
Popularizada nos anos 80 com o surgimento das grandes academias, a esteira é uma opção para os corredores que não têm tempo, acessibilidade ou até mesmo não gostam de treinar sempre ao ar livre. Mas, afinal, correr na esteira é tão eficaz quanto correr na rua? Quais são os ganhos e as perdas de fazer um treinamento de corrida indoor?
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O médico do Esporte da área de Gestão de Saúde do Fleury, Páblius Staduto Braga Silva, responde a seguir algumas perguntas sobre o tema.
Quando corremos na esteira, o gasto de calorias é maior, menor ou igual a quando corremos na rua?
Se levarmos em conta a mesma velocidade e o mesmo tempo de treinamento, o gasto calórico pode até ser menor, já que na rua existe a resistência do ar incidindo contra o corredor e gerando uma sobrecarga maior no treinamento.
Mas às vezes, correr na esteira dá a impressão de desgastar mais que correr na rua... Isso acontece mesmo?
Não. Na rua, o corredor pode determinar seu ritmo de treino, às vezes diminuindo a velocidade e o ritmo e retomando-os logo em seguida. Na esteira, é possível fazer o mesmo, mas geralmente a motivação está em manter o ritmo constante. Ainda assim, para uma mesma velocidade e tempo, não há diferenças de demanda de esforço.
Então quer dizer que correr 10 km na esteira é igual a correr 10 km na rua?
Com relação ao esforço, sim. Mas o que também pesa nessas situações é o aspecto motivacional. Correr com paisagens reais determina melhores pontos de referência. Na esteira, por sua vez, a referência é “estática” – distância em metros e o tempo mostrados no painel. Daí a impressão de que o treino na esteira é mais longo e desgastante.
O que é mais fácil: começar correndo na esteira e depois passar a correr na rua ou o contrário?
Esta associação é indiferente. Claro que se o treinamento é feito essencialmente em esteira, ao passar para o treino de rua, as diferenças de solo e irregularidades de piso podem ser mais sentidas.
É importante intercalar os treinos na rua com corridas na esteira?
Sim, a realização dos dois tipos de treinamento é sempre uma boa recomendação. Correr apenas na esteira não possibilita desenvolver a capacidade de se adaptar aos diferentes tipos de terreno (asfalto, terra, grama, areia), o que é uma grande vantagem de correr na rua. O uso da esteira, por outro lado, pode ajudar na orientação de metas e objetivos, além de auxiliar nos treinos quando há chuva, poluição atmosférica acentuada e quando precisamos de cuidados com a segurança pessoal.
Correr na esteira faz com que gastemos mais líquido?
Não necessariamente. Mas é claro que se o ambiente não estiver refrigerado ou umidificado – uma das vantagens do treinamento indoor é justamente poder controlar essa variável climática –, o gasto de líquido pode ser maior durante o treino.
E o impacto para as articulações, é a maior ou menor?
Esteiras de boa qualidade têm bons amortecedores. Na rua, dependendo do terreno e do ritmo de treino, a sobrecarga para as articulações pode ser maior. Com isso, passa a ter ainda mais importância a qualidade do calçado esportivo no que diz respeito à absorção de impacto e a força muscular de membros inferiores do corredor.
E o monitoramento da frequência cardíaca, é mais fácil de ser feito na esteira?
Hoje, com a presença de bons monitores de frequência cardíaca portáteis, esta diferença praticamente não existe.
É normal o corredor se sentir tonto quando desce da esteira?
Quando não há o hábito de utilizar a esteira, é possível isso ocorrer. Isto porque a referência para o corredor passa a ser o “chão andando”, “correr sem sair do lugar”. Com o costume, no entanto, o corpo se adapta a essa diferença.
Por fim, correr na esteira assistindo à televisão pode atrapalhar o desempenho?
Não, porque a carga de esforço já está pré-determinada. Além disso, ter uma atividade visual recreativa como esta durante o exercício pode ser até mais motivante para o corredor.
Fonte: Páblius Staduto Braga Silva, médico do Esporte da área de Gestão de Saúde do Fleury
Este material foi elaborado pelo Fleury, tendo caráter meramente informativo. Não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte seu médico.