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Publicado em: 25/03/2008   

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Uma boa alimentação durante a gravidez é fundamental para garantir o bem-estar da mãe e o bom desenvolvimento do bebê

Junte duas grávidas numa roda e a pergunta certamente surge: “Quantos quilos você já engordou?” E, quando uma grávida está perto de qualquer pessoa diante de uma mesa de comida, sempre vem o comentário: “Coma bastante, você está se alimentando por dois!” A alimentação e o ganho de peso durante a gestação são preocupações comuns a qualquer mulher que espera um bebê. Pudera: o bom desenvolvimento do feto e a manutenção da saúde da mãe durante esses nove meses dependem do que a mulher ingere. A placenta, órgão que se desenvolve durante a gestação, funciona como uma espécie de filtro seletivo, separando a circulação sangüínea da mãe e do bebê e deixando passar para o feto os nutrientes ingeridos pela mulher. É a alimentação dela, portanto, que vai determinar a boa nutrição do bebê.

“A maioria das grávidas fica atenta ao que ingere, por isso é mais fácil convencêlas a ter uma alimentação correta”, diz a nutricionista Helena Maria Novaretti, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “É preciso ingerir alimentos de vários grupos para garantir nutrientes fundamentais.” Helena cita como essenciais os carboidratos (batata, macarrão e pão, de preferência os integrais), que contêm glicose, importante para alimentar o bebê; o ferro (encontrado no feijão, nas carnes vermelhas e nas verduras verde-escuras, como couve e espinafre), importante para a produção de hemoglobina, responsável pelo transporte de oxigênio aos órgãos da mulher e do bebê; vitamina C, que ajuda o organismo a absorver o ferro ingerido (além de goiaba, acerola e morango, as frutas cítricas são fontes dessa substância); e cálcio (encontrado no leite e em seus derivados), importante para a formação óssea do bebê e para manter as reservas da mãe.

Além disso, é preciso também aumentar o consumo de ácido fólico. “Hoje já se sabe que ele ajuda na formação do tubo neural do bebê e previne a anemia nos últimos meses da gravidez”, explica Helena. O ácido fólico está presente em vegetais como couve, brócolis e espinafre, e em oleaginosas como nozes, castanhas e amêndoas. Uma vez que o nutriente é encontrado em pequenas quantidades nesses alimentos, é comum fazer uma suplementação de ácido fólico com pílulas. Mas como conciliar todos esses alimentos com os enjôos tão comuns do primeiro semestre da gestação, quando por vezes a grávida não tem vontade de comer nada? “A mulher deve fazer pequenas refeições com intervalos curtos, consumir alimentos gelados como gelatina, tomar líquidos entre e não durante as refeições, e pode também comer um biscoito de água e sal logo pela manhã, antes mesmo de se levantar”, sugere Karin Sedó Sarkis, nutricionista do Check-Up do Fleury. Para evitar os enjôos e a anemia, é importante apenas que a gestante jamais fique longos intervalos sem comer.

Outro problema comum durante a gravidez é a constipação intestinal – a desconfortável prisão de ventre. “Existem truques naturais que ajudam a evitar ou reduzir o desconforto”, ensina Karin. Ela sugere: beber dois litros de água por dia, aumentar a ingestão de fibras (frutas com casca, frutas secas, hortaliças cruas, pães e cereais integrais), tomar um copo de suco de laranja com mamão e ameixa seca e fazer exercícios leves com freqüência, especialmente caminhadas. “Vale lembrar que um prato colorido garante a ingestão de vários nutrientes”, salienta a nutricionista. A grávida deve, portanto, ficar atenta à “paleta” de cores dos alimentos que ingere: quanto mais variada, melhor.

As especialistas alertam para o perigo do raciocínio de “comer por dois”. “Isso não corresponde à verdade”, afirma Helena Maria Novaretti, da Unifesp. “Em média, a grávida deve aumentar seu consumo diário em apenas 300 calorias.” Ou seja: nada de sair comendo enlouquecidamente (veja no quadro o ganho de peso ideal para cada tipo de gestante). “O ganho excessivo de peso pode causar problemas como diabetes gestacional e hipertensão, e ainda dificulta a vida da mãe na hora de emagrecer no pós-parto”, prossegue Helena. Por outro lado, o receio excessivo de engordar também pode ser prejudicial. “A preocupação em manter a forma física leva algumas gestantes a fazer dietas de emagrecimento”, esclarece. “Isso é totalmente contra-indicado e pode prejudicar o desenvolvimento do feto.” A chave, como sempre, é comer com bom senso. Ao fazer isso, a grávida estará garantindo a tranqüilidadenesses nove meses tão especiais – e, mais importante, estará cuidando bem de seu bebê desde os primeiros momentos.

Para uma gestação tranqüila
O “sinal” da alimentação ajuda a futura mamãe a se orientar

Sinal verde: o que a gestante pode e deve comer
Verduras, legumes folhosos, leite e derivados, frutas, grãos integrais, carnes: juntos, esses alimentos garantem os principais nutrientes necessários para a mamãe e o bebê, como ferro, vitamina C, cálcio e proteínas

Sinal amarelo: o que a gestante pode comer de vez em quando, com parcimônia
Frituras, refrigerantes, doces, carnes muito gordurosas. Se a grávida estiver engordando dentro dos limites considerados saudáveis pelo nutricionista ou obstetra, ela pode se entregar às “besteirinhas” eventualmente – mas sem exageros

Sinal vermelho: alimentos e hábitos que devem ser abolidos durante a gravidez
Sacarina: o ideal é evitar os adoçantes artificiais, especialmente a sacarina, pois esta atravessa a placenta e isso pode não ser benéfico para o feto. Álcool: também passa pela placenta. Alguns obstetras e nutricionistas permitem o consumo de vinho em pequenas doses. Consulte seu médico

A alimentação da gestante deve sempre ser orientada por médico obstetra ou nutricionista

 

 

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