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Os avanços da medicina produziram exames mais sofisticados. Por outro lado, especialistas discutem em que casos raios X e tomografias computadorizadas são recomendados

Diante de uma suspeita em relação à própria saúde, qualquer pessoa deseja ter o melhor que a tecnologia e os avanços da Medicina podem oferecer: um profissional preparado e o acesso aos melhores equipamentos e testes. Em alguns casos, a avaliação inclui a realização de exames de diagnóstico por imagem, raios X ou as tomografias computadorizadas. Especialistas afirmam que, desde que sejam feitos somente quando necessário e com baixas doses de radiação, esses exames não oferecem riscos.
O problema ocorre quando esses exames, que podem salvar uma vida, são realizados de forma excessiva e descontrolada. A discussão ganhou corpo nos Estados Unidos logo após a divulgação de uma pesquisa do Conselho Nacional sobre Proteção à Radiação. Os cientistas mostraram que a dose absorvida, per capita, de radiação ionizante decorrente de exames de imagem clínica aumentou, entre os americanos, quase 600% entre 1980 e 2006. Essa elevação pode ser explicada pelo fato de os exames estarem mais acessíveis e também porque os americanos, quando querem fazer uma tomografia computadorizada, vão a um centro diagnóstico e simplesmente pagam por isso, sem solicitação médica ou mesmo orientação de um profissional de saúde. No Brasil, esses exames só são realizados sob prescrição médica.
Existem dois tipos de radiação: a não ionizante e a ionizante. Um exemplo do primeiro tipo são as ondas de rádio, que estão em toda parte e não interferem em nosso organismo. O segundo é o que carrega um potencial mais perigoso, dependendo das condições a que uma pessoa se expõe. A radiação é chamada de ionizante quando é capaz de produzir íons (partículas carregadas eletricamente, formadas por um ou mais átomos que perderam ou ganharam um ou mais elétrons). Na prática, ao incidir sobre os átomos que formam as moléculas do nosso corpo, ela arranca elétrons. Esses elétrons podem danificar ou quebrar outras moléculas, como proteínas e o DNA. Normalmente, o corpo é capaz de reparar esse dano sozinho, e não acontece nada com a pessoa. “Se não fosse assim, ninguém sobreviveria, pois estamos todos expostos à radiação”, explica o físico Renato Dimenstein, professor e consultor da área de radiologia e radiodiagnóstico. “A radiação ionizante usada em exames diagnósticos, desde que controlada e empregada de maneira responsável, não provoca nenhum dano ao organismo”, afirma.
O risco só existe quando a pessoa é submetida a cargas muito intensas dessas radiações. Aí, o organismo não é capaz de reparar o prejuízo. Quando isso acontece, a pessoa pode ter anemia e hemorragias, o sistema imunológico pode ser afetado e as paredes dos intestinos e do estômago, prejudicadas.
E os exames com isso? Mas o que isso tem a ver com os exames de imagem feitos nos centros de diagnóstico? Bem, desde que realizados com aparelhos modernos, que mostrem o grau de exposição e permitam que o radiologista reduza a quantidade utilizada, praticamente nada. Trata-se mais de uma relação custo/benefício, na qual mais vale se expor a uma radiação mínima e controlada, para saber se a pessoa está ou não doente. “É por isso que os profissionais têm hoje a preocupação de manter os níveis de radiação muito baixos, e focar apenas na área que precisa ser examinada, para que outros tecidos não sejam expostos”, explica o radiologista Dany Jasinowodolinski, especialista do setor de imagem do Fleury.
O médico esclarece que não há hoje consenso sobre as doses usadas em cada exame. Isso porque a quantidade necessária depende da região do corpo, da idade do paciente, da necessidade do médico ao pedir o exame. “Por isso nos atualizamos e nos preocupamos em oferecer exames seguros”, diz. No caso das crianças, o nível de exposição a esse tipo de radiação deve ser menor. Para as grávidas, o exame é liberado dependendo do caso – e quem deve avaliar isso é o médico que a está acompanhando. “Uma coisa muito importante é ter protocolos diferentes para crianças e adultos. Aqui no Fleury já temos isso”, afirma a médica radiologista Liza Suzuki. “Primeiro, o ideal é que o médico comece por exames menos invasivos, como um ultra-som, por exemplo. Caso seja mesmo necessário, se faz um exame de diagnóstico por imagem. O importante é saber usar favoravelmente os recursos que a tecnologia e a medicina oferecem”, conclui. |