Fale com o Fleury
Artigos
Calculadoras
Cursos e Eventos
Dicionário da Saúde
Mitos e Verdades
Podcast
Quiz
Revista Saúde em Dia
Espaço Saúde em Dia
Encontre informações sobre saúde e bem-estar.
    \\ Espaço Saúde em Dia \\ Revista Fleury Saúde em Dia
Fim do tabagismo 
Alterar o tamanho da letra:
 
Publicado em: 12/06/2007  Atualizado em: 29/05/2008
Autor: Solange Arruda

Imprimir | Recomende esta página

O bom de parar de fumarSe a advertência do Ministério da Saúde parece não convencer, vale a pena ver a questão por outro prisma: existem ótimos motivos para se tornar um ex-fumante

Ninguém precisa ser fumante para perceber que a sociedade está menos tolerante com o tabagismo por causa dos malefícios à saúde. E isso aparece tanto de forma concreta, na proibição da publicidade, nas fotos que estampam os maços e na restrição dos locais em que é permitido fumar, quanto de maneira subliminar. Veja o cinema.

Se, no passado, o cigarro compunha invariavelmente o figurino do mocinho - tente imaginar Humphrey Bogart sem soltar suas baforadas no clássico Casablanca -, hoje o ato de fumar é acompanhado de um senão. O antiherói Constantine, vivido por Keanu Reeves no filme homônimo, acende um cigarro no outro enquanto luta contra o Mal, mas está condenado por um câncer de pulmão.

De fato, o conhecimento de que o produto afeta sobremaneira a saúde é um motivo importante para as pessoas pararem de fumar. Porém, esse é um processo longo, entende o psiquiatra responsável pelo ambulatório de Tabagismo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), Montezuma Pimenta Ferreira. "Várias racionalizações entram em jogo: como as doenças mais graves demoram tempo para se desenvolver, parece haver um confl ito entre a gratificação imediata e o risco que o fumante percebe como longínquo e improvável", observa.

Se, contudo, os estragos acenam a anos-luz de distância, os benefícios de parar de fumar são imediatos e já começam depois de 20 minutos sem acender um cigarro (veja a linha do tempo). Pode estar aí, portanto, uma estratégia interessante para ajudar a pessoa a adquirir motivação para eliminar esse mau hábito de sua vida. Por incrível que pareça, o humor fica mais estável e a concentração melhora logo depois das primeiras semanas sem o cigarro. É fácil entender essa relação: "Um fumante está sempre oscilando entre os sintomas da abstinência - quando o efeito de um cigarro passa - e os efeitos farmacológicos da nicotina, que podem causar inquietação, irritabilidade e tensão", esclarece Ferreira. "Sem a nicotina, passada a síndrome de abstinência [veja box], o organismo fica mais bem regulado", continua.

Por que a nicotina faz falta?
Não é à toa que mais de 1,1 bilhão de pessoas fumam ao redor do mundo, 28 milhões só no Brasil. A nicotina estimula os receptores cerebrais, os quais liberam substâncias que exercem um efeito de bem-estar, interferem na memória e na velocidade do raciocínio e ainda conferem a sensação de saciedade. Por isso, o cérebro realmente sente falta desse estímulo. O psiquiatra Montezuma Pimenta Ferreira diz que a síndrome de abstinência começa em questão de horas após a parada, atinge o auge na primeira semana e diminui gradualmente. Alguns sintomas, porém, podem durar até um mês e meio. Em vista disso, para quem realmente quer parar de fumar, os especialistas recomendam o uso de repositores de nicotina - goma de mascar, adesivo e spray nasal - e medicamentos próprios para tratar a síndrome, que, de acordo com Montezuma, duplicam a chance de sucesso. Uma estratégia inteligente, na opinião do pneumologista João Marcos Salge, é combinar a decisão à prática de algum esporte. "A atividade física faz com que o cérebro libere endorfina (substância associada ao bem-estar), ajuda a descarregar a ansiedade e contrapõe a tendência ao ganho de peso associada ao fim do tabagismo, fechando o ciclo de promoção de saúde", analisa.


A hora da decisão
Leia as dicas do psiquiatra Montezuma Pimenta Ferreira para parar de fumar com convicção:

  • Marque uma data para tomar essa decisão;
  • Procure orientação de um especialista para verificar se há necessidade de utilizar algum medicamento;
  • Pense no que vai fazer quando vier a vontade de fumar - tomar água, mascar chiclete, dar uma volta etc.;
  • Evite tomar bebidas alcoólicas nos primeiros meses, pois o álcool aumenta a chance de recaída;
  • Procure não freqüentar locais em que é permitido fumar;
  • Peça o apoio da família;
  • Vale lembrar que, segundo vários estudos, a maioria das pessoas que consegue ficar 12 meses sem fumar jamais volta a acender um cigarro.
  • Sem agressões às células
    Do ponto de vista da redução de riscos de doenças, o melhor vem mesmo com o tempo, diz o assessor médico da Pneumologia do Fleury, João Marcos Salge. Sem a necessidade de se defenderem das agressões do cigarro, as células da mucosa das vias respiratórias ficam menos sujeitas a mutações que podem causar a formação de tumores malignos. Em bom português, parar de fumar significa reduzir a probabilidade de desenvolver câncer de pulmão, garganta e boca. A ausência da fumaça ainda melhora a oxigenação e a circulação do sangue e estabiliza a pressão arterial e os batimentos cardíacos, diminuindo, em médio prazo, a possibilidade de haver acidentes vasculares no coração ou no cérebro - respectivamente infarto e derrame.

    Para completar, a vida sem tabagismo desacelera o processo natural de envelhecimento do pulmão. "Uma pessoa de 25 anos acumula mais ar do que uma de 70, mas essa capacidade cai mais rápido em quem fuma, como se descesse de elevador, enquanto a do não-fumante desce uma rampa suave", compara Salge, que também é médico-assistente do Serviço de Pneumologia do HC-FMUSP. Com isso, quem abandona o cigarro consegue chegar à terceira idade com uma função pulmonar melhor, embora não vá recuperar o tempo perdido. "A variável tempo é crucial na decisão de parar de fumar, assim como ocorre em aplicações de capital financeiro: quanto mais cedo a pessoa faz o investimento, melhor é o resultado", avisa o pneumologista.

    O bom de parar de fumar

     

    Trabalhe conosco Mapa do Site © 2011 Fleury - Todos os Direitos Reservados | Política de Privacidade Nós seguimos o código de ética para sites de saúde HONcode.
    Verifique aqui.
    Nós seguimos o código de ética para sites de saúde HONcode.