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Brincar, um esporte para toda a família 
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Publicado em: 14/08/2008   

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Atividade física é importante em qualquer idade. E crianças também podem praticá-la, inclusive com ajuda dos pais. Além de estimular uma vida saudável, ela estreita os laços familiares

Em vez da amarelinha riscada a giz na calçada, o sofá diante do videogame. As horas que eram passadas jogando futebol no quintal são ocupadas no computador que fica dentro do quarto. O caminho para a escola é feito no carro. E as corridas para empinar pipa só aparecem em fotografias antigas. Até os tênis podem ser vendidos com rodinhas para deslizar. Nessa rotina, crianças que em outros tempos cresciam fazendo exercícios enquanto brincavam ao ar livre agora estão mais sedentárias. Para ter uma noção, há 50 anos, as crianças gastavam 600 calorias a mais do que as de hoje, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Crianças que praticam esportes tendem a se tornar adultos mais saudáveis, com ossos mais fortes, sistema respiratório mais desenvolvido e menos riscos de desenvolver obesidade. Estudo feito em vários países, publicado na revista científica The Lancet, em julho de 2006, mostrou que crianças que praticavam atividades físicas tinham menos riscos cardíacos. “Hoje, crianças e adolescentes não têm o gasto calórico necessário com brincadeiras como as de antigamente tinham. Brincar de pega-pega, jogar bola, correr, seja pela falta de espaço nos apartamentos ou de segurança nas ruas, não acontece mais”, afirma Antonio Sérgio Tebexreni, cardiologista especializado em medicina esportiva da Unifesp e do Fleury Medicina e Saúde.

 


Diante da falta de segurança fora de casa e de tempo, os pais se questionam: dá para mudar essa realidade? A resposta dos especialistas é sim. Mesmo nas grandes cidades, é possível resgatar os momentos lúdicos que as atividades físicas permitem, unindo bons momentos em família com brincadeiras leves, divertidas e, acima de tudo, saudáveis. Pedalar no parque no fim de semana, jogar bola no clube, nadar na piscina do prédio, dançar na sala, fazer uma trilha nas férias, pular corda e até mesmo dar uma caminhada até a padaria ou a casa de um amiguinho são atividades físicas que exigem uma pequena mudança no cotidiano – e que envolvem toda a família.

 


Crianças de todas as idades e adolescentes devem fazer atividade física. A OMS recomenda 60 minutos de atividades diárias, cinco vezes por semana. E isso é muito mais do que as duas aulas semanais de educação física incluídas no currículo da maioria das escolas. Para começar, não é preciso impor uma única atividade, mas escolher várias, alternando-as de acordo com a disponibilidade e as ocasiões. “Pais e mães devem dar o exemplo. Para isso, eles precisam incluir a atividade física no cotidiano, privilegiando o aspecto lúdico e a participação de toda a família”, diz Tebexreni. Até os 6 anos de idade, as brincadeiras são a melhor atividade física. Depois, os pequenos já estão aptos a aprender regras, e esportes coletivos são benéficos tanto para a saúde quanto para a socialização. Vale vôlei, futebol, basquetebol, etc. “Qualquer criança saudável pode participar dessas atividades, sem necessidade de exames prévios. Caso a criança tenha algum problema de saúde, o próprio pediatra já observa isso nas consultas regulares”, explica Tebexreni

.CRIANÇA SAUDÁVEL, ADULTO SAUDÁVEL
Segundo o médico Renato Romani, especialista em medicina do esporte da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), atividades esportivas em grupo contribuem para desenvolver a sociabilidade, o respeito às regras e as diferenças entre vitória e derrota – um aprendizado que não deixa de ser preparo também para os desafios da vida social. No futebol, por exemplo, cada jogador exerce uma determinada função. O atacante deve tentar fazer os gols. O goleiro, evitar que a bola entre na rede. O meio de campo, fazer a ponte entre a defesa e o ataque. “A criança vai testando suas habilidades em cada uma dessas posições, tendo de se adaptar e assumindo uma responsabilidade diante do time”, esclarece Romani. Ela deve respeitar algumas regras próprias do esporte para conseguir ir adiante no jogo. Não pode agredir o colega, não pode pegar a bola com as mãos. Caso o faça, pode ser punida ou até expulsa do jogo. Os limites ficam muito claros, bem como a necessidade de obediência a eles. “Nem todos ganham, e a criança aprende que um dia ganha e no outro perde”, diz o médico.

 


No entanto, pais não devem obrigar os filhos a fazer uma atividade de que eles não gostem. Eles podem experimentar atividades mais solitárias, como natação, ou coletivas, como esportes de quadra, e perceber, por eles mesmos, com quais se dão melhor. Outro alerta dos especialistas é: nunca comparar uma criança com a outra, principalmente no caso de irmãos. Lembre-se: cada um tem um tipo de aptidão e ritmo de desenvolvimento, e a atividade física deve sempre estar associada ao prazer. Seja como for, o importante é começar, e de preferência em família. Como diz a especialista no combate à obesidade na infância e adolescência, Vera Perino Barbosa, presidente do Instituto Movere – uma organização não-governamental dedicada ao tema –, a primeira e melhor atividade física que uma criança pode fazer é desligar a televisão e sair da frente do computador.

De 0 a 3 anos:
Deixe objetos coloridos a uma certa distância, para que ela tente pegá-los. Pais podem estimular as crianças desde bebês, movimentando os braços, as pernas. Isso pode ser feito enquanto a criança engatinha ou mesmo quando está deitada. Se ela já anda, brinque com objetos, como uma bola, por exemplo, que você pode jogar e estimulá-la a buscar.

De 4 a 5 anos:
Nessa fase, a criança deve fazer uma hora de atividade física por dia. Uma volta no parque ou brincar na praça são boas opções. Nessa idade, devem-se explorar os movimentos, correndo, saltando, rolando no chão.

De 6 a 12 anos:
Se você não conseguir passar muito tempo com seu filho, divida as atividades ao longo do dia, em períodos de 15 a 30 minutos. Nessa fase, a criança deve fazer uma hora ou mais de atividade física por dia. Nessa idade, ela já entende regras de esportes de quadra, como vôlei ou futebol.

De 13 a 18 anos:
Para adolescentes, indica-se uma hora ou mais de atividade física por dia, de intensidade moderada a intensa.
Podem-se incluir exercício aeróbico, força muscular e flexibilidade. Exercícios como musculação podem ser feitos a partir dos 13 anos, mas acompanhados por um profissional.

 

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