Considerações gerais
A dosagem do hormônio anti-diurético (ADH), associada às dosagens de sódio sérico e urinário e osmolaridade sérica e urinária, permitem uma avaliação da secreção desse hormônio pela neuro-hipófise e de sua função a nível renal. Essas mesmas dosagens basais podem ser úteis na avaliação de suspeita de Síndrome de Secreção Inapropriada de ADH. Entretanto, o teste de restrição hídrica pode ser útil no sentido de auxiliar no diagnóstico de casos de diabetes insipidus pouco evidentes ou clinicamente compensados. Mais ainda, pode ser importante para a elucidação diagnóstica de casos de polidipsia psicogênica.
III.1 - Teste de restrição hídrica
Indicação: suspeita de diabetes insipidus (DI).
Protocolo:
- material: soro e urina
- preparo do paciente:
- véspera do exame: acesso livre a água
- dia do exame: desjejum leve, não tomar café, chá nem chocolate, não fumar
- mulher: não estar menstruada, caso esteja, usar tampão vaginal
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1ª parte |
2ª parte (DI central X nefrogênico) |
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Coletar sangue e urina Controle do pesoIniciar restrição hídrica |
DDAVP (0,2 ml intra-nasal) Liberar ingesta hídrica |
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Após 1 hora: Coletar todo o volume da diurese. Controle do peso |
Após 1 hora: Coletar sangue e urina |
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Após 1 hora: Coletar todo volume da diurese. Controle do peso |
Fim da prova |
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Continuar o mesmo procedimento a cada hora até perda de 3% do peso corporal (ou intervalo de oito horas) Fim da 1ª parte |
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Interpretação da 1ª parte:
- normal: osmolalidade urinária > 600 mOsm/kg, osmolalidade plasmática: < 300
mOsm/kg, redução do fluxo urinário: 0,5 mL/min.
- diabetes insipidus total: osmolalidade urinária < 270 mOsm/kg, osmolalidade
plasmática > 300 mOsm/kg.
Interpretação da 2ª parte:
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Osmolalidade Urinária (mOsm/Kg) |
Diagnóstico |
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Após desidratação |
Após DDAVP |
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> 750 |
> 750 |
Normal |
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< 300 |
> 750 |
DI central |
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< 300 |
< 300 |
DI nefrogênico |
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300 -750 |
< 750 |
DI central parcial, DI nefrogênico ou polidipsia primária |
Comentários: a restrição hídrica tem sido usada com o objetivo de diagnosticar indivíduos com deficiência de hormônio antidiurético (ADH-antidiuretic hormone), ou seja, o diabetes insipidus (DI). O teste baseia-se no fato de que, em indivíduos normais, ao se fazer uma restrição à ingesta hídrica, ocorre uma discreta elevação da osmolalidade sérica e esta já é suficiente para levar à liberação de ADH. Este, através de sua ação nos túbulos distais e tubos coletores renais, leva a uma reabsorção de água livre. A conseqüência é a elevação da osmolalidade urinária seguida da normalização da osmolalidade sérica. No DI, esse aumento da osmolalidade urinária após restrição hídrica não ocorre, apesar da elevação da osmolalidade sérica. Como o DI pode ser resultante da deficiência de ADH, dito central, ou conseqüente à resistência à ação do hormônio nos rins, dito nefrogênico, em uma segunda parte do teste administra-se ADH sintético, o DDAVP. No DI central ocorre elevação da osmolalidade urinária, o que não ocorre no nefrogênico.
Referências bibliográficas:
1- Maghine M, Cosi G, Genovese E, et al. 2000 Central diabetes insipidus in children and young adults. N Engl J Med. 343:998-1007.
2- Miller M, Dalakos T, Moses AM et al. 1970 Recognition of partial defects in antidiuretic hormone secretion. Ann Intern Med. 73:721-729.
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