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A detecção de anormalidades por FISH e a ampliação do painel de marcadores imunofenotípicos melhoram a estratificação prognóstica e ajudam a identificar a doença residual pós-tratamento.
A citomorfologia, a imunofenotipagem e a citogenética compõem a tríade clássica da abordagem multifacetada indispensável ao diagnóstico das leucemias linfoides agudas (LLAs). A imunofenotipagem por citometria de fluxo permite a confirmação e a subclassificação dessas leucemias de forma rápida e inequívoca, fornecendo informações essenciais para nortear a decisão terapêutica inicial. Além disso, consegue detectar a doença residual pós-tratamento, o que configura um fator prognóstico de significado clínico bem estabelecido. Uma vez confirmado o diagnóstico, a idade do paciente e a detecção de anormalidades cromossômicas são as variáveis mais relevantes para prever a evolução da leucemia e redirecionar a terapia. O cariótipo permanece como o exame ideal para uma ampla avaliação de todos os cromossomos. Na experiência do Fleury, 80% dos casos de LLA apresentam anormalidades que permitem delinear prognóstico. Nos 20% restantes, porém, ou o estudo se mostra normal ou, em menos de 5% dos pacientes, não há metáfases, o que inviabiliza a obtenção de dados úteis. A hibridação in situ por fluorescência (FISH) é um método citogenéticomolecular que contribui exatamente nessas situações, já que contempla as mutações de maior importância nas leucemias agudas. A técnica possibilita a investigação de diversas alterações genéticas numa única reação por meio de uma plataforma abrangente de sondas.
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| Análise de células B (CD22+) evidencia ausência da expressão do antígeno CD45 e forte expressão do CD58. |
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Cariótipo de LLA pré-B com t(1;19) e deleção do braço longo do cromossomo 6. |
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| FISH de uma criança com LLA mostra a deleção do gene P16 (sinal vermelho) no braço curto do cromossomo 9 (p21). |
Imunofenotipagem revela doença residual
A identificação de doença residual pós-tratamento pode auxiliar não apenas a determinação do prognóstico, mas também a estratificação prospectiva de risco e a redefinição do tratamento das LLAs. Entre as alterações imunofenotípicas que possibilitam essa investigação estão, por exemplo, a expressão aberrante de antígenos de diferentes linhagens (mieloides), a perda de antígenos normalmente expressos (como o CD45), a coexpressão assíncrona de antígenos de diferentes etapas de maturação (TdT e CD20 na LLA-B) e o aumento na intensidade de antígenos normalmente pouco expressos pelas células linfoides (como o CD58). O limiar de detecção dessas alterações é da ordem de uma célula leucêmica em 10 mil células normais.
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Alterações genéticas investigadas pela FISH nas LLAs
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| Faixa etária |
Alteração detectada |
Associação clínica |
Evolução |
| Adultos |
Rearranjo BCR/ABL1, que equivale à t(9;22), ou cromossomo Philadelphia |
Presente em 25% das LLAs de adultos e raramente visto em casos pediátricos |
Prognóstico desfavorável |
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Translocações no oncogene MYC, no 8q32, e t(8;14) no gene IGH, no 14q32 |
Observadas na LLA-B e no linfoma de Burkitt |
Prognóstico desfavorável, com boa resposta à quimioterapia |
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t(14;14)(q11;q32) ou inv(14) (q11q32) no gene IGH |
Observadas na LLA-T |
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| Crianças |
Deleções no braço curto do cromossomo 9 (9p16) |
Observadas em cerca de 10% dos casos, em geral de linhagem T |
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t(1;19) ou t(17;19) na região 19p do gene E2A |
Presentes na LLA-B |
Prognóstico desfavorável e alto risco de recaída |
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Rearranjo TEL(ETV6)/AML1(RUNX1), que corresponde à t(12;21), invisível pelo cariótipo |
Presente na LLA-B |
Prognóstico favorável |
| Lactentes |
Rearranjos no gene MLL, no 11q23: t(9;11), t(11;19) e t(4;11)/MLL-AF4, esta última mais frequente |
Observados em 80% dos casos |
Possibilidade elevada de falha terapêutica | |