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Os poluentes emitidos pelos automóveis são os mais nocivos à saúde |
Basta o inverno chegar para os prontos-socorros ficarem lotados de pessoas reclamando de tosse, congestão nasal e dor de garganta. Mas não são apenas as temperaturas baixas que propiciam o surgimento de doenças respiratórias. Um dos grandes causadores de problemas como
rinite,
bronquite e
pneumonia nesta época do ano é a poluição. Segundo a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), a concentração de poluentes aumenta em até 80% durante o inverno. Isso ocorre por causa do clima seco e da inversão térmica, que cria uma 'barreira' na atmosfera, concentrando gases poluidores – principalmente o monóxido de carbono (CO) e outros poluentes emitidos pelos automóveis.
"A poluição resseca a mucosa presente no sistema respiratório, o que diminui a eficiência dos mecanismos naturais de defesa do pulmão e facilita a entrada de vírus e bactérias no corpo, que estão mais abundantes no ar durante a estação mais fria do ano", explica o assessor médico da Pneumologia do Fleury, João Marcos Salge.
Uma das principais vítimas dessa situação são as crianças, que ficam mais vulneráveis à poluição devido ao fato de seus pulmões estarem em processo de crescimento e amadurecimento. Segundo um estudo* realizado pela Universidade da Califórnia do Sul, nos EUA, os poluentes comuns do ar comprometem esse desenvolvimento pulmonar das crianças, o que as torna suscetíveis às doenças respiratórias.
"Ao lado dos idosos, as crianças são as que mais apresentam problemas respiratórios, tanto infecciosos quanto alérgicos, em virtude da poluição atmosférica. Com a chegada do período de estiagem, esses quadros se agravam", afirma Salge. Além de gripe e resfriado, as doenças mais comuns, segundo o pneumologista, são rinite, sinusite, bronquite, asma e, em casos mais severos, pneumonia. "Aquelas crianças que já têm histórico de alergias respiratórias ficam mais suscetíveis a terem um agravamento no quadro durante o inverno, mas mesmo as que não apresentam essas condições também estão sujeitas."
Nos grandes centros urbanos a preocupação é ainda maior. O ar da capital paulista, por exemplo, é quase três vezes mais poluído que o limite considerado tolerável pela Organização Mundial da Saúde. "Estima-se que respirar o ar de São Paulo equivale a fumar um cigarro por dia", alerta Salge. Se trocar a cidade pela praia ou pelo campo está fora de cogitação, algumas técnicas podem ajudar ao menos a reduzir o impacto das doenças respiratórias nos pequenos. São medidas preventivas simples para serem adotadas dentro e fora de casa, o que vai da proteção contra ventos cortantes até os cuidados com a higiene pessoal e dos ambientes.
A prevenção ao seu alcance Além do controle clínico e da imunização, existem providências bem simples de tomar para você atravessar o próximo inverno menos suscetível às doenças respiratórias: |
| Evite, se possível, usar o ar condicionado, pois ele ajuda a proliferar microrganismos |
| Fique longe de aglomerações, como elevador e shoppings lotados |
| A fumaça do cigarro dentro de casa aumenta as crises nos asmáticos e infecções nas crianças |
| Não compartilhe objetos de uso pessoal. Como os vírus de gripes e resfriados ficam depositados nas superfícies, é desaconselhável compartilhar copos, pratos, talheres e toalhas com pessoas contaminadas |
| Umedeça suas vias respiratórias. Se não dá para tomar água toda hora, vá de chá, chocolate quente, sopas e caldos. Além disso, use soro fisiológico para lavar as narinas |
| Proteja o nariz e a boca do vento. Na hora de sair de casa, não deixe de levar também o cachecol. O acessório funciona como uma barreira contra o frio, aquecendo o ar inalado |
| Evite fazer passeios por ruas e avenidas muito movimentadas. Além de respirar o ar mais frio da estação, você manda para os pulmões todos os poluentes dispensados pelos veículos |
| Lave casacos e cobertores. Aproveite as semanas mais quentes para lavar ou expor ao sol os apetrechos do frio. Como ficam muito tempo guardadas nos armários, as peças servem de residência para fungos e ácaros |
Além disso, quem tem maior suscetibilidade deve fazer um controle clínico mais abrangente. “Para quem já apresenta quadros alérgicos como rinite e asma, convém fazer uma avaliação médica periódica. Nestes casos, pode ser recomendada a prova de função pulmonar. Este é o exame subsidiário mais elucidativo para ajudar o clínico no controle do quadro de asma de origem alérgica”, explica Salge.
O mesmo cuidado de procurar avaliação médica vale para as pessoas em quem as gripes e resfriados persistem, ultrapassando o período considerado aceitável pelo médico para essas viroses. Não é normal passar semanas com tosse e produção de secreção, e a gripe pode evoluir para sinusite, nas vias respiratórias altas, e até complicações pulmonares, como a pneumonia.
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A imunização anual contra o vírus Influenza, que causa a gripe, é uma medida eficaz para afastar os inconvenientes do inverno e da poluição. A doença, afinal, é a porta de entrada para os problemas respiratórios mais sérios. Vale lembrar que a vacina não protege contra o resfriado comum, nem sintomas de alergia que podem surgir no período de inverno. Após a vacina, o organismo leva algumas semanas para produzir anticorpos que protegem contra a doença. Daí a importância de tomá-la entre o final do outono e início do inverno. |
Fontes: João Marcos Salge, assessor médico da Pneumologia do Fleury; Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb); * American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, 20/10/2000
Este material foi elaborado pelo Fleury, tendo caráter meramente informativo. Não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte seu médico.