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Publicado em: 05/07/2007  Atualizado em: 01/09/2005

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Os cuidados da família Schürmann com a saúde garantiram uma viagem tranqüila e uma aventura fascinante

20 anos depois: Pierre, Heloísa, Wilhelm, Vilfredo, David e a caçula Kat, nova tripulante da segunda viagem

Não é um desafio simples. Navegar a bordo de um veleiro com a família, por tempo indeterminado, requer coragem, organização e planejamento. Assim, o casal Vilfredo e Heloísa Schürmann e os quatro filhos trocaram literalmente a terra pelo mar. Deram duas vezes a volta ao mundo, em 20 anos, e podem dizer, sem medo de errar, que conhecem, como poucos, o oceano e os desafios para manter a saúde e o bem-estar no mar. Eles têm muito para contar: a preparação para agüentar o ritmo e o prazer de conhecer outros povos, novas línguas e, claro, desvendar mistérios. O capitão-mor Vilfredo Schürmann relata, também, os momentos de sustos e outros que fizeram da viagem uma aventura fascinante.

 

Realização de um sonho

Heloísa Schürmann em seu “escritório”

Tudo pela realização de um sonho. Assim começou a história da família catarinense Schürmann. Vilfredo, economista e consultor financeiro, e Heloísa, professora de inglês, abandonaram casa, carro, trabalho e escola para cumprir seu objetivo: dar a volta ao mundo a bordo de um veleiro. Em 1984, eles e os filhos Wilhelm, David e Pierre, à época com 7, 10 e 15 anos de idade, partiram de Florianópolis com destino à imensidão do mar. Para tornar o sonho possível, dedicaram um ano de planejamento para cada ano passado no mar.
A primeira viagem durou dez anos, de 1984 a 1994. Mais três anos de planejamento e, em 1997, eles partiram novamente, para outra aventura, dessa vez com mais uma tripulante a bordo: a filha Kat, de apenas cinco anos. E assim, os Schürmann conheceram povos diferentes e culturas exóticas e aprenderam novas línguas.
Foram 70 mil milhas, algo equivalente a 130 mil km. Entre os 45 países visitados, Vilfredo destaca a Polinésia Francesa: “Tenho um xodó especial pelo lugar. Uma família local nos adotou e, quando partimos, foi uma choradeira. Recebemos flores e fomos orientados a jogá-las ao mar. Se voltassem à praia era um sinal de que voltaríamos às ilhas. Voltamos duas vezes e ainda voltaremos”.

Saúde em primeiro lugar

Família na primeira viagem em 1984: Pierre, Vilfredo, Heloísa, David e Wilhelm Schürmann

Mas não bastou apenas traçar rotas e calcular coordenadas para ter uma viagem tranqüila. A família também se pautou pela manutenção de uma saúde perfeita, tomando diversas medidas para evitar doenças e aprender a lidar com emergências. Antes de colocar o veleiro Aysso no mar, Heloísa, que tem um irmão médico, aproveitou para conhecer de perto algumas técnicas de primeiros socorros. Aprendeu a fazer curativos e suturas. Vilfredo aprendeu algumas técnicas odontológicas com seu dentista, que foram bem úteis. “Cheguei a fazer um curativo em um dente de Heloísa, facilitando o trabalho para o profissional”, brinca. Os navegadores também montaram, no barco, uma ampla farmácia.
Para evitar doenças locais, os Schürmann sempre mantiveram a carteira de vacinação em ordem, tomando as vacinas obrigatórias para quem deve viajar. A preocupação com a saúde e o bem-estar também incluiu um check-up anual da família. Dessa forma, eles conheceram um pouco o atendimento à saúde em países distintos, como Equador, Venezuela, Polinésia, Nova Zelândia, Austrália e África do Sul.
A malhação diária também é um componente obrigatório nas viagens da “família aventura”, como são chamados. Quando estão no mar, fazem exercícios religiosamente às quatro da tarde, principalmente para o tórax, as pernas e os braços. Segundo Vilfredo, há um “batismo” para navegar no Aysso. O tripulante tem que mergulhar no mar e depois subir no veleiro usando apenas a força das mãos. A tarefa tem como objetivo dar força extra para mãos e braços, uma vez que é muito comum cair na água.

Um susto

A família também se pautou pela manutenção
de uma saúde perfeita, tomando diversas medidas para evitar doenças e aprender a lidar com emergências

Entre 1986 e 1987, quando realizava um check-up no Equador, Vilfredo descobriu que havia contraído amebíase, uma infestação provocada por um parasita, causada pela ingestão de água, frutas ou legumes contaminados e que pode levar a uma diarréia intensa, com perda de sangue nas fezes. “Foi um susto, mas a tripulação foi medicada e não aconteceu nada de grave”.

Na segunda viagem, a Rota de Magalhães, Heloísa sentiu fortes dores quando passava por Punta Arenas, na Patagônia Chilena. A suspeita era de que ela estivesse com apendicite. Diversos médicos os acompanhavam pela internet
e deram várias dicas de como proceder. “No hospital, o médico quis extrair o apêndice de Heloísa e nós o convencemos do contrário, com base nas
informações de outros profissionais. Feito um exame mais rigoroso,
realmente Heloísa não tinha nada”, conta Vilfredo.

Paixão por aventuras

O capitão-mor Vilfredo Schürmann

Só assim, com tanta preparação, eles puderam curtir o que mais gostam de fazer: mergulhar. Conhecer a fauna marinha, nadar ao lado de tubarões, enfrentar os perigosos mares de corais, com seus venenos escondidos, são, segundo o capitão, “momentos inesquecíveis”. O mergulho é também uma forma de trabalho para David, um dos quatro filhos de Vilfredo, que é especialista em filmagens submarinas e já produziu vários programas para televisão e escolas. De acordo com o Ibope, mais de 40 milhões de pessoas já assistiram aos trabalhos realizados por David. Vilfredo alerta ainda que, apesar de instigante, o mergulho deve ser feito com muita cautela, sempre seguindo as orientações de especialistas, para evitar surpresas desagradáveis.
A aventura, que começou há 20 anos, vai continuar em 2005. A família não adianta qual o percurso, mas é certo que, por idéia da filha caçula Katherine, hoje com 11 anos, os Schürmann estão preparando uma nova expedição. Eles também pretendem incrementar ainda mais o Parque Ambiental Família Schürmann, inaugurado em dezembro de 2004, que tem como objetivos disseminar a importância da preservação do “planeta água” e proporcionar, por meio da Escola de Informática e Cidadania, a inclusão digital de crianças carentes, além de demonstrar toda a experiência adquirida ao longo dos 20 anos de mar.


 

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