
A barriga proeminente guarda uma relação estreita com o risco de desenvolver doenças cardiovasculares, como o infarto agudo do miocárdio, conhecido, entre os leigos, como ataque cardíaco, e o acidente vascular cerebral, o derrame cerebral. “O aumento da circunferência abdominal é um indicador de maior risco para esses problemas”, avisa a cardiologista do Fleury, Jeane Tsutsui.
Mas não é só isso. A gordura abdominal em excesso está relacionada com uma resistência aumentada à ação da insulina, o hormônio responsável por retirar da circulação a glicose obtida da alimentação e distribuí-la a todas as células. Em outras palavras, a insulina não faz direito seu trabalho e, dessa maneira, começa a sobrar glicose na corrente sangüínea – o que, na prática, significa ficar a um passo do diabetes tipo 2. Ter barriga, portanto, não maltrata apenas sua aparência, mas também altera o pleno funcionamento de seu corpo.
Vale a pena ressaltar que a barriga não é a única a ocupar o papel de vilã. “É a combinação de fatores que aumenta a probabilidade de ter doenças cardiovasculares”, observa Jeane. Trocando em miúdos, os centímetros a mais na região abdominal representam maior perigo para a saúde quando associados a outros fatores de risco para essas doenças, como a já citada elevação de glicose no sangue, o aumento do nível de triglicérides, a pressão arterial elevada e índices baixos do bom colesterol (veja o quadro abaixo).
Esse conjunto de problemas forma o que os médicos hoje chamam de síndrome metabólica. A presença dessa síndrome torna mais provável a possibilidade de uma obstrução futura nas artérias – evidentemente se nada for feito para evitar que as coisas tomem esse rumo.
A boa notícia é que há muito que fazer para evitar essa conseqüência. Tanto a barriga proeminente quanto os demais fatores de risco podem ser revertidos, na grande maioria das vezes, com mudanças no estilo de vida, notadamente a prática de exercícios físicos e a adoção de uma alimentação equilibrada, à base de frutas, legumes e carnes magras. É claro que, de preferência, tais providências devem ser orquestradas por um clínico geral ou cardiologista. Se a barriga incomoda, infelizmente os demais vilões são bem silenciosos e, para serem descobertos, dependem de uma investigação médica cuidadosa.
| Colesterol não é tudo igual |
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Dentro do organismo, o colesterol é transportado por proteínas de baixa e alta densidade. As de baixa densidade (LDL) o levam para a circulação, onde ele forma placas de gordura que podem ser precursoras de uma obstrução do fluxo sangüíneo nas artérias do coração e do cérebro – daí a razão de sua alcunha de mau colesterol.
Já as proteínas de alta densidade carregam o colesterol para fora da corrente sangüínea, tendo um efeito protetor sobre a saúde cardiovascular – não por acaso, são chamadas de bom colesterol (HDL).
Por haver essa diferença gritante entre as duas frações, mais do que saber qual o índice total de colesterol, os médicos querem conhecer a composição desse valor. Algumas vezes, o total pode parecer elevado à primeira vista, mas em razão de um nível alto – e esperado – do bom colesterol. |
Fonte:
- Jeane Mike Tsutsui, cardiologista e gerente de Pesquisa & Desenvolvimento do Fleury