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Publicado em: 06/07/2007  Atualizado em: 01/09/2005
Autor: Jorge Mazieri

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Instalações da Rua Cincinato Braga na década de 60

Se nos anos 50 o presidente Juscelino Kubitschek anunciava que o Brasil cresceria “cinqüenta anos em cinco” e os anos 60 ficaram marcados pela inauguração da nova capital, Brasília, no Fleury a evolução não foi diferente. As décadas de 50 e 60 foram profundamente marcantes na história da empresa. A reportagem da Fleury.com.você conversou com os médicos Fernando Teixeira Mendes e Luis Augusto Nora Antunes, remanescentes desse período e que acompanharam essa evolução.

O crescimento

Gastão Fleury Silveira e Fernando Teixeira Mendes, em um congresso em 1956

No final da década de 40, a cidade de São Paulo crescia em ritmo acelerado e uma nova área central nascia, nos arredores da Praça da República e das ruas Barão de Itapetininga, Marconi, Sete de Abril e Xavier de Toledo. A demanda por exames laboratoriais também crescia.
As instalações do antigo prédio do Fleury, na rua Benjamin Constant, onde tudo começou em 1926, já não comportavam mais a quantidade de serviços. Em 1949, a sede mudou-se para a Rua Sete de Abril, ocupando um espaço de 200 m2.
Nesse mesmo período, um outro laboratório crescia naquela região, na Rua Marconi, 53, criado pelos médicos Álvaro Cardoso, Fernando Teixeira Mendes, Mário Camargo e Octávio Armínio Germek. Como o dr. Gastão Fleury era professor na Universidade de São Paulo e chefe do Laboratório Central do Hospital das Clínicas, conhecia muito bem essa equipe, mas foi o seu sócio, o dr. Walter Leser, quem teve a idéia de convidá-los para uma parceria, porque sabia da competência de todos, e que eles realizavam exames que o Fleury ainda não fazia. O Fleury já era o maior de São Paulo, mas os novos médicos trouxerem novas idéias, novos exames, e um novo pique ao laboratório.

A parceria foi “oficializada” em 1° de agosto de 1951. A sociedade manteve um princípio: em um período de sete a dez anos, haveria uma participação proporcional até que se chegasse à igualdade de lucros entre os sócios. Mas, na prática nenhum contrato chegou a ser assinado pelas partes. Tudo foi efetivado com base na amizade e na convivência acadêmica, já que os novos integrantes tinham sido alunos dos doutores Gastão Fleury e Walter Leser.
Na mesma época, juntaram-se aos dois grupos os médicos José Mário Taques Bittencourt, José Henrique Ferreira Brandão e Paulo Mello. O movimento, que naturalmente agregaria clientes dos dois laboratórios, cresceu muito mais do que o previsto. “Foi a injeção de sangue novo e ânimo que o Fleury precisava”, comenta o dr. Luiz Augusto Nora Antunes, de 80 anos, que chegou ao Fleury em 1950, um ano antes da união dos laboratórios. A partir da sociedade firmada, o Fleury se transformou no único centro de diagnósticos de São Paulo e do Brasil a oferecer a possibilidade de exames em todas as áreas da patologia clínica.

A mudança definitiva

Sócios do Fleury com esposas em uma confraternização (1962)

Em pouco tempo, o laboratório não tinha mais condições de continuar naquele endereço. Todas as salas disponíveis do prédio já tinham sido alugadas e os elevadores eram insuficientes. Acreditem ou não, a Rua Sete de Abril, em São Paulo, já tinha trânsito caótico em meados dos anos 50. As pessoas tinham que parar os carros longe do local de atendimento, na Praça da República ou nos arredores. Além disso, “o movimento era tão grande que chegavam a se formar filas imensas, que se estendiam até o começo da Rua Conselheiro Crispiniano, uma distância de aproximadamente 100 metros”, lembra o dr. Fernando Mendes, médico hematologista e sócio do Fleury.
“Como o Fleury sempre privilegiou o conforto, achamos que era hora de mudar”, conta o dr. Fernando. Segundo o dr. Antunes, o prédio sofria, às vezes, com o racionamento de energia da época, o que propiciava descontentamento entre os clientes. ”Imagine uma mulher grávida ter que subir até o sétimo andar pelas escadas para fazer um exame. Era um transtorno”, complementa.

Em 1962 os médicos, cientes da necessidade de buscar um novo espaço, adquiriram um terreno no bairro do Paraíso, na Rua Cincinato Braga, que foi a primeira sede própria do Fleury. “Passava um carro a cada meia hora nessa rua, mas o ponto era bom, ficava próximo a hospitais como o Santa Catarina e a Beneficência Portuguesa. Daí o nosso interesse”, relembra o dr. Antunes.

Dr. Fernando Teixeira Mendes em atividade nos anos 60

Os médicos que tinham laboratórios no centro da cidade achavam que essa investida seria a derrocada do Fleury. Ledo engano. No local, uma área de 1.200 m2, foi construído um prédio de dois andares, com uma confortável sala de espera e várias salas de coleta. Todos os detalhes foram pensados tendo em vista o bem-estar do cliente. Além das amplas instalações, o local era de fácil acesso e ainda contava com um amplo estacionamento.

Muitos médicos que pediam exames ao Fleury iam buscar os resultados pessoalmente e trocavam informações sobre diagnósticos e experiências. “Aproveitavam a oportunidade para tomar café conosco, uma tradição criada pelo dr. Fleury, que preparava, ele próprio, a bebida”, conta o dr. Fernando. “Era uma época em que não havia planos de saúde. Os médicos indicavam o laboratório para seus pacientes e se encarregavam de fazer propaganda do local”, relata o dr. Antunes.

Mas o período teve também um outro fato marcante: a morte, em 1963, do dr. Gastão Fleury. Depois do falecimento, os médicos que levaram à frente o projeto pediram à família autorização para usar o nome Fleury. “Não havia nada registrado. Trabalhávamos todos sem esse tipo de preocupação. Com o crescimento da empresa, tivemos que registrá-lo”, diz o dr. Antunes.

Seu legado, no entanto, não ficou apenas no nome do laboratório, mas influenciou (e ainda hoje influencia) toda a conduta da equipe da empresa.

Contribuição acadêmica

“As pessoas tinham que parar os carros longe do local de atendimento, na Praça da República ou nos arredores. Como o Fleury sempre privilegiou o conforto, achamos que era hora de mudar”.

Dr. Fernando Mendes

Uma tradição no Fleury, o relacionamento com o meio acadêmico, acompanhou todo esse crescimento, estendendo-se até os dias de hoje. O dr. Gastão Fleury foi aluno de medicina do professor Antônio de Almeida Prado e seu assistente. Depois disso, foi o primeiro professor a dar aulas de laboratório na USP. Todos os demais integrantes da fusão que impulsionou o crescimento da empresa foram alunos ou professores da USP, casos
do dr. Leser, dr. Fernando e outros tantos. “Mantemos contato permanente com os acadêmicos e procuramos os melhores, que nos tragam inovações. Esse trabalho é constante”, afirma o dr. Antunes.

“Nossa maior contribuição com a saúde pública foi na formação de novos profissionais. Não trabalhávamos diretamente com o poder público, mas, como ministrávamos aulas, muitos profissionais de hospitais públicos foram nossos alunos”, relata o dr. Fernando.

Ainda na saúde pública, é de grande contribuição o trabalho deixado pelo dr. Walter Leser, falecido em julho de 2004, cujo exemplo relatamos na edição número 1 da revista Fleury.com.você. Ele se dedicou à universidade, desde a morte do parceiro Fleury, empregando toda sua capacidade intelectual à vida acadêmica e também à medicina preventiva.

Como se vê, a história da medicina paulista, e brasileira, tem laços fortes com todos aqueles, vivos ou não, que ajudaram a criar e que continuam à frente do Fleury. Para conhecer um pouco da trajetória do dr. Walter Leser e da história do Fleury, acesse a primeira edição da revista, que encontra-se disponível no endereço eletrônico www.fleury.com.br, em Publicações e Aulas.

 

 

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