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Gravidez sem estresse 
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Publicado em: 26/06/2007   

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Um bebê muda a vida da mãe antes mesmo de nascer. Aceitar essas mudanças e não tentar bancar a mulher maravilha é fundamental para guardar só boas lembranças dessa fase tão especial

Trabalho, família, ginástica, trânsito, contas para pagar, agenda social. Quem vive hoje em qualquer cidade grande tem de se equilibrar entre todas essas atividades. Acrescente-se à equação a
chegada de um filho e tudo ganha uma dimensão ainda maior. Se, até a década de 50, a mulher grávida parava tudo para viver em função do bebê que estava a caminho, atualmente as futuras mães precisam se dividir entre a gravidez e dezenas de outros afazeres. Resultado: muitas seguem um ritmo insano justamente no momento em que precisariam tirar o pé do acelerador – e, por vezes, ultrapassam o limite de velocidade. Essa combinação da correria cotidiana com a gestação está levando ao surgimento de um novo fenômeno, cada vez mais freqüente: o estresse na gravidez.

“Cerca de 20% das grávidas têm algum sintoma relacionado a situações de estresse físico ou mental”, diz o obstetra e médico fetal David Pares, líder do setor de Medicina Fetal do Fleury Medicina e Saúde. Pares explica que as grávidas querem equilibrar a gestação com uma série de outros desejos – boa forma física, bom desempenho no trabalho, vida social intensa – que muitas vezes são incompatíveis com seu novo estado de futura mamãe.“A grávida deixou de ser vista como uma criatura frágil e passou a ser encarada como uma pessoa igual a qualquer outra. Mas as coisas não são bem assim”, alerta o médico. “A formação do feto sobrecarrega o coração e os altos índices de progesterona [hormônio feminino produzido desde a puberdade e essencial à manutenção da gravidez]
afetam a parte psicológica.”

Pares enumera alguns problemas que podem surgir caso a futura mãe exagere e não saiba controlar a tensão. “Entre as 33ª e 34ª semanas de gestação pode haver uma queda no líquido amniótico, o que significa uma alteração na circulação uterina e da placenta”, diz o obstetra. “Isso pode prejudicar o crescimento do feto.” Além disso, Pares diz que o estresse pode levar a um parto prematuro. A boa notícia: existem várias formas de evitar o estresse durante a gravidez (leia quadro). Além dos exames pré-natais, são recomendadas atividades físicas como alongamento ou ioga e até atividades manuais, que ajudam a espairecer e estimulam a concentração.

Mas é preciso que haja também a compreensão por parte de quem rodeia a gestante. O marido deve ter paciência e precisa saber que a mulher não está fazendo manha. Ainda mais fundamental é a mudança de mentalidade do chefe e dos colegas de trabalho. “A grávida ainda é vista com preconceito, e isso abala a segurança da mulher”, diz Pares.

Ocorre que, das mulheres de antigamente, esperava-se apenas que fossem boas mães. “Mas as grávidas de hoje vivem uma situação que pode ser difícil de encarar”, diz a psicóloga Tania Granato, coordenadora do grupo Ser e Criar, da USP (Universidade de São Paulo). “Existe uma pressão, tanto da própria mulher quanto da sociedade, para que elas sejam mães perfeitas sem deixar de ser profissionais competentes – e que ainda por cima continuem com o corpo bonito. São novos fatores de estresse.” Segundo Tania, a preocupação com a saúde do feto, a dor do parto, a depressão pós-parto, a perda de liberdade que virá com a nova rotina de mãe, o atraso na vida profissional e o fantasma da responsabilidade de criar um filho são medos comuns. Mas uma dica simples ajuda a eliminá-los todos de uma vez: não exija demais de si mesma.

Nesse sentido, um recurso ainda pouco conhecido, mas importante, é o pré-natal psicológico. Pode ser um alento, principalmente para as mães de primeira viagem. Muitas sentem necessidade de um acompanhamento terapêutico que as ajude a lidar com o medo e a insegurança naturais da gravidez. As consultas podem ser feitas com psicólogos particulares e, em São Paulo, um grupo de profissionais da USP oferece esse serviço gratuitamente.

Tania encerra com uma constatação que muitas vezes é esquecida na correria do dia-a-dia e na preocupação com os preparativos: cada mãe faz o melhor que pode, não existe mãe perfeita. Aceitar as próprias falhas é o primeiro passo para relaxar, deixar o estresse de lado e curtir com alegria a chegada do bebê.

A ciência a serviço dos pais
Como o aconselhamento genético pré-natal ajuda a planejar melhor a gravidez

A tecnologia também é uma grande aliada dos casais que planejam ter uma gravidez tranqüila. Atualmente, já é possível, a partir de técnicas avançadas de estudo de DNA, saber quais as probabilidades de um casal ter filhos com determinadas doenças de origem genética. Tudo começa com uma consulta, na qual um médico especialista conversa com os interessados e traça um histórico completo do casal e das doenças existentes na família. “Esse não é um serviço indicado para qualquer casal”, explica Sofia Sugayama, pediatra, especialista em genética clínica e assessora médica do setor de genética Molecular do Fleury.

“O aconselhamento genético é indicado para casais que ainda estejam planejando ter filhos, não para mulheres já grávidas.” Além disso, algumas condições que favorecem o surgimento de doenças genéticas podem fazer do casal um candidato ao serviço: mulheres com mais de 35 anos, casais com histórico de perdas gestacionais repetidas, casais consangüíneos (parentes de 1º ou 2º grau) e casais com histórico de anomalias congênitas, atraso de desenvolvimento e deficiência mental na família.

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Para saber mais:
Ser e Criar, atendimento psicológico na gestação e no pós-parto,
Instituto de Psicologia da USP: (11) 5096-4159 ou serecriar@uol.com.br

 

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