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São incontáveis os ganhos em saúde e qualidade de vida que as atividades físicas trazem para uma pessoa. Mas isso não significa que basta sair por aí praticando qualquer esporte para se tornar alguém saudável. Nem que fazer exercícios demais vai garantir saúde plena e prolongada. Muito pelo contrário. Correr, pular, andar, jogar vôlei, futebol... esses e outros esportes são excelentes, mas desde que praticados de forma correta. Métodos errados de treinamento, excessos e uso de equipamentos inadequados são a principal causa de lesões nos músculos, nos tendões e nas articulações, afirmam os especialistas. Infelizmente, não são poucas as pessoas que procuram os consultórios médicos com problemas nos joelhos, cotovelos, ombros ou tornozelos – praticamente todas com um histórico de excessos ou de falta de orientação.

Segundo o ortopedista Benno Ejnisman, médico assistente do Centro de Traumatologia do Esporte da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), as lesões de tendões e cartilagens são provocadas pelo uso repetitivo, que causa um desgaste crônico. Já os ligamentos sofrem mais com as lesões traumáticas. É por isso que as pessoas que resolvem fazer uma atividade física precisam passar por uma avaliação médica. “O exercício vai depender do peso, da idade e das condições de saúde do indivíduo. Ele não pode usar o programa do vizinho ou do colega porque para o outro teve um bom resultado”, alerta. Assim que estiver liberada para iniciar uma atividade, a pessoa deve procurar outro profissional, que vai lhe orientar sobre a forma correta de praticar o esporte escolhido e os equipamentos adequados para tal. “O saque e a braçada corretos fazem toda a diferença”, explica o ortopedista. “Além disso, o uso incorreto de quipamentos também pode causar lesões. O indivíduo fica muito mais exposta se caminha ou corre com o tênis errado ou em solo inadequado, ou, ainda, se utiliza uma raquete de tênis que não é a indicada pelo professor”, completa.
Pesquisa realizada pela Unifesp com nadadores mostrou que 63% dos atletas tiveram algum tipo de dor crônica que levou ao abandono da atividade. De acordo com ele, em muitos casos, as pessoas não se recuperam adequadamente após um período de treinamento ou não interrompem os exercícios depois dos primeiros sinais de dor. Lesões crônicas podem ser evitadas estabelecendo um intervalo de, no mínimo, dois dias entre sessões de treinamento intenso, ou alternando o esforço entre as diferentes partes do corpo. Outros dois pontos fundamentais para evitar danos são alongamento e aquecimento. “Eles preparam o aparelho locomotor para receber o impacto durante a atividade física. Isso contribui para minimizar o risco de lesão nas articulações”, diz Abdalla Skaf, radiologista e líder do Setor de Imagem Musculoesquelética do Fleury.
Simples e eficaz Nos casos de lesões que requerem cirurgia, já existem procedimentos rápidos e pouco invasivos
Quando ocorrem lesões de tendões, cartilagens e ligamentos, há a possibilidade de realizar uma cirurgia menos invasiva, por meio da artroscopia. O procedimento também é recomendado para tratar algumas doenças articulares, como sinovites e bursites, e pequenas fraturas. O aparelho utilizado, o artroscópio, nada mais é do que uma pequena cânula com uma microcâmera na ponta que permite a transmissão de imagens e fotos via fibra ótica. Graças aos modernos equipamentos usados, é possível uma melhor visualização das estruturas e um exame mais dinâmico e detalhado da lesão. “A artroscopia tem o conceito de cirurgia minimamente invasiva. É um procedimento menos doloroso e que possibilita uma fisioterapia mais precoce e um retorno mais rápido às atividades esportivas e profissionais”, explica Benno Ejnisman. |