O que é síndrome do túnel do carpo?
É um conjunto de sinais e sintomas decorrentes da compressão do nervo mediano na região do punho. Trata-se da neuropatia compressiva mais comum na prática clínica, sendo freqüentemente bilateral.
Quais os sintomas e sinais da síndrome do túnel do carpo?
Os sintomas mais comuns são parestesias nas mãos, especialmente à noite. Com o evoluir da doença, as parestesias tornam-se contínuas e associam-se a hipoestesia. Pela lógica anatômica, seria de se esperar que estes sintomas poupassem o dedo mínimo e a porção medial do dedo anular (cuja inervação é dada pelo nervo ulnar), mas, na prática, os pacientes geralmente queixam-se da mão inteira. A dor também costuma estar presente e irradia-se para o antebraço, podendo atingir até o ombro. No entanto, dor isolada não é uma apresentação freqüente da síndrome. Alguns pacientes podem ser oligossintomáticos e queixarem-se apenas de perda da destreza manual ou sensação de edema nas mãos. Os sinais clínicos clássicos da síndrome do túnel do carpo são o sinal de Tinel (sensação de choque mediante a percussão do nervo mediano no punho) e o sinal de Phalen (desencadeamento das parestesias mediante flexão forçada do punho, mantida por até 60 segundos). A sensibilidade e especificidade destes sinais não é alta. Outro sinal importante presente nos casos avançados é a atrofia da eminência tenar.
Quais as causas da síndrome do túnel do carpo?
A síndrome do túnel do carpo é causada pela compressão do nervo mediano pelo ligamento transverso do carpo, na região do punho. Este ligamento forma a parede anterior de uma passagem rígida que contém o nervo mediano e nove tendões flexores.
As causas da síndrome do túnel do carpo são multifatoriais. A doença é muito mais comum em mulheres (4:1), principalmente a partir da 5ª década de vida. Vários fatores estão envolvidos, tais como alterações endócrinas (hipotireoidismo, gestação, acromegalia, diabetes), estruturais (fratura do punho, edema, depósito de amilóide) e ergonômicas (trabalho pesado, esforços repetitivos). Muitos casos acabam sendo rotulados como idiopáticos.
Qual o papel da eletroneuromiografia no diagnóstico da síndrome do túnel do carpo?
A eletroneuromiografia permite diagnosticar e quantificar o comprometimento do nervo mediano no punho. Inicialmente, observamos uma lesão desmielinizante puramente sensitiva, o que se traduz por um aumento das latências dos potenciais e conseqüente diminuição das velocidades de condução sensitiva. A medida que a doença avança, as fibras motoras também são comprometidas e nota-se um aumento da latência distal do potencial de ação muscular composto do nervo mediano. Este aumento de latência correlaciona-se bem com a gravidade do quadro. A lesão desmielinizante evolui para uma degeneração axonal, inicialmente sensitiva e, em casos graves, desnervação dos músculos da porção lateral da região tenar. O comprometimento axonal pode ser constatado pela redução das amplitudes ou ausência dos potenciais sensitivos e motores, e pelos sinais de desnervação e reinervação muscular presentes no exame de agulha no músculo abdutor curto do polegar.
A eletroneuromiografia permite também o diagnóstico diferencial de várias condições que podem confundir-se com a síndrome do túnel do carpo, tais como: radiculopatia cervical, síndrome do desfiladeiro torácico, síndrome do pronador redondo e polineuropatias, entre outras.
Pode haver síndrome do túnel do carpo com eletroneuromiografia normal?
Em tese, lesões muito iniciais podem passar despercebidas pelo exame. No entanto, é preciso muita cautela com esse tipo de interpretação. Muitos pacientes apresentam dor nos membros superiores atribuídas a LER / DORT, freqüentemente rotuladas como "tendinites". A associação destas condições com síndrome do túnel do carpo não é de maneira nenhuma obrigatória. Pacientes ansiosos também podem apresentar parestesias intermitentes nas mãos como conseqüência de hiperventilação. Existem diversos testes eletroneuromiográficos de alta sensibilidade para diagnóstico de síndrome do túnel do carpo que devem ser empregados em casos suspeitos. É recomendável que pelo menos dois testes estejam alterados para evitar falsos positivos. Também é fundamental o controle da temperatura cutânea, uma vez que baixas temperaturas aumentam as latências e podem levar a um diagnóstico errôneo. Do ponto de vista prático, não é recomendado tratamento invasivo para um paciente com suspeita clínica de síndrome do túnel do carpo e eletroneuromiografia normal.
Qual o tratamento para síndrome do túnel do carpo?
A síndrome do túnel do carpo pode ser tratada conservadoramente através da imobilização do punho com o auxílio de "splints". Alguns autores utilizam corticóides injetáveis localmente, porém esta alternativa tem eficácia apenas a curto prazo. O tratamento cirúrgico consiste na secção do ligamento transverso do carpo e é a melhor opção para casos avançados ou refratários ao tratamento conservador.
Referências Bibliográficas:
1. Kouyoumdjian JA: Carpal tunnel syndrome. Current approaches. Arq Neuropsiquiatr 1999, 57: 504-512.
2. Stevens JC: AAEM minimonograph #26: the electrodiagnosis of carpal tunnel syndrome. American Association of Electrodiagnostic Medicine. Muscle Nerve 1997, 20: 1477-1486.