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 Planejamento da gravidez deve começar antes da concepção 

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Publicado em: 06/04/2009   
Autor: Núcleo Educacional Científico

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Planejar uma gravidez significa mais que se preparar financeira e psicologicamente para a chegada do bebê: a saúde do casal também precisa estar em dia, antes mesmo da concepção. Isso vai garantir uma gravidez tranquila e, consequentemente, o nascimento de uma criança saudável. A maioria dos futuros papais e mamães, no entanto, não faz um planejamento adequado da gestação, afirma Mario Henrique Burlacchini, responsável pela área de Medicina Fetal do Fleury. “Infelizmente, até hoje poucos casais fazem os exames básicos pré-concepcionais. Oitenta por cento ainda procura o médico obstetra somente após engravidar.”

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Este descuido é um dos responsáveis por uma realidade triste: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 3% das gestações resultam no nascimento de uma criança com algum tipo de anomalia congênita ou doença genética que comprometerá seu desenvolvimento e qualidade de vida. A frustração dos médicos é que medidas simples poderiam tornar esse número bem menor. “O acompanhamento da saúde do casal ajuda a identificar condições que podem influenciar na saúde do bebê. Dessa maneira, é possível tratar e prevenir esses problemas antes da concepção”, explica Burlacchini.

Sobretudo quando a futura mãe tem mais de 35 anos, essa investigação clínica se torna mais necessária. “Trata-se de uma tendência atual, os casais estão esperando mais tempo para ter filhos. Mas a idade avançada materna aumenta o risco da incidência de anormalidades cromossômicas no feto, particularmente a síndrome de Down”, afirma a pediatra e geneticista Sofia Sugayama, responsável pelo setor de Aconselhamento Genético Pré-Natal do Fleury.

Exames simples, como hemograma e pesquisa de algumas doenças infecciosas, para as quais existe tratamento ou formas de prevenção, fazem parte do “check-list” pré-concepcional (veja mais no quadro abaixo). É fundamental que o homem e a mulher façam, por exemplo, a identificação de grupo sanguíneo e fator Rh, que pode indicar a possibilidade de incompatibilidade sanguínea entre a mãe e o feto. Quando a futura gestante Rh-, cujo parceiro é Rh+, gera um filho Rh+, pode ocorrer a sensibilização do sistema imunológico da mãe, que passa a produzir anticorpos contra o fator Rh presente no bebê. “Com esta identificação, é possível prescrever à mãe, preventivamente, os anticorpos anti-Rh, que bloqueiam esse processo”, explica Mario Henrique de Carvalho. Particularmente, os homens ainda podem fazer um espermograma com a finalidade de avaliar as condições dos espermatozoides; enquanto que a mulher precisa incluir na agenda exames ginecológicos, como citologia vaginal e ultrassonografia pélvica.

Confira alguns dos exames que são recomendados na fase pré-concepcional:

Casal Mulher Homem
VDRL (pesquisar sífilis) Rubéola, toxoplasmose, citomegalovirus Espermograma
Pesquisa de Hepatite B e C Citologia vaginal
Grupo sangüíneo e fator Rh Ultrassonografia pélvica ou transvaginal
Exame de urina Dosagens hormonais
HIV Ultrassonografia mamária
Glicemia (para descartar diabetes) Colposcopia
Parasitológico

Pensar na proteção da mulher em relação a determinadas doenças que poderão interferir no desenvolvimento do futuro bebê também é passo essencial. O ideal é pensar nas vacinas antes de engravidar, já que algumas delas, por serem compostas de vírus atenuado, preferencialmente, não devem ser administradas durante a gestação. É o caso da tríplice viral, que age contra sarampo, caxumba e rubéola, e da tríplice bacteriana do adulto, responsável pelos anticorpos contra tétano, difteria e coqueluche. A indicação é de que até o futuro pai receba as vacinas, para não correr o risco de infectar a mãe.

Em alguns casos, especialmente naqueles em que os pais têm mais de 35 anos, pode ser recomendado ainda o aconselhamento genético. Trata-se de uma consulta médica, na qual são avaliadas as condições de saúde do casal, antecedentes pré-natais e etnia. “Além disso, é feita uma investigação da história familiar, que consiste no levantamento da genealogia até três ou quatro gerações dos familiares do casal, para investigar doenças eventualmente existentes”, explica Sofia Sugayama. Esses dados geram um relatório médico-genético no qual constam os riscos de ocorrência ou recorrência de determinada doença no futuro bebê, medidas terapêuticas, sugestões de exames e procedimentos para a detecção de anomalias fetais em futuras gestações. “Este conjunto de informações auxilia o casal e seu médico obstetra no planejamento da gestação”, avalia a geneticista.

Principais indicações para o aconselhamento genético pré-natal:
Casais ou indivíduos com história familiar de anomalia congênita isolada ou múltipla, anomalia cromossômica caracterizada, deficiência mental
Casais ou indivíduos com doença genética hereditária diagnosticada previamente, como fibrose cística e distrofia miotônica, entre outras.
Casais ou indivíduos com história de perdas gestacionais de repetição ou natimorto
Mulheres com idade superior a 35 anos (devido ao risco aumentado da incidência de síndrome de Down e outras alterações cromossômicas)
Mulheres preocupadas com o risco associado à exposição à radiação, rubéola ou outros agentes infecciosos, a medicamentos ou outros agentes teratogênicos
Casais consanguíneos (parentes de 1º ou 2º grau)

 

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