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Engana-se quem pensa que os raios ultravioletas são apenas os vilões do câncer de pele. Eles tam bém são grandes aliados, e a sua falta pode prejudicar nosso organismo
Na hora de se expor ao sol, não se esqueça do filtro solar e evite os horários de sol a pino. Certo? Sim. A preocupação com o envelhecimento precoce da pele e, principalmente, com o câncer de pele é saudável e não pode ser esquecida – mas não deve deixar de lado a outra ponta do problema: tomar sol de menos pode ser tão prejudicial à saúde quanto se expor sem proteção alguma. Acontece que os raios ultravioleta que atingem a pele são peça central na “linha de montagem” da produção da vitamina D, hormônio essencial ao organismo, que só é produzido com a exposição direta da pele ao sol. A vitamina D estimula a absorção de cálcio e fósforo pelo intestino, e essas duas substâncias são matéria-prima para a mineralização dos ossos – ou seja, para que fiquem firmes e resistentes. Sem sol, não produzimos vitamina D; sem vitamina D, a absorção de cálcio e fósforo é prejudicada; sem cálcio e fósforo, os ossos ficam fracos.

Estudo publicado em julho no New England Journal of Medicine mostrou que 1 bilhão de pessoas no mundo tem níveis inadequados de vitamina D no organismo. No Brasil, pesquisa da Universidade Federal de São Paulo comprovou que os brasileiros ingerem 25% a menos de vitamina D que o recomendado. Embora a dieta não seja sua principal fonte de produção, a baixa ingestão, aliada à pouca exposição solar, pode levar a uma hipovitaminose D. Essa deficiência pode causar doenças como a osteomalacia, na qual os ossos ficam moles; a osteopenia, que é o estágio inicial da perda de massa óssea; e, nos casos mais graves, a temida osteoporose, caracterizada pela falta de cálcio, que deixa os ossos porosos.
Cynthia Brandão, assessora médica da Densitometria Óssea do Fleury Medicina e Saúde, explica que o fenômeno da hipovitaminose D vem se intensificando. “Nas últimas décadas, aumentou a tendência a andar apenas de carro e ficar sempre em casa ou no escritório, e as pessoas tomam cada vez menos sol. Não é preciso se bronzear para produzir vitamina D. É suficiente andar na rua com os braços à mostra ou fazer caminhadas durante 15 a 30 minutos, duas a três vezes por semana.”
Crianças precisam de sol A falta de sol durante a infância pode levar ao raquitismo. Nesse caso, os ossos, ainda na fase de formação, ficam enfraquecidos e acabam crescendo tortos. “É fundamental que bebês e crianças tomem um pouco de sol todos os dias”, diz a endocrinologista Marise Lazaretti Castro, chefe do Ambulatório de Doenças Osteometabólicas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). |