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Quem tem diabetes já sabe que deve cuidar do peso, praticar atividades físicas regularmente, não fumar e monitorar a alimentação. O que pouca gente sabe é que o diabetes requer consultas regulares ao oftalmologista. Isso mesmo: essa doença pode causar graves problemas de visão.
O diabetes ocorre quando o organismo pára de produzir insulina, produz em quantidade insuficiente ou, o que é mais comum, não utiliza adequadamente esse hormônio, que é o responsável pelo transporte do açúcar, ou glicose, do sangue para as células do corpo, onde será usado como fonte de energia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 180 milhões de indivíduos tenham diabetes no mundo. No Brasil, a doença afeta cerca de 14 milhões de pessoas. “Como os problemas oftalmológicos causados pelo diabetes surgem em silêncio, sem apresentar sintomas a princípio, é preciso estar atento”, diz o médico diabetologista André Fernandes Reis.
Uma das alterações causadas pelo diabetes com controle inadequado por longos períodos é a lesão do sistema circulatório – e é justamente isso que pode causar problemas nos olhos. “A retina é um tecido muito vascularizado e costuma ser prejudicada em pacientes diabéticos”, explica Sung Song, oftalmologista do Fleury. “As veias da retina podem sofrer rachaduras, inchaço, acumular e até extravasar líquidos, causando hemorragias.” Esse conjunto de disfunções é chamado de retinopatia diabética. Outra área do olho, a mácula, região central da retina, responsável pela nitidez e pelo foco do que enxergamos, também pode ser danificada. Com essas disfunções, há um acúmulo de líquido nos vasos dessa região, e ela começa a inchar, causando o que se conhece por maculopatia diabética. Em médio prazo, esse problema pode acarretar áreas de sombreamento na visão, fazendo com que a pessoa enxergue manchas escuras.
A alteração na circulação pode ainda causar aumento na pressão sangüínea intra-ocular. “Isso pode comprimir o nervo ótico e acarretar uma perda parcial no campo de visão”, diz Vital Paulino da Costa, professor de Oftalmologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e cirurgião que atua no Fleury Hospital-Dia. Em casos mais graves, a circulação e a chegada de oxigênio à retina ficam tão prejudicadas que pode haver hemorragias e até descolamento de retina. Nos piores cenários, ocorrem perda parcial e até total da visão. Pessoas com diabetes devem ir ao oftalmologista, no mínimo, uma vez por ano. Após dilatar a pupila, o médico faz um mapeamento da retina e identifica os problemas ainda em estágio inicial. Além disso, é importante medir a pressão do olho. “Com acompanhamento e tratamento adequado, é possível evitar a perda de visão em 90% dos casos”, alerta Sung.
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