Considerações gerais
O metabolismo dos hidratos de carbono e a glicose sangüínea são modulados pela dieta e pela influência de diversos hormônios, destacando-se agudamente a insulina e o glucagon. O diabetes mellitus tipo 1 é caracterizado pela hiperglicemia persistente com ou sem acidose, além de níveis circulantes baixos de insulina, peptídeo C e pró-insulina. O diabetes mellitus tipo 2 caracteriza-se por hiperglicemia sem acidose e níveis normais ou elevados de insulina, peptídeo C e pró-insulina. Muitas vezes, os pacientes que apresentam um quadro mais leve ou inicial podem ser mais dificilmente diagnosticados. Nesses casos, alguns testes funcionais como o GTT, podem ser úteis. O diagnóstico de hipoglicemia e respectivo diagnóstico diferencial também pode ser difícil.
A hipersecreção pancreática ou secreção inapropriada de insulina pode ser difícil de diagnosticar, pois geralmente é de leve intensidade em uma fase inicial, além de poder ser compensada por uma variedade de outras respostas hormonais. Nesse sentido, o jejum também pode ajudar no diagnóstico de uma deficiência de um hormônio antagonista da insulina (cortisol, GH, glucagon, catecolaminas) ou um defeito inato da glicogênese ou glicogenólise.
Diagnóstico Laboratorial de Diabetes Mellitus
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- Duas glicemias de jejum > 126 mg/dL ou
- Uma glicemia 2 horas após sobrecarga oral (GTT) > 200mg/dL ou
- Glicemia > 200 mg/dL em ammostra colhida a qualquer hora do dia com sintomas característicos |
| Diabetes Care suppl 1:S5-S20, 2001 | |
Diabetes Gestacional
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- Screening
- entre a 24ª e 28ª semana, 50g glicose VO
- glicemia 1 hora após: limite 140 mg/dL
- Curva Glicêmica de 3 horas: sobrecarga de 100g:
- limites 95, 180, 155 e 140;
- diagnóstico se pelo menos dois desses valores excedem os valores críticos. |
| Diabetes Care suppl 1:S5-S20, 2001 | |

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VI.1 - Teste de tolerância à glicose oral
Indicações: diagnóstico de diabetes mellitus (quando a glicemia de jejum encontra-se entre 100 e 125 mg/dL) e de tolerância diminuída à glicose. Este teste também pode ser utilizado para o diagnóstico de diabetes mellitus gestacional, como uma alternativa ao teste de 3 horas com 100g de glicose.
Protocolo:
- material: plasma fluoretado
- preparo do paciente:
- jejum de oito a doze horas
- teste não recomendado para pacientes hospitalizados
- nos três dias que antecedem o teste, a dieta deve conter no mínimo 150 g de carbohidratos
- suspender drogas que interfiram na tolerância aos carbohidratos, não ingerir bebidas alcoólicas e não realizar atividade física fora do habitual nas 24 horas que precedem o teste
- punção venosa com catéter
- manter repouso relativo
- proibido fumo, chá, café ou alimentação durante o teste
- administrar 75 g de glicose para adultos e 1,75 g/kg para crianças (máximo de 75 g)
- colher amostras nos tempos 0 e 120 min
Interpretação:
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Classificação |
Glicemia mg/dL (0 min) |
Glicemia mg/dL (120 min) |
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Glicemia de jejum normal |
75 - 99 |
inferior a 140 |
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Glicemia de jejum alterada |
100 - 125 |
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Tolerância diminuída à Glicose |
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entre 140 e 200 |
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Diabetes mellitus |
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superior a 200 |
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Diabetes gestacional |
> 126 |
> 140 |
Efeitos colaterais: pode causar náuseas e vômitos
Contra-indicações: não há
Interferentes: hemólise, lipemia excessiva, ácido ascórbico.
Drogas interferentes:
- diuréticos e anti-hipertensivos: tiazídicos, furosemida, diazóxido, metalozona, propranolol, bumetanida, ácido etacrínico e clonidina;
- hormônios corticosteróides, hormônios tiroideanos em doses tirotóxicas, contraceptivos hormonais;
- agentes neuro/psicoativos: fenitoína, levodopa, haloperidol, carbonato de lítio, anti-depressivos tricíclicos (amitriptilina, desipramida, doxepina, imipramina, nortriptilina), fenotiazinas e cannabis;
- agentes anti-neoplásicos: aloxane, estreptozotocina, L-asparaginase, ciclofosfamida;
- outros: cafeína, ácido nicotínico, indometacina, acetaminofeno, morfina, isoniazida, pentamidina.
Comentários: o teste é dispensável em pacientes com glicemia de jejum superior ou igual a 126 mg/dL, em pelo menos duas ocasiões, o que já indica diagnóstico de diabetes.
Referências bibliográficas:
1 - Expert Committee on the Diagnosis and Classification of Diabetes Mellitus: Report of the Expert Committee on the Diagnosis and Classification of Diabetes Mellitus. 2001 Diabetes Care; Suppl 1:S5-S20.
2 - Gestacional Diabetes Mellitus. Position Statement. 2002 Diabetes Care, 25, Suppl 1: S94-S96.

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VI.2 - Teste de triagem com glicose oral para diagnóstico de diabetes mellitus gestacional
Indicação: triagem para o diabetes mellitus gestacional
Protocolo:
- material: plasma fluoretado
- preparo do paciente:
- jejum não necessário
- realizado entre a 24ª e 28ª semana de gestação
- administrar 50 g de glicose por via oral
- coleta de sangue após uma hora
Interpretação: se glicemia > 140 mg/dL após uma hora, a paciente deve submeter-se ao teste confirmatório com 100 g de glicose. ( item VI.3 ).
Efeitos colaterais: pode causar náuseas e vômitos.
Contra-indicações: não há.
Interferentes: hemólise, lipemia excessiva e ácido ascórbico. Gestantes em uso de betametasona para maturação fetal devem realizar o teste 72 horas após a administração de betametasona.
Drogas interferentes:
- diuréticos e anti-hipertensivos: tiazídicos, furosemida, diazóxido, metalozona, propranolol, bumetanida, ácido etacrínico e clonidina;
- hormônios corticosteróides, hormônios tiroideanos em doses tirotóxicas, contraceptivos hormonais;
- agentes neuro/psicoativos: fenitoína, levodopa, haloperidol, carbonato de lítio, anti-depressivos tricíclicos (amitriptilina, desipramida, doxepina, imipramina, nortriptilina), fenotiazinas e cannabis;
- agentes anti-neoplásicos: aloxane, estreptozotocina, L-asparaginase, ciclofosfamida;
- outros: cafeína, ácido nicotínico, indometacina, acetaminofeno, morfina, isoniazida, pentamidina.
Comentários: trata-se de teste de triagem para gestantes que apresentam os seguintes fatores de risco para diabetes gestacional: idade > 25 anos, obesidade, antecedente familiar de primeiro grau de diabetes, diabetes gestacional prévio ou glicemia de jejum > 85 mg/dL.
Referências bibliográficas:
1 - Sullivan, BA, Henderson ST, Davis JM. 1998 Gestational Diabetes. J Am Pharm Assoc 38:364-371.
2 - Bonomo, M. 1998 Which cutoff level should be used in screening for glucose intolerance in pregnancy? Definition of Screening Methods for Gestacional Diabetes Study Group of the Lombardy Section of the Italian Society of Diabetology. Am J Obstet Gynecol 179:1179-85.
3 - Expert Committee on the Diagnosis and Classification of Diabetes Mellitus: Report of the Expert Committee on the Diagnosis and Classification of Diabetes Mellitus. 2001 Diabetes Care; Suppl 1:S5-S20.
4 - Mastrobattista JM, Patel N, Monga M. 2001 Betamethasone alteration of the one-hour glucose challenge test in pregnancy. J Reprod Med 46:83-86.

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VI.3 - Curva glicêmica para diagnóstico de diabetes mellitus gestacional
Indicação: diagnóstico do diabetes mellitus gestacional
Protocolo:
- material: plasma fluoretado
- preparo do paciente:
- jejum de oito a doze horas
- teste não recomendado para pacientes hospitalizados
- nos três dias que antecedem o teste, a dieta deve conter no mínimo 150 g de carbohidratos
- suspender drogas que interfiram na tolerância aos carbohidratos, não ingerir bebidas alcoólicas e não realizar atividade física fora do habitual nas 24 horas que precedem o teste
- o teste deve ser realizado entre a 24ª e 28ª semana de gestação
- punção venosa com catéter
- manter repouso relativo
- proibido fumo, chá, café ou alimentação durante o teste
- administrar 100 g de glicose por via oral
- colher amostras nos tempos 0, 60, 120 e 180 minutos
Interpretação: para o diagnóstico de diabetes gestacional, pelo menos duas das quatro glicemias devem apresentar valores iguais ou superiores aos seguintes:
jejum: 95 mg/dL; 1 hora: 180 mg/dL, 2 horas: 155 mg/dL e 3 horas: 140 mg/dL
Efeitos colaterais: pode causar náuseas e vômitos.
Contra-indicações: não há.
Interferentes: hemólise, lipemia excessiva e ácido ascórbico. Gestantes em uso de betametasona para maturação fetal devem realizar o teste 72 horas após a administração de betametasona.
Drogas interferentes:
- diuréticos e anti-hipertensivos: tiazídicos, furosemida, diazóxido, metalozona, propranolol, bumetanida, ácido etacrínico e clonidina;
- hormônios corticosteróides, hormônios tiroideanos em doses tirotóxicas, contraceptivos hormonais;
- agentes neuro/psicoativos: fenitoína, levodopa, haloperidol, carbonato de lítio, anti-depressivos tricíclicos (amitriptilina, desipramida, doxepina, imipramina, nortriptilina), fenotiazinas e cannabis;
- agentes anti-neoplásicos: aloxane, estreptozotocina, L-asparaginase, ciclofosfamida;
- outros: cafeína, ácido nicotínico, indometacina, acetaminofeno, morfina, isoniazida, pentamidina.
Comentários: a importância do diagnóstico do diabetes mellitus gestacional está relacionada ao aumento da morbi-mortalidade fetal que o mesmo pode determinar. A hiperglicemia materna leva à geração de fetos macrossômicos, o que aumenta a chance de distócias, hiperglobulia fetal, com conseqüente icterícia neonatal significativa e prolongada e outros distúrbios metabólicos como hipoglicemia e hipocalcemia neonatal. Todos estes distúrbios são preveníveis a partir de um diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Referências bibliográficas:
1 - Sullivan, BA; Henderson ST; Davis JM. 1998 Gestational Diabetes. J.Am.Pharm. Assoc. 38:364-371.
2 - Expert Committee on the Diagnosis and Classification of Diabetes Mellitus: Report of the Expert Committee on the Diagnosis and Classification of Diabetes Mellitus. 2001 Diabetes Care; Suppl 1:S5-S20.
3 - Mastrobattista JM, Patel N, Monga M. 2001 Betamethasone alteration of the one-hour glucose challenge test in pregnancy. J Reprod Med 46:83-86 .

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VI.4 - Teste de tolerância à glicose oral para a dosagem de insulina e glicose
Indicação: pesquisa de hipoglicemia reacional e resistência à insulina.
Protocolo:
- material: plasma fluoretado e soro
- preparo do paciente:
- jejum de oito a doze horas
- teste não recomendado para pacientes hospitalizados
- nos três dias que antecedem o teste, a dieta deve conter no mínimo 150 g de carbohidratos
- suspender drogas que interfiram na tolerância aos carbohidratos, não ingerir bebidas alcoólicas e não realizar atividade física fora do habitual nas 24 horas que precedem o teste
- punção venosa com catéter
- manter repouso relativo
- proibido fumo, chá, café ou alimentação durante o teste
- administrar 75 g de glicose para adultos e 1,75 g/kg para crianças (máximo de 75 g)
- colher amostras nos tempos 0, 30, 60, 90, 120 e 180 minutos na curva clássica ou até 300 minutos, se desejar
Interpretação: hipoglicemia pode ocorrer a partir dos 180 minutos e é considerada significativa se < 45 mg/dL.
Efeitos colaterais: pode causar náuseas e vômitos.
Contra-indicações: não há.
Interferentes: hemólise, lipemia excessiva e ácido ascórbico.
Drogas interferentes:
- diuréticos e anti-hipertensivos: tiazídicos, furosemida, diazóxido, metalozona, propranolol, bumetanida, ácido etacrínico e clonidina;
- hormônios corticosteróides, hormônios tiroideanos em doses tirotóxicas, contraceptivos hormonais;
- agentes neuro/psicoativos: fenitoína, levodopa, haloperidol, carbonato de lítio, anti-depressivos tricíclicos (amitriptilina, desipramida, doxepina, imipramina, nortriptilina), fenotiazinas e cannabis;
- agentes anti-neoplásicos: aloxane, estreptozotocina, L-asparaginase, ciclofosfamida;
- outros: cafeína, ácido nicotínico, indometacina, acetaminofeno, morfina, isoniazida, pentamidina.
Comentários: hipoglicemia reacional ocorre de três a quatro horas após a ingestão alimentar, particularmente em pessoas que se alimentam muito rapidamente e preferem refeições ricas em carbohidratos. Pode ocorrer também em pacientes com hipoglicemia pós-absortiva, quando esta é secundária à presença de insulinoma, anticorpos anti-insulina e após ingestão de álcool. Há controvérsias na realização do teste para o diagnóstico de hipoglicemia reacional. Uma forma simples de se avaliar a sensibilidade à insulina é através do emprego de um índice denominado QUICKI. Para o cálculo do QUICKI, são necessários apenas os valores basais de insulinemia e glicemia.
QUICKI (Quantitative Insulin Check Index = 1/[log(insulina de jejum) + log(glicemia de jejum)]
Referências bibliográficas:
1 - Field, JB: 1989 Hypoglycemia. Endocrinol. Metab. Clin. North. Am. 18: 27-43.
2 - Hoefeldt, F: 1989 Reactive hypoglycemia. Endocrinol. Endocrinol. Metab. Clin. North. Am. 18:185-201.
3 - Hanson RL, Pratley RE, Bogardus C, Venkat Narayan KM, Roumais JM, Imperatore G, Fagot Campagna A, Pettitt DJ, Bennet PH, Knowler WC. 2000 Evaluation of simple indices of insulin sensitivity and insulin secretion for use in epidemiologic studies. Am J Epidemiol 151:190-198.
4 - Katz A, Nambi SS, Mather K, et al. 2000 Quantitative insulin-sensitivity check index (QUICKI): a simple, accurate method for assessing insulin sensitivity in humans. J Clin Endocrinol Metab 85:2402-2410.

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VI.5 - Teste de tolerância à glicose endovenosa
Indicação: avaliação da primeira fase de secreção insulínica em parentes de primeiro grau de pacientes diabéticos tipo 1 e que tenham 2 anticorpos positivos (anticorpo anti-insulina, anti-ilhota, anti-GAD) além de um teste de tolerância à glicose oral normal.
Protocolo:
- material: plasma fluoretado para dosagem de glicose e soro para dosagem de insulina
- preparo do paciente:
- jejum de oito a doze horas
- teste não recomendado para pacientes hospitalizados
- nos três dias que antecedem o teste, a dieta deve conter no mínimo 150 g de carbohidratos
- suspender drogas que interfiram na tolerância aos carbohidratos, não ingerir bebidas alcoólicas e não realizar atividade física fora do habitual nas 24 horas que precedem o teste
- punção venosa com catéter em cada membro superior
- manter repouso
- proibido fumo, chá, café ou alimentação durante o teste
- coleta de duas amostras basais com cinco minutos de intervalo entre elas
- administrar 0,5 g/kg de glicose a 25% (máximo de 35 g), em até três minutos
- coletas aos 1, 3, 5 e 10 minutos após o final da infusão
Interpretação: a primeira fase de secreção insulínica é geralmente avaliada através da soma dos valores de insulina nos tempos 1 e 3 minutos ou pelo cálculo da área sob a curva da insulina (0 a 10 minutos). Valores de insulina (1+3 minutos) inferiores a 46 µ U/mL (abaixo do primeiro percentil), indicam perda da primeira fase de secreção insulínica.
Efeitos colaterais: flebite química.
Contra-indicações: não há.
Interferentes: hemólise, lipemia excessiva e ácido ascórbico.
Drogas interferentes:
- diuréticos e anti-hipertensivos: tiazídicos, furosemida, diazóxido, metalozona, propranolol, bumetanida, ácido etacrínico e clonidina;
- hormônios corticosteróides, hormônios tiroideanos em doses tirotóxicas, contraceptivos hormonais;
- agentes neuro/psicoativos: fenitoína, levodopa, haloperidol, carbonato de lítio, anti-depressivos tricíclicos (amitriptilina, desipramida, doxepina, imipramina, nortriptilina), fenotiazinas e cannabis;
- agentes anti-neoplásicos: aloxane, estreptozotocina, L-asparaginase, ciclofosfamida;
- outros: cafeína, ácido nicotínico, indometacina, acetaminofeno, morfina, isoniazida, pentamidina.
Comentários: a perda da primeira fase de secreção de insulina após uma sobrecarga de glicose endovenosa ocorre durante a fase subclínica do diabetes constituindo-se em um marcador bastante sensível embora não completamente específico. A avaliação da primeira fase da secreção de insulina poderá indicar o potencial do paciente evoluir para diabetes e auxiliar na decisão, juntamente com os marcadores de auto-imunidade, de se iniciar um tratamento preventivo para o desenvolvimento de diabetes tipo 1.
Referências bibliográficas:
1 - McCulloch DK, Bingley PJ, Colman PG, Jackson R, Gale EAM, the ICARUS Group. 1993 Comparison of bolus and infusion protocols for determining acute insulin response to intravenous glucose in normal humans. Diabetes Care 16: 911-915.
2 -Srikanta S, Ganda OP, Gleason RE, Jackson RA, Soeldner JS, Eisenbarth GS 1984 Pre-type 1 diabetes: linear loss of beta cell response to intravenous glucose. Diabetes 33:713-720.
3 - Vallettes C, Mattei-Zevaco C, Badier G, Ramahandriodona V, Lassmann Vague, Ph Vague 1988 Low acute response to intravenous glucose. A sensitive but non-specific marker of early stages of Type 1 (insulin-dependent) diabetes. Diabetologia 31:5497-596.

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VI.6 - Teste de estímulo com glucagon para dosagem de peptídeo C
Indicação: estudo da reserva pancreática (função da célula beta).
Protocolo:
- material: soro
- preparo do paciente:
- jejum de oito a doze horas
- punção venosa com catéter
- proibido fumo, chá, café ou alimentação durante o teste
- coleta da amostra basal
- administrar glucagon 1 mg, via endovenosa em bolus
- coleta de nova amostra após seis minutos
Interpretação: os valores normais do peptídeo C variam entre 0,36 a 3,59 ng/mL. Em indivíduos normais, a resposta do peptídeo C ao glucagon, aos 6 minutos, é cerca de 150 a 300% superior ao valor basal. Uma resposta normal apresenta um valor de corte para peptídeo C após o estímulo com glucagon superior a 1,8 ng/mL. Elevações inferiores a esta indicam reserva pancreática comprometida.
Efeitos colaterais: náuseas, vômitos, síncope e urticária.
Contra-indicações: em pacientes com conhecida hipersensibilidade à droga e naqueles com feocromocitoma.
Interferentes: medicações que estimulam a secreção de insulina: sulfoniluréias e glucagon.
Comentários: o peptídeo C é secretado pelas células ß pancreáticas em concentrações equimolares com a insulina. Como sua dosagem não é afetada pela presença de anticorpos anti-insulina e nem pela própria insulina, o nível de peptídeo C ao jejum ou após teste de estímulo (parenteral ou oral) está sendo utilizado para o seguimento da história natural da função da célula ß no diabetes mellitus tipo 1 após o início do uso de insulina.
Referências bibliográficas:
1 - Madsbad S. 1983 Prevalence of residual ß cell function and its metabolic consequences in type 1 (insulin dependent) diabetes. Diabetologia 24:141-147.
2 - Landin-Olsson M, Nilsson KO, Lernmark A, Sundkvist G. 1990 Islet cell antibodies and fasting C-peptide predict insulin requirement at diagnosis of diabetes mellitus. Diabetologia 33:561-568.
3 - Damsgaard EM, Faber OK, Froland A ,et al. 1987 Prevalence of fasting hyperglycemia and known non-insulin dependent diabetes mellitus classified by plasma C-peptide: Fredericia survey of subjects 60-74 yr old. Diabetes Care 10:26-32.

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VI.7 - Teste de tolerância à glicose oral para a dosagem de peptídeo C
Indicação: estudo da reserva pancreática (função das células beta).
Protocolo:
- material: soro
- preparo do paciente:
- jejum de oito a doze horas
- punção venosa com catéter
- proibido fumo, chá, café ou alimentação durante o teste
- coleta da amostra basal
- administrar glicose 75 g via oral, em cinco minutos
- coleta de nova amostra após 30 e 60 minutos
Interpretação: em indivíduos não diabéticos, a resposta do peptídeo C aos 30 minutos é 300 a 400% do basal e aos 60 minutos de 250 a 300% superior ao valor basal.
Efeitos colaterais: náuseas e vômitos.
Interferentes: medicações que estimulam a secreção de insulina: sulfoniluréias e glucagon.
Comentários: o peptídeo C é secretado pelas células ß pancreáticas em concentrações eqüimolares com a insulina. Como sua dosagem não é afetada pela presença de anticorpos anti-insulina e nem pela própria insulina, o nível de peptídeo C ao jejum ou após teste de estímulo (parenteral ou oral) está sendo utilizado para o seguimento da história natural da função da célula ß no diabetes mellitus tipo 1, após o início do uso de insulina. Por se tratar de um teste menos invasivo que o estímulo com glucagon, pode-se constituir no teste de escolha para a determinação de função das células beta.
Referências bibliográficas:
1 - Small M, Cohen HN, Beastall GH, MacCuish AC. 1985 Comparison of oral glucose loading and intravenous glucagon injection as stimuli to C-peptide secretion in normal men. Diabet Med 2:181-183.
2 - Madsbad S. 1983 Prevalence of residual ß cell function and its metabolic consequences in type 1 (insulin dependent) diabetes. Diabetologia 24:141-147.
3 - Landin-Olsson M, Nilsson KO, Lernmark A, Sundkvist G. 1990 Islet cell antibodies and fasting C-peptide predict insulin requirement at diagnosis of diabetes mellitus. Diabetologia 33:561-568.

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VI.8 - Teste de estímulo com sustacal para dosagem de peptídeo C
Indicação: estudo da reserva pancreática (função da célula beta).
Protocolo:
- material: plasma fluoretado para dosagem da glicose e soro refrigerado para dosagem do peptídeo C
- preparo do paciente:
- jejum de 8 a 12 h.
- punção venosa com cateter
- proibido fumo, chá , café ou alimentação durante o teste
- coleta da amostra basal
- administrar SUSTACAL por via oral, ingerir em até 10 minutos:
- 7 kcal/kg para crianças, máximo 360 kcal
- 360 kcal para adultos
- coleta de nova amostra após 90 minutos
Interpretação: em indivíduos portadores de diabetes mellitus tipo 1, resposta de peptídeo C maior ou igual a 0,54 ng/mL indica função pancreática residual.
Efeitos colaterais: não há.
Contra-indicações: não há.
Interferentes: medicações que estimulam a secreção de insulina: sulfoniluréias e glucagon.
Comentários: o peptídeo C é secretado pelas células ß pancreáticas em concentrações eqüimolares com a insulina. Como sua dosagem não é afetada pela presença de anticorpos anti-insulina e nem pela própria insulina, o nível do peptídeo C ao jejum, ou após teste de estímulo (parenteral ou oral) está sendo utilizado para o seguimento da história natural da função da célula b no diabetes mellitus tipo 1, após o início do uso de insulina. Por se tratar de um teste menos invasivo que o estímulo com o glucagon, pode-se constituir no teste de escolha para a determinação da função das células ß .
Referências bibliográficas:
1 - Clarson C, Daneman D, Drash AL, Becker DJ, Ehrlich RM. 1987 Residual beta-cell function in children with IDDM: reproducibility of testing and factors influencing insulin secretory reserve. Diabetes Care;10:33-38.
2 - Service FJ, Rizza RA, Zimmerman BR, Dyck PJ, O'Brien PC, Melton LJ 3rd. 1997 The classification of diabetes by clinical and C-peptide criteria. A prospective population-based study. Diabetes Care; 20:198-201.

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VI.9 - Dosagem de lactato e amônia pós exercício isquêmico do antebraço (Prova de Mc Ardle)
Indicação: avaliar a capacidade de recrutamento do glicogênio muscular, que pode se encontrar prejudicada em indivíduos que apresentam cãimbras e mioglobinúria após exercício, acompanhada de elevação da creatino quinase. Em condições habituais, o exercício isquêmico leva a aumento do lactato e a amônia pouco se eleva. Em indivíduos que apresentam dificuldade no recrutamento do glicogênio muscular (p.ex., deficiência de miofosforilase, ou doença de McArdle), durante o exercício isquêmico o lactato mantém-se estável e a amônia se eleva, indicando aumento do catabolismo protéico.
Protocolo:
Material:
•material para punção venosa
•02 esfigmomanômetros
•estetoscópio
Procedimento :
- verificar a pressão arterial, definindo a pressão média (sistólica + diastólica / 2)
- puncionar a veia antecubital
- colher amostra basal
- instalar manguito acima do cotovelo do membro puncionado e mantê-lo insuflado na pressão arterial média
- solicitar ao paciente que segure a pera de um outro manguito parcialmente inflado, com a mão do braço puncionado. A pera deve ser apertada e solta de 30 a 60 vezes por minuto, procurando-se manter a pressão do esfigmomanômetro em 100 mmHg. O exercício deve ser mantido pelo maior tempo tolerado pelo paciente, ou por até 2 minutos
- desinsuflar o manguito e solicitar para o paciente relaxar
- colher amostras nos tempos 2, 5, 10 e 15 minutos após o término do exercício
Interpretação: em condições habituais, o exercício isquêmico ocasiona elevação de cerca de 3 vezes do teor do lactato e a amônia de cerca de até duas vezes. Em indivíduos que apresentem dificuldade en metabolizar o glicogênio muscular, o lactato permanece estável e a amônia, em decorrência do aumento da degradação protéica, se eleva mais do que três vezes com relação à amostra basal.
- Valores de referência da amostra basal:
Lactato: 5,7 a 22 mg/dL (0,63 a 2,44 mmol/L)
Amônia: 11 a 35 mmol/L
Efeitos colaterais: não há.
Interferentes: não há.
Comentários: esse exame é usado no diagnóstico de glicogenoses com manifestação muscular (câimbras e mioglobinúria pós exercício), especialmente a doença de McArdle (deficiência de miofosforilase).
Referência bibliográfica:
1 - Clarke TR. 1996 A Clinical Guide to Inherited Metabolic Diseases. Cambridge University Press.

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