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Publicado em: 06/07/2007   
Autor: Solange Arruda

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Criança e vacina estão ligados como pipoca e cinema. Na fase adulta, contudo, carteirinha de vacinação costuma ser relíquia guardada no baú de mães e avós. “Mas a concepção de que vacinas são feitas somente para crianças é errada”, alerta o responsável pelo Serviço de Vacinação do Fleury, Jessé Reis Alves. “O adulto saudável de qualquer idade também está suscetível a doenças infecciosas graves que só podem ser prevenidas por imunização”, prossegue o infectologista, que também é médico-assistente do Núcleo de Medicina do Viajante do Hospital Emílio Ribas. Qualquer pessoa que tenha um ferimento corriqueiro, por exemplo, está exposta ao tétano se recebeu a vacina antitetânica há mais de dez anos.

Vacinação também é coisa de adulto, a ponto de o próprio Ministério da Saúde ter uma política de imunização que começa com a criança e chega até o idoso

Depois da adolescência, portanto, a vulnerabilidade continua existindo e ganha tanta ou mais importância na terceira idade e em pessoas que podem estar mais vulneráveis, tanto por doenças quanto por situações especiais, como as viagens (veja abaixo). “O próprio Ministério da Saúde tem uma política de imunização que foca todas as faixas etárias”, lembra a infectologista Tânia S. Chaves, que atua no ambulatório do Instituto de Infectologia do Emílio Ribas.

Apesar da flagrante necessidade, os esquemas de imunização fazem mais sucesso com as crianças, e não só por causa das campanhas e dos alertas dos pediatras, mas também porque seu enfoque foi inicialmente mais voltado para a população infantil. “Dentro da Medicina, a preocupação com a vacinação sistemática do adulto é mais recente, dos anos 80”, assinala a professora do Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Marta Heloísa Lopes.

Ainda convive com esse cenário a falta de importância para a prevenção de uma forma geral, que, no entender da professora, é disseminada em nosso meio por problemas culturais e econômicos, estes mais acentuados nos países subdesenvolvidos, observa ela, que também é a médica responsável pelo Centro de Imunização do Hospital das Clínicas da FMUSP.

O que falta para o adulto incorporar essa necessidade com a mesma preocupação com que ele encara a vacinação de seus filhos é uma maior divulgação da importância desse tipo de prevenção

Mais divulgação
Mesmo com esses obstáculos, Marta não acha difícil levar o adulto para tomar vacina. “Em 2001, fizemos uma campanha de vacinação contra rubéola, aberta a toda a população, e contra a catapora, para os funcionários do Hospital das Clínicas, e tivemos dificuldades técnicas para atender o grande número de interessados, que realmente não esperávamos”, conta. Em 2004, a Campanha Nacional de Vacinação do Idoso conseguiu imunizar contra a gripe mais de 12,6 milhões de brasileiros acima de 60 anos, segundo dados do Ministério da Saúde. Ou seja, o que falta para o adulto incorporar essa necessidade com a mesma preocupação com que ele encara a vacinação de seus filhos é uma maior divulgação da importância desse tipo de prevenção. “Fazendo campanha, esclarecendo, o adulto comparece”, diz.

O acesso é tão simples quanto o infantil. As vacinas indicadas para o adulto estão disponíveis em postos de saúde e centros de imunização de hospitais públicos e, de acordo com Tânia, do Emílio Ribas, são aplicados sem custo quando fazem parte do calendário básico. As clínicas particulares igualmente dispõem de todo o arsenal de proteção, com exceção das vacinas contra a febre amarela e a febre tifóide, só encontradas na rede pública.

Para completar, a tolerância do adulto às vacinas é maior que a das crianças, o que quer dizer que, se houver reações, elas tendem a aparecer apenas no local da aplicação, informa Jessé Alves, do Fleury. As contra- indicações, por sua vez, só existem em casos muito específi cos, como para os portadores de HIV e outros imunodeprimidos, que não devem receber vacinas elaboradas com bactérias ou vírus vivos atenuados.

“Como o sistema imunológico dessas pessoas está comprometido, mesmo atenuado o agente pode escapar e produzir a doença”, esclarece o infectologista do Fleury. Assim, cada caso precisa de uma análise profunda. “Na população em geral, só não pode ser imunizado quem tem alergia conhecida a alguns dos componentes das vacinas”, sublinha Jessé.

Métodos de investigação
Com tantos detalhes e o desconhecimento que cerca o assunto, parece meio complicado voltar a um posto ou a uma clínica depois de tanto tempo. Por isso mesmo, a entrevista inicial com o interessado é fundamental. Evidentemente, ninguém precisa resgatar sua carteira de vacinação. Os especialistas usam métodos de investigação bastante efetivos.

Quer ver? “Procuramos saber se a pessoa sofreu algum acidente com ferimento nos últimos anos”, exemplifica Tânia. “Se a ocorrência foi leve e ocorreu há cerca de cinco anos, ela provavelmente tomou apenas uma dose da antitetânica e já tem indicação para o reforço”.

Se ainda não parece tarefa simples arrastar um adulto saudável para se vacinar, o advento dos serviços para viajantes vem colaborando bastante. “A medicina do viajante ajuda as pessoas a saber que precisam de vacinas e desperta o interesse e a curiosidade pelo assunto”, percebe a infectologista do Emílio Ribas.

Foi um pouco desse despertar que sentiu a arquiteta Renata Zamataro de Aguiar Pupo, que descobriu, em 2003, o Núcleo de Medicina do Viajante do Emílio Ribas, antes de partir para uma viagem de cinco meses pela Europa e pela Ásia, em maio de 2004. “Achei esse serviço fantástico, mas o processo é meio trabalhoso”, diz ela, referindo-se à obrigação de retornar ao hospital e aos postos para receber todas as doses, assim como aos testes sorológicos que precisou realizar.

Para ela, que teve de tomar seis vacinas diferentes, o ideal seria que todos os produtos estivessem disponíveis em um só local. “Mas era necessário e, afinal, voltei da viagem ótima”, prossegue a arquiteta que, depois da experiência, ficou mais atenta para a importância da vacinação em adultos e, o que é melhor, tem espalhado a idéia para amigos e familiares. “E é esse mesmo o objetivo, de ramificar, de pulverizar esse conceito”, arremata Tânia.

Para quem está com a mala na mão

Não pense que a imunização se aplica somente a viajantes que fazem um turismo, digamos, mais exótico. Dentro do Brasil, explica Jessé Reis Alves, do Fleury, existem regiões endêmicas de febre amarela, como o Norte e o Centro-Oeste, e uma vasta área de transição, que só não pega as cidades litorâneas. “Alguns países exigem o comprovante de vacinação do turista proveniente de áreas endêmicas”, alerta o médico. A imunização indicada para o viajante, portanto, depende muito do destino da viagem e passa pela atualização das vacinas que ele deixou de receber. Para orientar e atender seus clientes, a partir de fevereiro, o Fleury oferece um novo serviço: a Consulta do Viajante. Enquanto isso, conheça as principais recomendações dos especialistas para alguns roteiros:

Vacina
Roteiro
Nº de doses
Periodicidade
Hepatite A Países da Ásia, cidades litorâneas e outras em que não haja saneamento básico adequado Duas doses (0/6 meses, ou seja, a segunda depois de seis meses) Uma vez na vida
Febre amarela Países da América do Sul, incluindo o Brasil, e da África, além de destinos que exigem a comprovação da vacina, como a Índia Uma dose A cada dez anos
Raiva Índia Três doses (0/7/28 dias) Fazer uma avaliação a cada viagem
Febre tifóide Países da África e da Ásia, cidades litorâneas e outras sem saneamento básico adequado Uma dose A cada três anos
Meningite meningocócica Sul do Saara, em uma região conhecida como cinturão da meningite. Para quem vai fazer peregrinação em Meca, na Arábia Saudita, a vacina é obrigatória Uma dose A cada três anos
Poliomielite Índia e Paquistão Uma dose de reforço Fazer uma avaliação a cada viagem

Quem precisa de vacina?
Se você leu a matéria até aqui, já descobriu que toda pessoa precisa ser vacinada, independentemente da idade. Cada grupo, porém, pode requerer algumas picadas a mais, outras a menos. O adulto saudável, por exemplo, deve receber a dupla de tétano e difteria a cada dez anos. Segundo Jessé Reis Alves, do Fleury, já existe uma versão tríplice, que também previne a coqueluche.

A imunização contra a hepatite B, por sua vez, é recomendada para quem não a tomou na infância, para profissionais de saúde e para aqueles que convivem com algum portador da doença, além de ser essencial para quem não pratica sexo seguro (com camisinha), no entender do infectologista.

Entre as mulheres, pesa ainda o fator fertilidade nas recomendações. Portanto, quem está em idade de
engravidar e não teve rubéola precisa se imunizar contra a doença, que, se adquirida durante a gravidez, pode provocar malformações no feto. De acordo com Jessé, o produto está disponível em uma combinação tripla, a MMR, que igualmente confere proteção contra o sarampo e a caxumba.

As grávidas, por sua vez, devem receber o reforço da antitetânica e a vacina antigripe no trimestre final da gestação. Além de proteger a mãe, outro objetivo é impedir que o bebê se exponha ao risco do tétano, por causa da cicatrização do umbigo, e evitar que pegue uma eventual gripe da mãe em seus primeiros meses de vida.

Se nos adultos saudáveis a imunização é importante, ela pode ser decisiva para a qualidade de vida de indivíduos que já têm alguma enfermidade – como diabetes, aids e alguns tipos de anemias – e daqueles que receberam transplantes. Assim, além das vacinas de tétano/difteria e hepatite B, é fundamental que esse grupo permaneça protegido do vírus da gripe e do pneumococo, uma bactéria que causa infecções nos pulmões. Isso porque, explica Jessé, nesses pacientes, uma gripe ou uma pneumonia podem acarretar maiores complicações que, não raro, resultam em hospitalização.

Os idosos também merecem cuidados diferenciados. A idéia de usar a imunização contra a gripe e o pneumococo para essa população também é reduzir a descompensação causada pelas infecções e as conseqüências que daí se originam, como a pneumonia e a meningite. “A freqüência de complicações da gripe nas pessoas com mais de 70 anos é de 80%”, justifica o infectologista do Fleury.

Serviço dá orientações, vacinas e até avisos

Em janeiro de 2004, o Fleury criou o seu Serviço de Vacinação, na Unidade Paraíso, que, além de aplicar as vacinas, mantém uma equipe médica capacitada para fornecer orientações sobre as imunizações para pessoas de todas as idades, incluindo crianças, tanto em situações normais, quanto em viagens. O Fleury faz o registro dos produtos aplicados em uma carteira, como de praxe, mas também em um sistema informatizado, que pode ser acessado pela internet de forma totalmente segura e sigilosa, como já acontece com os resultados de exames. Além disso, em breve possuirá um serviço de alerta, por e-mail ou por telefone, para avisar os usuários da necessidade de receber novos reforços.

Vacinas disponíveis
Do calendário oficial de imunizações:
• Tuberculose (BCG);
• Difteria, coqueluche e tétano;
• Sarampo, rubéola e caxumba (MMR);
• Poliomielite (no Fleury, disponível somente a forma injetável);
• Haemophilus b;
• Hepatite B;
• Tétano e difteria;
• Gripe (influenza);
• Pneumococo 23.
De uso aprovado no Brasil:
• Varicela (catapora);
• Meningococo conjugada;
• Pneumococo conjugada;
• Hepatite A;
• Raiva;
• Tríplice acelular do adulto;
• Meningococo A e C;
• Hepatites A e B combinadas.

 

 

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