
A chegada da menopausa merece uma atenção especial por parte das mulheres. Nesse período, o risco de desenvolver doenças cardiovasculares aumenta significativamente. As causas são a falta dos hormônios que produzem o ciclo menstrual, em especial os estrogênios, somada à exposição cada vez mais crescente a fatores de risco como estresse, sedentarismo, tabagismo e má alimentação.
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Um amplo estudo internacional, o INTERHEART, feito com 30 mil pessoas em 52 países, confirmou que o principal fator de risco para as doenças cardiovasculares é o elevado nível de LDL, o colesterol mais envolvido na formação das placas de gordura que levam à obstrução das artérias.
Após a menopausa, com a retração natural da atividade estrogênica, o organismo feminino passa a acumular mais LDL (colesterol “ruim”) e a diminuir a concentração do HDL, colesterol “bom”, resultando quase sempre em um quadro de hipercolesterolemia (colesterol total sérico superior a 200 mg/dL).
Além de cortar o tabaco e praticar atividades físicas de maneira regular, uma das formas mais eficazes para controlar o colesterol reside numa alimentação saudável. Para mulheres que estejam sofrendo de hipercolesterolemia após a menopausa, uma forma de tratamento inicial sugerido pela "American Heart Association" é a chamada “dieta fase I”, que limita o consumo de gorduras a menos de 30% do total de calorias diárias. Desse percentual, a maioria deve ser de gorduras monoinsaturadas, como, por exemplo, a disponível no azeite de oliva, reduzindo a ingestão de gorduras saturadas, encontradas nos alimentos de origem animal como as carnes, manteigas e leite integral. Dessa forma, a dieta limita o consumo de colesterol.
Para os pacientes de maior risco, cuja “dieta fase I” não apresenta resultados satisfatórios, a restrição na ingestão de alimentos ricos em gordura animal deve ser ainda maior e, conforme orientação médica, pode ser indicado o uso de vastatinas, substâncias originárias de culturas de fungos e inibidoras da síntese do colesterol.
Já o nível elevado de triglicérides, que no adulto, espera-se que esteja abaixo de 150 mg/dL, também deve ser tratado com esse tipo de dieta, porém associada à redução da ingestão de carboidratos simples (presentes nos doces em geral) e de bebidas alcoólicas. A mudança de hábitos e o combate à obesidade têm especial importância nesse contexto e, sob orientação médica, alguns medicamentos podem ajudar a reduzir os níveis de triglicerídeos no organismo.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o tratamento da hipercolesterolemia deve seguir, em linhas gerais, as seguintes recomendações alimentares:
- Consumo preferencial de verduras e legumes, frutas, cereais, grãos e massas;
- Consumo preferencial de peixe e carnes brancas das aves, preparadas sem pele;
- Uso restrito de carnes vermelhas, com retirada da gordura visível;
- Uso moderado de crustáceos, evitando-se a adição de gorduras saturadas em seu preparo;
- Evitar o consumo de gema de ovo, leite, manteiga e outros derivados na forma integral, dando preferência a produtos desnatados;
- Evitar o uso de margarinas sólidas e usar, com parcimônia, margarinas cremosas ou alvarinas;
- Usar óleos insaturados, tais como soja, canola, oliva, milho, girassol e algodão, com preferência pelos três primeiros;
- Evitar o uso de óleo de coco e dendê;
- Evitar frituras.
As recomendações acima são de extrema importância para o controle da hipercolesterolemia após a menopausa, sem deixar de lado o grande benefício de uma atividade física regular e do melhor controle do estresse no dia a dia. A procura de um médico, no entanto, é imprescindível para avaliar as taxas de gordura no sangue, reforçar a adequação dos hábitos da paciente e decidir sobre a necessidade do uso de medicamentos para reduzir o colesterol e o triglicéride.
– Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)