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É possível conviver bem com as alergias respiratórias. Pequenos cuidados podem mudar a vida de um alérgico, seja criança, adulto ou idoso.
Atchiiiiim! Atchiiiim!” E nada de alguém responder “saúde”. Se você é alérgico, já passou por isso. Acostumados, os colegas já nem ligam para os espirros e as tosses que o incomodam. Saiba que você não está sozinho. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 30% da população mundial sofre com algum tipo de alergia respiratória. Esse contingente de alérgicos motiva a Ciência a buscar uma cura para o problema. “Nas consultas, digo aos pacientes que a alergia precisa de cuidados diários”, conta o otorrinolaringologista Mário Munhoz, assessor médico do Fleury.

A boa notícia é que uma combinação de prevenção e medicamentos adequados pode controlar a alergia. O primeiro passo em busca de uma vida melhor é fazer uma consulta médica. Por meio de exames clínicos e um questionário, o médico verificará se o paciente tem mesmo algum problema alérgico e tentará identificar qual o agente causador das crises, o que nem sempre é fácil e pode mudar ao longo da vida. Uma pessoa pode ser alérgica à poeira e depois começar a ter os mesmos sintomas quando submetida ao pólen. Uma vez identificado o agente causador, a recomendação mais importante é evitar contato com ele: se for poeira, manter a casa, o quarto, a roupa de cama sempre limpos.
Outro passo é a escolha da medicação correta, tanto para o momento da crise quanto no período entre elas. E o que é alergia? É uma predisposição do organismo, uma espécie de “alteração” na produção de anticorpos, somada à xposição a alguns fatores ambientais. A alergia acontece por uma autodefesa exagerada. É como se, para combater uma ameaça insignificante, disparássemos um tiro de canhão – no caso das alergias, altas quantidades de histamina, substância química de efeito estimulante e vasodilatador. A bala acaba voltando-se contra o próprio corpo. A intensidade das crises pode variar. A pessoa pode sentir desde coceiras no nariz até, em casos muito extremos, ser vítima de um choque anafilático, que pode causar uma parada cardíaca ou respiratória, por exemplo.
Respire fundo Lidar com as alergias não é tão difícil quanto parece.
O que fazer em casa para evitar as alergias? Cuidados com o ambiente podem ajudar a manter as crises alérgicas sob controle. Uma medida importante é evitar colocar tapetes, carpetes e outros materiais que acumulem muita poeira – o mais recomendável é um chão de material liso e sem fresta, que possa ser limpo com pano molhado. Caso seja inevitável, mantenha-os sempre limpos e aspirados. Deixar os quartos arejados, ensolarados e ventilados também faz bastante diferença. Quanto menor a quantidade de móveis, menos poeira ficará acumulada. Animais de estimação com pêlos, como cachorros e gatos, também podem desencadear as alergias. Brinquedos de pelúcia que soltam pêlos ou possam acumular poeira devem ser evitados. Mas, quando eles já estão na casa, o ideal é que sejam limpos a cada quinze dias. Para isso, basta mergulhá-los em uma bacia com água, esfregar com sabão e deixar secar ao sol.
As alergias mudam conforme a estação do ano? Depende. Quem tem problemas com pólen, sente mais os efeitos no organismo na primavera, quando as flores desabrocham. No caso dos poluentes, o inverno costuma ser a pior época, por causa da inversão térmica (fenômeno climático caracterizado pela mudança abrupta da temperatura). Com isso, o ar fica com uma maior quantidade de partículas poluentes em suspensão.
Quais os medicamentos usados hoje em dia? Com base na avaliação clínica e na freqüência das crises, para os quadros de asma os médicos podem indicar inalação, antihistamínicos (que bloqueiam a ação da histamina), corticóides (usados para combater a inflamação da mucosa que reveste todo o sistema respiratório) e broncodilatadores (que dilatam as vias aéreas, que ficam reduzidas quando a pessoa está em crise). Caso a pessoa tenha mais de uma crise por semana, ela poderá fazer uso constante de medicamento. Se o intervalo for maior, o indicado é que ela apenas se medique durante as crises.
Praticar esportes cura asma? Isso é um mito. A prática de esportes apenas faz com que o organismo fique mais preparado para lidar com as crises, quando elas acontecerem. A natação é um bom esporte para alérgicos. Correr, caminhar e praticar ioga também são exercícios recomendados.
A poluição piora a alergia? Sim. No ar poluído estão suspensas partículas pequenas que, quando aspiradas, podem provocar irritação na mucosa que reveste o nariz, a garganta, a traquéia, os brônquios e os alvéolos pulmonares.
Existe relação entre estresse e alergia? Sim. Está cientificamente comprovado que o organismo submetido ao estresse constante tem seu sistema imunológico afetado, ficando mais fragilizado e suscetível. Por isso, é natural aparecer de repente uma crise alérgica quando a pessoa está muito cansada, com muitas coisas na cabeça, pensando somente em problemas. |