Pesquisa de instabilidade de microssatélites e imuno-histoquímica para MLH1 e MSH2 ajudam a indicar teste genético.
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Pesquisa imuno-histoquímica para MLH1 (à esq.) e MSH2 (à dir.). Neste caso, houve perda da marcação nuclear para MLH1 nas células tumorais. Já a imunoexpressão de MSH2 encontra-se preservada (setas vermelhas). A expressão dessas proteínas está constitucionalmente resguardada em linfócitos (setas amarelas). |
Os tumores malignos que acometem o cólon e o reto estão entre as neoplasias mais prevalentes em adultos de ambos os sexos, ocorrendo, em sua grande maioria, de forma esporádica. No entanto, cerca de 5% dos casos de câncer colorretal (CCR) têm natureza hereditária, consequente à presença de mutação em uma das cópias de genes envolvidos com a manutenção da integridade do DNA. Essa condição, conhecida como síndrome do câncer colorretal hereditário não-poliposo (HNPCC), ou síndrome de Lynch, é causada, em 90% dos casos, por mutação nos genes MSH2 e MLH1 e, na quase-totalidade dos 10% restantes, por alteração nos genes MSH6 e PMS2. A HNPCC associa-se a maior risco não somente de CCR, mas também de neoplasias malignas de endométrio, ovário e estômago, entre outras. Contudo, a identificação de alterações patogênicas nos genes relacionados com a síndrome de Lynch é bastante trabalhosa e tem de ser criteriosamente indicada. Para tanto, recomenda-se que indivíduos com CCR que preencham os critérios de Bethesda (2004) tenham amostra de seu tecido tumoral submetida à pesquisa de instabilidade de microssatélites (MSI), que determina a chance de existir mutação patogênica em um desses quatro genes que realizam o reparo do DNA. Quando há instabilidade, essa probabilidade é grande. Estima-se que os microssatélites se mostrem instáveis no tecido tumoral de 90% dos indivíduos com HNPCC e em 15% dos que têm CCR esporádico.
Já a definição do gene responsável pode ser facilitada com o uso da imuno-histoquímica no tecido tumoral, voltada para a detecção de proteínas codificadas por esses genes. Quando não ocorre reatividade para uma delas, aumenta a chance de a mutação estar localizada no gene que codifica essa proteína, razão pela qual seu sequenciamento deve ser priorizado.
| Critérios de Bethesda (2004) para a indicação da pesquisa de instabilidade de microssatélites |
| A presença de uma ou mais das seguintes características é suficiente para indicar a pesquisa de instabilidade de microssatélites: |
| 1 CCR diagnosticado antes dos 50 anos de idade |
| 2 Ocorrência de mais de um CCR ou de um CCR associado a outra neoplasia mais frequente em portadores de HNPCC¹ por ocasião do diagnóstico (sincrônico) ou anos depois da detecção (metacrônico) |
| 3 CCR com histologia MSI-H diagnosticado em indivíduo com menos de 60 anos de idade |
| 4 CRR e tumor associado à HNPCC¹ diagnosticados em um ou mais parentes de primeiro grau, desde que uma das neoplasias tenha ocorrido antes dos 50 anos de idade |
| 5 CCR diagnosticado em dois ou mais parentes de primeiro ou segundo grau, em qualquer idade |
| ¹ Os tumores associados à HNPCC incluem, além do CCR, carcinomas de endométrio, estômago, ovário, pâncreas, ureter, pelve renal, trato biliar e cérebro (geralmente glioblastoma multiforme). |
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O que são microssatélites e por que eles podem se mostrar instáveis?
Microssatélites são sequências de DNA constituídas em geral por repetições de dois ou três nucleotídeos, que passam de uma geração para outra de forma permanente. Habitualmente, há uma significativa variação interindividual no número de repetições contidas nos microssatélites, o que faz com que eles sejam considerados polimórficos. Essa quantidade mantém-se estável em todas as células de uma pessoa, sejam elas germinativas, sejam elas somáticas. No entanto, quando ocorre um defeito no sistema que zela pela integridade do mecanismo de replicação do DNA, o número de repetições dos microssatélites se torna instável, com expansões e contrações. Tal fenômeno é particularmente evidente em certas neoplasias, como os tumores colorretais provenientes de mutações herdadas nos genes de reparo do DNA.
FICHAS TÉCNICAS
Pesquisa de instabilidade de microssatélites
| Material |
Técnica |
Tempo de análise |
Interpretação |
| Amostra de tecido tumoral, em formol ou em parafina, e sangue periférico |
Determinação do número de repetições dos microssatélites BAT-25, BAT-26, NR-21, NR-24 e MONO-27 |
Até 20 dias corridos |
O número de repetições dos microssatélites no tecido tumoral deve ser igual ao encontrado no sangue periférico |
Detecção do produto gênico de MSH2 e MLH1
| Material |
Técnica |
Tempo de análise |
Interpretação |
| Amostra de tecido tumoral, em formol ou em parafina |
Imuno-histoquímica |
Seis dias úteis |
A ausência do produto de um dos genes é indicativa da existência de mutação nesse gene |