Exame avalia o intestino delgado por meio de uma cápsula que, embora pareça um medicamento, é uma microcâmera
Imagine ter algum órgão de seu corpo fotografado por uma câmera que você pode engolir como um comprimido. Parece filme de ficção científica, mas a hipótese já é real. Falamos da cápsula endoscópica, um exame que avalia o intestino delgado com uma riqueza de detalhes que nenhum outro procedimento consegue e, o que é melhor, sem riscos, sem dor e sem desconforto.
Na prática, o indivíduo ingere a microcâmera, que possui o formato de uma cápsula, e ela segue o percurso natural de qualquer alimento, conforme explica dr. Dalton Marques Chaves, médico do setor de Endoscopia do Fleury e da área de Endoscopia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. A câmera tira fotos de todas as regiões por que passa, cerca de duas por segundo, e as transmite para um gravador que fica preso à cintura do cliente. Mas a região mais bem documentada é o intestino delgado, segmento do trato digestivo, situado entre o estômago e o intestino grosso, de difícil avaliação pelos métodos de imagem até então existentes.
Quem passa por essa avaliação não sente nada e pode realizar as atividades cotidianas normalmente. “Para não atrapalhar o trabalho da cápsula, a pessoa só não deve corpobeber ou comer nada colorido, como gelatina e beterraba, nem com fibra, como vegetais, na véspera do exame, além de não ingerir alimentos sólidos nas primeiras quatro horas do procedimento”, recomenda o dr. Chaves.
Depois de oito horas, a bateria da microcâmera acaba, cessando o registro. O dispositivo, então, atravessa o intestino grosso e, dentro do ritmo de cada um, vai ser naturalmente expelido pelas fezes. O cliente precisa retornar ao laboratório apenas para devolver o gravador, que conterá as imagens registradas.
Fase final
A cápsula endoscópica tem aplicações bem específicas, mostrando-se útil no esclarecimento de anemias de origem obscura, de sangramentos intestinais de causa desconhecida e de diarréias crônicas, entre outras situações. “É um exame para a fase final da investigação”, frisa o dr. Chaves. Ou seja, o médico recorrerá a ele depois de pedir os métodos convencionais.
Mesmo com indicações delimitadas, a novidade abre uma perspectiva interessante para as próximas gerações, no sentido de tornar os tradicionais exames do aparelho gastrointestinal menos invasivos. Segundo o dr. Chaves, já existe quem fale na aplicação da robótica para monitorar essa cápsula e, assim, conseguir dela outras funções, como a mobilização dirigida e, possivelmente, estender seu uso a outros segmentos do trato digestivo.