Atividade física, alimentação adequada e tratamento correto são a receita para uma vida saudável aos portadores da disfunção
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| Marcelo Bellon Ferreira, portador de diabetes, tem no esporte um aliado ao controle da doença |
O paranaense Marcelo Bellon Ferreira é triatleta. Aos 32 anos, participa ativamente de competições ironman, prova de resistência em que se deve superar 3.800 metros a nado, 180 quilômetros a pedaladas e mais 42 em maratona, tudo isso em até 12 horas. Apaixonado por esportes desde pequeno, é um exemplo de disciplina e determinação. Cada braçada e passo dados em uma prova representam para ele uma vitória especial. Porque, desde os 14 anos, Marcelo convive com o diabetes tipo 1, mas nem por isso deixou de praticar esportes ou comprometeu o ritmo de seu cotidiano. “Na época do diagnóstico, a adaptação foi mais traumática para minha família que para mim”, relembra. “Eu me dediquei a estudar o assunto para viver bem com ele”.
Com informação e dedicação, Marcelo diz ter descoberto o caminho para conviver com o diabetes. “Não me considero doente. Para mim, diabetes é uma disfunção metabólica que, se você aprender a controlar, pode conviver normalmente com ela. Para ser um ironman, você precisa de muita disciplina. Para se ter um bom controle do diabetes, também. Então, um completa o outro, e acredito que essa seja a chave para o sucesso que tive”, complementa.
Exercitar-se é fundamental
O diabetes atinge mais de 7% da população brasileira, ou seja, cerca de 12 milhões de pessoas. Os tipos mais comuns da doença são os chamados tipo 1 e tipo 2.
No diabetes tipo 1, que é mais comum em jovens e representa de 5 a 10% dos casos, não há produção de insulina pelo organismo. No tipo 2, que representa cerca de 90% dos casos, a pessoa produz insulina, mas ela não age adequadamente. Esse tipo atinge principalmente adultos sedentários, com excesso de peso e que têm histórico familiar para a doença.
Inúmeros estudos comprovam que o bom controle do diabetes, com uma atividade física regular, uma dieta balanceada e o uso correto de medicações (quando indicadas), permite a manutenção de uma vida saudável, livre das complicações secundárias à doença.
Segundo o diabetologista André F. Reis, pós-doutorado no INSERM, um dos mais importantes centros de pesquisa médica da Europa, em Paris, a prática regular de atividade física e a manutenção do peso adequado não só ajudam no controle dos vários tipos de diabetes, como “podem retardar ou mesmo evitar o diabetes tipo 2”. Por isso, “manter uma atividade física regular é tão importante”, afirma o médico. Mas ninguém precisa virar um super atleta como o Marcelo.
Fernanda Sanches, mãe de Natália, nove anos, conta que a pequena “é portadora de diabetes tipo 1 e desde que descobriu a doença ela mantém uma rotina diária de atividades na academia”. Natação, ballet e até aulas de circo fazem parte da agenda da menina. “Com os esportes, a alimentação apropriada e o uso regular da insulina conseguimos manter o diabetes dela sob controle”, diz Fernanda.
| O diabetes atinge mais de 7% da população brasileira, ou seja, cerca de 12 milhões de pessoas |
Informação também faz parte do tratamento
Hoje em dia, sabemos que é possível prevenir ou mesmo retardar o surgimento e a evolução das complicações secundárias à doença, que podem afetar os olhos, os rins, os nervos e até O coração. Além das taxas de glicemia, é importante controlar também a pressão arterial e o colesterol sanguíneo.
Para tanto, existem exames obrigatórios para o rastreamento das complicações. “Saber quais exames fazer e quando faz parte do tratamento”, afirma o doutor André.
| Estudos comprovam que o bom controle do diabetes, com uma atividade física regular, uma dieta balanceada e o uso correto de medicações, permite a manutenção de uma vida saudável, livre das complicações secundárias à doença |
Foi pensando nessa necessidade que o Fleury criou o Núcleo Integrado de Diabetes, coordenado pelo Dr. André. Além de disponibilizar novos exames, como o holter de glicose (vide box na página 15) e alguns testes genéticos (capazes de diagnosticar tipos mais raros de diabetes), um dos objetivos do Núcleo é disseminar informações sobre a doença. Isso tem sido feito por meio de palestras e de informações adicionais nos resultados dos exames, seguindo as sugestões mais atuais das várias sociedades científicas de diabetes. “O acompanhamento dos pacientes com diabetes tornou-se mais complexo nos últimos anos, após a divulgação dos estudos de prevenção das complicações da doença, sendo preconizada uma rotina laboratorial que nem sempre é conhecida”, comenta o médico. Segundo recomendação da Sociedade Brasileira de Diabetes, por exemplo, o exame de hemoglobina glicada deve ser realizado de duas a quatro vezes ao ano em todos os pacientes com diabetes, pois resume o controle da glicemia nos últimos dois a três meses. Um outro exemplo, em relação ao rastreamento de complicações, é a sugestão de um exame anual de microalbuminúria para detecção de problemas nos rins. Assim, os laudos do Fleury para esses e outros exames apresentam dados de interpretação e a periodicidade proposta pela Sociedade.
O Núcleo dispõe ainda de um site (www.fleury.com.br/diabetes) onde podem ser encontrados os mais variados temas relacionados ao diabetes: o que é, quais os sintomas, as complicações crônicas, os exames preconizados, artigos médicos e outras matérias periódicas. Uma equipe de especialistas do Fleury também está disponível para consultas pelo e-mail diabetes@fleury.com.br ou por telefone, tanto para a classe médica, quanto para pacientes e a comunidade em geral.
“Queremos que o laboratório seja um parceiro no acompanhamento dos pacientes com diabetes”, ressalta o doutor André.
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Detectando, monitorando e rastreando as complicações do diabetes
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| o holter de glicose possibilita avaliar os níveis glicêmicos do paciente ao longo de um período, sem impossibilitar a pessoa de realizar suas atividades rotineiras |
O exame de glicemia é o indicado para diagnosticar o diabetes. Para indivíduos com fatores de risco para diabetes tipo 2 (histórico familiar, idade acima de 45 anos, pressão alta, obesidade, sedentarismo ou colesterol alterado), a dosagem de glicemia em jejum deve ser realizada esporadicamente. “Recentemente, a Sociedade Americana de Diabetes sugeriu novos valores para a glicemia de jejum”, explica o Dr. André F. Reis, “considerando normais valores de até 99 mg/dL. Valores entre 100 e 125 mg/dL caracterizam uma situação de pré-diabetes, devendo receber uma atenção especial, pois estudos recentes demonstraram que, em geral, pode-se evitar ou retardar a evolução para o diabetes tipo 2”, comenta. Para o monitoramento do diabetes, além do acompanhamento das taxas de glicemia, hemoglobina glicada e frutosamina, o Fleury disponibilizou recentemente o exame de holter de glicose, útil nos casos de ajustes medicamentosos e que também pode ser utilizado no diagnóstico de hipoglicemias.
Para o professor livre-docente da USP, Antônio Carlos Lerário, “esse exame é importante porque fornece informações sobre o controle da glicemia, que pode ser alterada conforme a rotina”.
“É um teste bastante simples e de fácil execução”, comenta a endocrinologista Cláudia Helena de Oliveira, mestre e doutora em diabetes pela Escola Paulista de Medicina, com especialização na Universidade de São Francisco (Califórnia/EUA) e coordenadora do centro de provas funcionais do Fleury. “Com a colocação de um pequeno sensor flexível no tecido subcutâneo da região abdominal do paciente e um processador das informações posicionado à cintura, temos todas as oscilações dos níveis de glicemia ao longo de um período que pode variar de 24 a 72 horas”, explica a médica. No Fleury, o resultado é acompanhado de um laudo elaborado pelos especialistas em diabetes, e que tem se mostrado bastante útil para o acompanhamento de vários pacientes”, comenta o Dr. André. |