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Baixa estatura associada a atraso na puberdade: retardo constitucional ou deficiência de GH?

Atualizado em: 01/08/2005
Autor: Antônio J. Rocha
Suemi Marui

RM sagital T1.
Note a ectopia do lobo posterior (nódulo brilhante junto ao hipotálamo, indicado pela seta maior), bem como a redução da sela/adenoipófise (setas menores) e a ausência da haste hipofisária.

O caso

Menino de 14 anos, com 148 cm de altura e 40 kg de peso, com queixa de atraso na puberdade e diminuição da velocidade de crescimento no último ano, mas sem problemas de saúde. Ingesta alimentar normal e prática de esportes regular.

A mãe media 173 cm e o pai, 183 cm, o que resultava numa altura-alvo de 184,5 cm. Sempre crescera no percentil 50, porém, à época da queixa, tinha idade estatural de 12 anos e um DP de 1,4 abaixo da média para sua faixa etária.

O garoto apresentava pêlos pubianos Tanner II (pré-púbere), genitália Tanner II (início da puberdade) e uma lanugem na região das axilas. O restante do exame físico mostrou-se normal. A idade óssea foi de 12 anos e os resultados dos exames gerais ficaram dentro da normalidade.

Já a avaliação hormonal apontou o seguinte quadro:

Exame T4 livre TSH Testosterona DHEA-S Prolactina IGF-1 IGFBP3
Resultado

1,0

1,2

36

308

19

500

1.190

Valor normal

0,7-1,5 ng/dL

0,50 a 4,9 mUI/L

< 40 ng/dL (pré-púbere)

38 a 320 µg/dL

2-10 µg/L

200-900 ng/mL

2.400 a 7.330 ng/mL

Foi, então, realizado o teste de estimulação com clonidina para a avaliação da secreção de hormônio de crescimento (GH), cujo pico aos 60 minutos atingiu 3,2 µg/L – tendo ficado, portanto, abaixo da resposta normal após o estímulo (> 5,0 µg/L). Por fim, uma ressonância magnética (RM) da região hipotálamo-hipofisária revelou ectopia do lobo pituitário posterior, ausência da haste hipofisária, mesmo após a injeção endovenosa de contraste paramagnético (gadolínio), e redução das dimensões da sela e da adenoipófise.

O comentário

O paciente apresentava baixa estatura associada a atraso na puberdade, de início recente. O diagnóstico diferencial ficou entre retardo constitucional do crescimento e puberdade e deficiência de GH por acometimento hipofisário. Isso porque a ausência de resposta ao teste de estímulo poderia ser tanto decorrente da carência de GH quanto da falta dos hormônios sexuais. De qualquer modo, a associação de nível baixo de IGFBP3 já sugeria déficit de hormônio de crescimento, confirmado pelas alterações demonstradas na RM, que constituem o fenótipo mais típico dos indivíduos com deficiência de GH geneticamente determinada. O estudo completo da região hipotálamo-hipofisária pela RM tem sido uma ferramenta útil na avaliação de pacientes com carência de GH. Uma técnica muito útil para confirmar o diagnóstico é a FAST1-MRI, que, com apenas uma seqüência T1 no plano sagital, sem contraste e com cortes finos, demonstra anormalidades anatômicas, principalmente a ectopia do lobo posterior, e avalia a haste, as dimensões da cavidade selar e a adenoipófise. Tudo isso, na maioria das vezes, sem necessidade de sedação nem anestesia e em pouco menos de três minutos.



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