Saiba por que essa glândula é essencial para os seres humanos durante toda a vida
Sua única função é produzir hormônios. Falando assim, parece que não serve para muita coisa. Ledo engano. Apesar de pequena, a tiróide tem enorme importância no controle do metabolismo, regulando respostas como o calor que o corpo produz e a velocidade em que o coração bate. Até o Quociente de Inteligência, o famoso Q.I., está relacionado ao funcionamento desta glândula, uma vez que as substâncias que produz cumprem papel importante na formação dos neurônios. "Os hormônios tiroidianos também agem no DNA das células, estimulando a síntese de centenas de proteínas ligadas ao crescimento e ao funcionamento do coração", explica Rui M. B. Maciel, diretor-médico do Fleury e professor titular da disciplina de Endocrinologia da Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM).
Esse processo é importante para os seres humanos desde a concepção, já que o feto só começa a produzir os hormônios tiroidianos a partir da 20ª semana. Até lá, é a mãe quem passa para o filho a quantidade necessária para o correto desenvolvimento. Sendo assim, "é fundamental que as gestantes investiguem a possibilidade de alterações no funcionamento da tiróide", salienta o especialista. Isso porque os hormônios contribuem para o crescimento do feto e atuam nas conexões cerebrais. Nos recém-nascidos, a verificação dos níveis hormonais se dá por meio do teste do pezinho, realizado logo no primeiro dia de vida.
Já nos adultos, a dosagem se dá por meio de um exame de sangue que avalia a relação entre a quantidade de hormônios da tiróide e de TSH, produzido pela hipófise (ver infográfico). O mau funcionamento da glândula pode indicar algum tipo de enfermidade, como o hipotiroidismo - causado pela baixa produção de hormônios da tiróide -, ou mesmo a existência de nódulos, que, ao contrário do que se imagina, são bastante comuns, principalmente em mulheres, e ficam mais freqüentes com o avanço da idade.
Para se ter uma idéia, as estatísticas apontam que 50% das pessoas com mais de 50 anos apresentam alguma alteração nodular. "No entanto, apenas 3% dos nódulos tiroidianos não são benignos", explica Jairo Tabacow Hidal, médico-assistente da disciplina de Endocrinologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM). Para detectá-los, o exame clínico é o primeiro indicador. Se houver a indicação da sua presença, apenas aí é que a ultra-sonografia é solicitada. "Esse não é um procedimento de rotina, sendo indicado apenas nos casos em que o exame clínico revela alguma alteração", ressalta. Uma explicação que se justifica em função da grande probabilidade de haver nódulos que não são nocivos à saúde e que quando aparecem na ultra-sonografia causam grande preocupação sem fundamento.
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O que é o hipotiroidismo? É a mais prevalente entre as disfunções da tiróide e está relacionada à baixa produção hormonal da glândula. "A causa mais comum do distúrbio é uma inflamação crônica da tiróide, causada por uma auto-agressão do sistema imunológico, chamada de Tiroidite de Hashimoto", explica Hidal. Como os hormônios estão relacionados ao funcionamento do organismo, essa disfunção gera um organismo lento, apresentando sintomas como fadiga, sono, queda de cabelo e sensação de frio, entre outras, relata o especialista. Para tratar a doença, a reposição hormonal representa uma ferramenta simples e bastante eficaz. "Vale lembrar que, ao contrário do que muita gente imagina, o hipotiroidismo não leva o indivíduo à obesidade", pondera Rui Maciel. Esse distúrbio é mais freqüente em mulheres e a incidência aumenta com a idade.
Outra causa possível do hipotiroidismo é a dieta pobre em iodo. Com o objetivo de minimizar essa ocorrência, a Organização Mundial da Saúde (OMS) determina que todo o sal de cozinha, produto de consumo universal, receba uma adição de iodo. A medida foi iniciada nos anos 1950 e o controle na administração da substância ao produto é bastante rigoroso, já que o sal é produzido em poucos lugares, pois a infra-estrutura necessária é muito grande e custosa. |

A tiróide se localiza na região da garganta e quando não está funcionando adequadamente pode liberar hormônios em excesso (hipertiroidismo) ou em quantidade insuficiente (hipotiroidismo primário). Sua atividade é regulada pelo TSH (hormônio estimulante da tiróide), produzido pela hipófise, glândula que está localizada no cérebro. Nesse processo de retroalimentação podem surgir indícios de que existe algum problema no funcionamento.
Uma das ferramentas mais recorrentes para eliminar a suspeita é a dosagem da concentração dos hormônios T3 (triiodotironina), T4 (tiroxina) e do TSH, por meio da coleta de sangue. Se a concentração de TSH está alta, é sinal de que a hipófise está sendo estimulada a secretar mais hormônio para ativar a tiróide. O inverso também é verdadeiro. Se o nível de TSH estiver baixo, a hipófise recebe a informação de que a tiróide está secretando mais T4 do que o necessário para o organismo e, assim, diminui a produção de TSH.