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Publicado em: 30/12/2008
Autor:
Núcleo Educacional Científico
Os sinais e sintomas da doença variam de pessoa para pessoa, mas, de modo geral, incluem alterações no aspecto da urina, que fica mais escura e espumosa em decorrência da perda de sangue e de proteínas, redução do volume urinário, elevação da pressão arterial, inchaço nos membros inferiores e no rosto e mal-estar generalizado, incluindo cansaço, fraqueza, indisposição e anemia. Convém ponderar que muitos casos podem cursar sem nenhuma manifestação clínica, só sendo descobertos em exames laboratoriais de rotina, que revelem a existência de alterações urinárias.
O fenômeno imunológico que está no cerne dessa inflamação renal é desencadeado por alguns gatilhos, sobretudo as infecções provocadas por microrganismos em qualquer parte do corpo, como ocorre na glomerulonefrite pós-estreptocócica, que se desenvolve depois de amigdalites ou infecções de pele provocadas por uma bactéria chamada estreptococo. Nessa situação, os antígenos da bactéria, unidos aos anticorpos que os neutralizam, se depositam nos glomérulos e causam-lhes lesões. Determinados medicamentos e doenças como diabetes mellitus, hipertensão arterial, lúpus eritematoso sistêmico, aids e hepatites, podem evoluir com glomerulonefrite, mas o ataque do sistema imunológico às células dos glomérulos também pode surgir sem nenhuma razão que o explique, a não ser a predisposição genética para esse tipo de reação.
As manifestações clínicas características e as anormalidades detectadas em testes laboratoriais, como a presença de sangue e de proteínas na urina e o excesso de toxinas na corrente sangüínea, já apontam a existência de inflamação nos rins. Contudo, o diagnóstico preciso depende da realização de uma biópsia local para conhecer exatamente o tipo e a extensão da lesão nos glomérulos. Esse procedimento, que hoje pode ser efetuado em ambiente ambulatorial, consiste na retirada de minúsculos fragmentos dos rins por meio de uma punção especial com agulha, feita sob anestesia local, para posterior análise de suas alterações, células e tecidos.
As inflamações mais leves, denominadas glomerulonefrites focais, em geral se resolvem espontaneamente em médio e longo prazos, requerendo apenas um controle rigoroso da pressão arterial e da retenção de líquidos, o que costuma ser resolvido com medicamentos diuréticos. Já as mais agressivas, que se comportam de maneira difusa, precisam de medidas para reduzir a formação do complexo antígeno-anticorpo, o que inclui particularmente o emprego de antiinflamatórios e imunossupressores inespecíficos, como os corticóides, a azatioprina e a ciclofosfamida, entre outras medicações. Além disso, nos casos mais graves, a adoção de uma dieta com restrição de proteínas, sal, potássio e fósforo faz parte das estratégias terapêuticas para evitar a evolução da doença para a insuficiência renal crônica.
Como as glomerulonefrites estão relacionadas com um descontrole do sistema imunológico, há pouco a fazer para impedir o desenvolvimento dessas inflamações. A prevenção, contudo, passa pelo rigor contra o uso indiscriminado de quaisquer medicamentos sem prescrição, especialmente de antiinflamatórios, assim como pela adoção de medidas de proteção contra doenças infecciosas importantes, como a aids e as hepatites. Contudo, uma vez que muitos casos provêm de infecções anteriores por bactérias, os tradicionais cuidados com a saúde em geral – como ter uma alimentação equilibrada, dormir bem, praticar atividade física e manter hábitos saudáveis, incluindo os de higiene pessoal – sempre podem ajudar a reduzir as chances de contaminação com diferentes microrganismos. As amigdalites bacterianas em crianças, em particular, merecem atenção. Essas infecções precisam ser tratadas invariavelmente pelo tempo recomendado, de modo que se tenha a certeza da eliminação do agente infeccioso. Mesmo assim, é bom ficar de olho no surgimento de alterações urinárias depois do tratamento.
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