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Vacina contra HPV 
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Publicado em: 12/06/2007   
Autor: Solange Arruda

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Uma nova aliada

Vacina contra o HPV é importante instrumento na prevenção do câncer de colo uterino

Ao longo da história da humanidade, dezenas de doenças transmissíveis foram controladas ou sumiram do mapa graças à possibilidade de estimular as defesas naturais contra determinados agentes infecciosos, o que é conseguido com as vacinas. A mais recente novidade nessa área foi o lançamento da vacina contra o papilomavírus humano (HPV), um patógeno sexualmente transmissível que está relacionado com mais de 95% das ocorrências de câncer de colo de útero. No Brasil, ainda são registrados mais de 19,2 mil casos dessa doença a cada ano.

Luisa Lima Villa
Luisa Lima Villa, diretora do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer

O produto, que está chegando ao País, é uma imunização quadrivalente que protege a mulher de quatro subtipos do HPV (6, 11, 16 e 18), sendo os dois primeiros associados a 90% das verrugas genitais e os últimos responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo uterino. Em breve, também deverá chegar em solo nacional outra vacina, com cobertura para os tipos 16 e 18 (Vacina Bivalente contra o HPV ou Cervarix, no exterior). "As duas, porém, conferem imunidade de praticamente 100% contra a evolução maligna das lesões causadas por esses subtipos de HPV relacionados com o câncer feminino", sustenta o infectologista responsável pelo Serviço de Vacinação do Fleury, Jessé Reis Alves, acrescentando que quem mais se beneficia dessa proteção é a mulher que nunca se expôs ao vírus.

A probabilidade de ter tido contato com o HPV é grande para quem já iniciou sua vida sexual. Estima-se que 50% das pessoas sexualmente ativas vão adquirir o vírus em algum momento, embora apenas uma pequena parte desse grupo, formada, sobretudo, por mulheres, irá desenvolver lesões precursoras de câncer. "A anatomia dos genitais masculino e feminino, entre outros fatores, pode explicar essa agressividade diferente: na mulher, o órgão de choque, o colo uterino, é interno e a mucosa é mais delicada, ficando em meio úmido e sob a ação cíclica dos hormônios femininos, o que a torna mais propensa à atividade viral", explica o assessor médico da Urologia do Fleury e do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o urologista Homero Guidi.

Homero Guidi
Homero Guidi, assessor médico da Urologia do Fleury

O foco da novidade, portanto, está na população feminina que ainda não tem atividade sexual. Na prática, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a imunização de meninas e jovens mulheres de 9 a 26 anos, faixa etária na qual os estudos demonstraram a eficácia do produto. "Mas há dados preliminares que indicam que a vacina é eficaz também em pessoas previamente expostas a algum tipo de HPV, que, assim, ficariam protegidas contra os demais tipos", informa a diretora do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, Luisa Lina Villa, que coordenou o trabalho de alguns centros de pesquisa brasileiros em duas fases dos ensaios clínicos da vacina da Merck. Por outro lado, pondera Luisa, a imunização não possui efeito terapêutico.

Sem preconceito

Jessé Reis Alves
Jessé Reis Alves, responsável pelo Serviço de Vacinação do Fleury

Para quem torce o nariz ao fato de vacinar uma garota de 10 ou 12 anos contra uma doença sexualmente transmissível (DST), Jessé Alves faz um lembrete oportuno: "A hepatite B é basicamente uma DST e ninguém questiona a vacinação de recém nascidos, que inclusive está no calendário oficial". A preocupação - se existir - deve estar mesmo na abordagem do assunto com as jovens que não podem achar que a imunização dispensa o uso de preservativo, o rigor na escolha dos parceiros e o acompanhamento ginecológico anual. "A vacina é um avanço aguardado há anos, mas seria um grave engano descuidar das outras medidas de proteção contra as DSTs", sustenta Guidi. Afinal, é a associação dos cuidados, que agora contam com esse importante reforço, reduzindo a quase zero o risco de apresentar graves complicações da infecção pelo HPV.

Esse tal de HPV

Da família Papilomaviridae, os papilomavírus humanos abrangem mais de 200 subtipos. Boa parte produz apenas verrugas pelo corpo, mas cerca de 20 a 30 tipos se alojam na área genital. Dois deles, o HPV-16 e o HPV-18, estão mais implicados com o câncer de colo uterino. A forma mais comum de transmissão é o contato sexual. Mas também costuma ser encontrado vivo e viável em roupas íntimas, sabonetes, objetos, instrumentos médicos e até nas mãos, o que explica a possibilidade de contrair mesmo em relações sexuais com preservativo. O vírus causa coceira e irritação, na fase inicial, até verrugas genitais, que podem sangrar. Tudo perfeitamente tratável, convém acrescentar. Contudo, nem sempre a infecção traz sintomas. Daí a importância do acompanhamento ginecológico periódico.


Ficha técnica da vacina anti-HPV

Nome: Gardasil
Fabricante: Merck Sharp & Dohme
Público-alvo: população feminina de 9 a 26 anos, antes do início da vida sexual
Doses: três (0, 2 e 6 meses)
Eficiência: 100% de proteção contra verrugas e lesões pré-cancerosas causadas pelos subtipos 6, 11, 16 e 18 do HPV
Efeito colateral: dor de pequena intensidade e calor no local da aplicação
Reforço: inicialmente, a cada cinco anos

 

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