam o risco de sangramento durante a cirurgia, como os antiagregantes plaquetários (por exemplo, a aspirina e o Gingko-biloba) ou os anticoagulantes. Por isso, eles devem ser suspensos com antecedência para aumentar a segurança da cirurgia. Além disso, pacientes com alguma infecção em atividade, descontrole da pressão arterial ou outra situação clínica que os coloque em risco cirúrgico aumentado, representam restrição à cirurgia.

Que cuidados o paciente deve ter no pré-operatório? Como é a preparação antes da operação?
O paciente necessita estar em jejum de oito horas. Antes do procedimento, são instiladas gotas de colírio anestésico e de iodopovidine para antissepsia dos olhos. A anestesia é local, associada a uma sedação leve do paciente.
 
Quais são as técnicas existentes para a realização dessa cirurgia?
Há várias técnicas cirúrgicas para o tratamento do glaucoma e todas visam à redução da pressão intraocular. Destaco a que realizamos com frequencia no Fleury Hospital-Dia, a trabeculectomia, que cria uma comunicação que facilita a drenagem do humor aquoso – líquido que preenche uma parte do interior do globo ocular – e, assim, reduz a pressão intraocular. Normalmente utilizamos uma substância (mitomicina) que visa a impedir o fechamento dessa comunicação. Há também a colocação de implantes de drenagem, como a válvula de Ahmed, reservada para casos mais complexos, normalmente já submetidos a uma trabeculectomia sem sucesso anteriormente. Finalmente, é possível realizar um procedimento a laser, chamado ciclofotocoagulação transescleral, que objetiva reduzir parte do corpo ciliar, a estrutura do olho que produz o humor aquoso. Com isso, a produção de humor aquoso diminui, assim como a pressão intraocular. Trata-se de um procedimento mais simples, porém com menor previsão dos resultados e, por isso, restrito a casos onde a trabeculectomia e o implante de válvula são contraindicados.

Qual o tempo de duração desses procedimentos?
Apesar de delicado, a trabeculectomia é tranquila quando realizada por mãos experientes, com duração de cerca de 45 minutos a 1 hora. Um implante de válvula de Ahmed tem duração semelhante, enquanto a ciclofotocoagulação é um procedimento muito rápido, durando cerca de 5 minutos.
 
Que cuidados especiais o paciente deve ter no pós-operatório? Quanto tempo após a cirurgia ele pode retomar suas atividades normais?
Costumo dizer que o sucesso de uma cirurgia de glaucoma depende 50% de um período pós-operatório bem administrado. O paciente submetido à cirurgia tem que ter alguns cuidados, como evitar coçar os olhos, pegar peso, abaixar a cabeça abaixo da linha da cintura. Deve usar um protetor de acrílico ao dormir, para evitar que esbarre no olho nesse momento. Finalmente, e o mais importante de tudo, deve usar os colírios receitados no pós-operatório de maneira correta. Se tudo isso for obedecido, o paciente deve retomar suas atividades normais cerca de duas semanas após o procedimento.
 
Quais ganhos o paciente tem para a sua vida após a realização do procedimento?
É muito importante que se diga ao paciente que a cirurgia do glaucoma não é feita para melhorar sua visão, mas sim para reduzir a pressão intraocular e, assim, reduzir as chances de progressão da doença. O objetivo é preservar a visão que o paciente ainda possui. Infelizmente, as fibras nervosas e o campo visual perdidos não poderão ser recuperados.

- Fonte: Vital Paulino Costa, professor livre-docente de Oftalmologia da USP, professor dos cursos de pós-graduação em Oftalmologia da USP e da Unicamp e chefe do setor de Glaucoma da Unicamp, com especialização no Wills Eye Hospital, Filadélfia (EUA). É vice-presidente da Sociedade Ibero-Americana de Glaucoma

Este material foi elaborado pelo Fleury, tendo caráter meramente informativo. Não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte seu médico.

Trabalhe conosco Mapa do Site © 2011 Fleury - Todos os Direitos Reservados | Política de Privacidade Nós seguimos o código de ética para sites de saúde HONcode.
Verifique aqui.
Nós seguimos o código de ética para sites de saúde HONcode.