Fale com o Fleury
Artigos
Calculadoras
Cursos e Eventos
Dicionário da Saúde
Mitos e Verdades
Podcast
Quiz
Revista Saúde em Dia
Espaço Saúde em Dia
Encontre informações sobre saúde e bem-estar.
    \\ Espaço Saúde em Dia \\ Revista Fleury Saúde em Dia
Entrevista: Amyr Klink 
Alterar o tamanho da letra:
 
Publicado em: 26/06/2007  Atualizado em: 01/06/2007

Imprimir | Recomende esta página

O navegador Amyr Klink prepara mais uma expedição à Antártica – dessa vez ao lado do fotógrafo Sebastião Salgado. Em entrevista, ele conta como faz para se manter saudável e se alimentar bem por longos períodos em alto-mar

Temperaturas negativas, neblina, icebergs, ondas de 20 metros de altura e ventos de mais de 150 quilômetros por hora. Os barcos do navegador brasileiro Amyr Klink são construídos para viajar sob condições extremas. Mas como será que ele prepara o corpo para enfrentar cada nova expedição?

Em entrevista à Fleury Saúde em Dia, o comandante, que já foi mais de 20 vezes à Antártica, conta como é essa preparação e o dia-a-dia em alto-mar. No final de outubro, ele voltará ao continente gelado. Dessa vez, acompanhado pelo fotógrafo Sebastião Salgado.

Fleury Saúde em Dia: Como você se prepara para encarar cada nova expedição?
Amyr Klink:
Gosto de navegar em lugares completamente isolados, o que exige muita preparação. Antes de uma viagem longa sempre faço um check-up completo e também exijo isso de toda a minha tripulação. Além disso, todas as vezes que viajei com tripulação sempre teve um médico a bordo. Também me preocupo com equipamentos para um atendimento em alto-mar. Já viajei em muitos navios de luxo que não têm os recursos que eu tenho no meu veleiro. Nós contamos com um kit odontológico, farmácia e pronto-socorro portáteis. Eu mesmo aprendi alguns procedimentos com um dentista amigo meu, antes da invernagem solitária que fiz em 1991. No retorno das viagens costumo refazer os exames para poder comparar as alterações. Fora alguns arranhões, normalmente a condição física é melhor na volta do que antes da viagem.

Fleury: Você pode contar alguma situação em que o equipamento foi fundamental para um pronto-atendimento?
Klink:
Durante a minha invernagem na Antártica, em 1991, presenciei um acidente com um sujeito de outro barco que atravessou uma gaiuta de vidro (proteção que é colocada sobre uma escotilha, impedindo a passagem d’água) e se feriu profundamente. Graças ao equipamento médico do meu barco, Paratii, conseguimos prestar o atendimento na hora. Também já realizei atendimentos em lugares remotos como a Geórgia do Sul (ilha no Atlântico Sul). O ambulatório sempre é útil, já que os navios de turismo normalmente não têm médicos a bordo. No frio intenso, as pessoas costumam ingerir mais açúcar e gordura do que o normal. E isso resulta em problemas odontológicos. Um amigo nosso passou um mês em alto-mar e precisou arrancar um dente com um facão.

Fleury: No livro Paratii – Entre Dois Pólos, você conta que o programa de alimentação foi um projeto mais complexo do que a própria construção do barco. Existe um programa alimentar para cada viagem?
Klink:
Na época em que fiz minha primeira viagem era difícil falar em programa de alimentação para dois ou três anos. A maior parte dos produtos teve que ser desenvolvida. Já usei alimentação de diversos tipos, de alta tecnologia, alimentação sintetizada, mas hoje eu procuro resgatar as técnicas antigas de conservação e preparo dos alimentos.

Fleury: Como assim?
Klink:
Falo da cultura culinária que a gente perdeu por causa do surgimento da geladeira. Existem muitas técnicas eficientes como salga, desidratação, secagem, conservação em açúcar. Hoje, nas expedições, fazemos de 10 a 12 tipos de pães, massas e até pratos franceses. Gosto muito da culinária oriental, principalmente das sopas, que ajudam a hidratar, pratos a base de peixes e também dos frutos desidratados. É possível levar cebola, alho e até melões. Numa viagem de seis meses, levamos melões que eram mantidos na proa e duraram até a volta. Apesar das baixas temperaturas, também cultivamos verduras e temperos a bordo. Na última volta ao mundo tínhamos uma horta no barco. Além de consumir produtos frescos, tínhamos o prazer de acompanhar o crescimento das plantas e de ter verde a bordo.

Fleury: Qual a importância de uma boa alimentação durante as viagens?
Klink:
Quando se está navegando não dá para dormir mais que 45, no máximo 50 minutos. É preciso estar sempre em estado de alerta. A comida acaba compensando esse ritmo de pouco sono e muito trabalho. Quando estamos navegando costumamos fazer seis, sete, até oito refeições.

Fleury: Algum cuidado especial para proteger a pele durante as expedições?
Klink:
A insolação virou um problema sério. Nunca usei protetor solar. Mas de sete anos para cá ficou impossível fazer isso. Por causa de todas as alterações climáticas, a gente está correndo risco de desenvolver problemas de pele. Outro sinal de mudança observado está relacionado às velas com proteção UV que usamos nos veleiros. Elas duravam em média três ou quatro anos. Agora precisam ser trocadas a cada três meses.

Fleury: Como você escolhe seus tripulantes para viajar?
Klink:
O que conta mais é o envolvimento da pessoa com o projeto. Não adianta levar o melhor médico ou o melhor engenheiro do mundo a bordo se ele não tiver índole cooperativa, não for apaixonado pelo que faz.

Fleury: Quando e para onde será a próxima expedição?
Klink:
A temporada para o sul começa no final de outubro. Dessa vez planejamos ir à Antártica com o fotógrafo Sebastião Salgado. A viagem segue até março de 2008. Também pretendo fazer uma nova viagem com a minha família.

Fleury: Como foi viajar com sua família?
Klink:
A primeira viagem para a Antártica com as meninas foi no meu barco Paratii2, em janeiro de 2006, e durou um mês. Além das minhas filhas [Tâmara, Laura e Marina Helena], levamos mais um menino e uma menina, filhos de amigos nossos. Eu estava preocupado. Eram cinco crianças com idades entre 8 e 9 anos e nenhuma delas tinha passado por algo parecido. Mas é incrível como as crianças têm capacidade de se adaptar. Quando o tempo estava bom, elas ajudavam nas tarefas do barco. Quando estava ruim, ficavam no interior do barco, brincando, desenhando. Na Antártica, elas também tiveram a experiência do dia pleno. Como não anoitecia, elas não queriam dormir nunca!

Fleury: E do que elas mais gostaram na viagem?
Klink:
A desculpa que eu usei para levá-las à Antártica foi a de que eu havia escondido um tesouro lá. Elas estavam muito excitadas com a idéia do caçatesouro. Quando encontraram, nem gostaram tanto dele. Mas o mais legal é que elas fizeram o próprio tesouro, esconderam e me fizeram jurar não revelar a localização para ninguém! Em dezembro, pretendo levá-las pela terceira vez. Um dos meus projetos para o futuro é levar grupos de crianças para pesquisar e fotografar a Antártica.

 

Trabalhe conosco Mapa do Site © 2011 Fleury - Todos os Direitos Reservados | Política de Privacidade Nós seguimos o código de ética para sites de saúde HONcode.
Verifique aqui.
Nós seguimos o código de ética para sites de saúde HONcode.