O quadro de sintomas tem duas fases distintas. Na primeira, que se inicia ao nascimento, o bebê apresenta baixo peso e estatura, leves anomalias na face, choro fraco, vitalidade reduzida, baixa temperatura corporal e acentuada diminuição da força muscular – a criança é toda molinha –, o que dificulta a sucção e a deglutição. Essa manifestação, chamada de hipotonia, melhora por volta dos 8 aos 11 meses e, com isso, o bebê fica mais alerta, passa a ter mais apetite e começa a ganhar peso.
A obesidade surge, em média, aos 2 anos, com uma constante sensação de fome e um interesse exagerado por comida, e marca o início da segunda fase. Nessa etapa, o atraso neurológico fica evidente, com a demora da criança para engatinhar, andar e falar, com problemas de aprendizagem e com inatividade. Fisicamente, com freqüência observa-se menor pigmentação da pele, cabelos e olhos, tamanho reduzido de mãos, pés e genitais.
Uma manifestação marcante desta doença é a diminuição da sensibilidade à dor, o que pode levar a criança a se machucar e, ao cutucar feridas, perpetuar ferimentos na pele. Outras características referem-se a alterações faciais típicas, como testa estreita, olhos amendoados e estrabismo. Alguns portadores, particularmente entre 3 e 5 anos de idade, podem apresentar depressão, irritabilidade, mudanças repentinas de humor, desobediência ou falta de cooperação, impulsividade, agitação, obsessão por idéias, atividades ou comportamento social inapropriado. Quando adultos, costumam ser muito teimosos e temperamentais.
A síndrome de Prader-Willi resulta de anomalia no cromossomo 15, que ocorre no momento da formação dos gametas. Em 75% dos casos, a cópia paterna desse cromossomo apresenta uma falha – uma deleção, no jargão médico – em um segmento e, assim, não contém os genes que ali deveriam estar inseridos. Nos demais portadores também há ausência da informação genética paterna, mas o motivo é a presença de duas unidades maternas do cromossomo 15 e nenhuma do pai – numa situação normal, vale lembrar, a criança herda duas cópias de cada um dos 23 cromossomos: uma do pai e outra da mãe.
A alteração do material genético determina o mal funcionamento do hipotálamo, um dos responsáveis pelas manifestações da síndrome. Em geral, essas anomalias cromossômicas surgem de forma esporádica, sem história de doença genética familiar, embora existam raros casos de recorrência em uma mesma família.