Estima-se que metade dos casos de nascimentos prematuros ocorra espontaneamente, de forma secundária ao aparecimento de contrações uterinas, e que menos de 50% das gestantes que evoluem para parto prematuro apresentem algum fator de risco para esse desfecho. As complicações neonatais associadas à prematuridade e a baixa sensibilidade dos dados obtidos pela história clínica, para identificar uma grávida com chance aumentada de ter o bebê antes da hora, levaram à necessidade de desenvolver métodos específicos para determinar esse risco de maneira acurada e precisa.
Pesquisa qualitativa de fibronectina fetal
A fibronectina fetal (fFN) é uma proteína normalmente encontrada na secreção vaginal nos dois primeiros meses e nas últimas semanas da gestação. Contudo, sua presença entre a 22ª e a 36ª semana de gravidez está associada a um risco aumentado para prematuridade. É claro que a interpretação do resultado depende das características das gestantes.
Nas mulheres sintomáticas, com queixas de cólicas e contrações uterinas, um teste negativo tem valor preditivo maior que 90%, o que significa baixa probabilidade de parto prematuro e, assim, permite evitar a internação da grávida, bem como intervenções desnecessárias. Em mulheres assintomáticas, mas com antecedente de parto prematuro ou gestação gemelar atual, o risco de o bebê não nascer a termo também é muito baixo, menor que 1%, quando a fibronectina não está presente na secreção vaginal.Se, porém, a proteína for detectada, o valor preditivo positivo do exame fica em torno de 50%, devendo então ser associado a outros marcadores, sobretudo à medida do comprimento do colo do útero pela ultrassonografia transvaginal, para definir o risco de prematuridade e a conduta em cada gestação.
Vale lembrar que, no Fleury, a pesquisa qualitativa de fibronectina fetal fica pronta em apenas 15 minutos e pode ser realizada no mesmo dia do ultrassom, o que favorece a tomada de decisões rápidas pelo obstetra.
Medida de colo uterino pelo ultrassom transvaginal
Um valioso marcador de prematuridade é a avaliação do comprimento do colo uterino pela ultrassonografia transvaginal, que verifica também sinais coadjuvantes, capazes de elevar o risco quando associados ao parâmetro principal do exame, como o afunilamento, que representa a dilatação do orifício interno do colo, e o sludge, que indica apagamento do colo ou até mesmo infecção intra-amniótica.


De qualquer modo, o comprimento cervical é o indicador de maior importância, uma vez que tem sua melhor performance na identificação das formas de parto prematuro mais graves, ou seja, que podem ocorrer antes da 32ª semana gestacional, quando o recém-nascido pesa menos de 1.500 g, e que, por conseguinte, trazem maior risco ao bebê.
A ultrassonografia do colo uterino deve ser realizada em todas as gestantes entre a 20ª e a 24ª semana, pela via transvaginal, na mesma época do ultrassom morfológico de segundo trimestre. Para as grávidas que apresentam algum fator de risco em seus antecedentes pessoais ou mesmo na gestação em curso, a avaliação do colo precisa ser mais precoce, já na 18ª semana, com vigilância frequente até a 24ª semana, algumas vezes com a repetição do exame a cada 15 dias.
Interpretação e conduta nos casos de fibronectina positiva
| Característica da gestante |
Comprimento do colo uterino |
Risco de parto prematuro |
Conduta |
|
Sintomática |
Menor que 15 mm |
Muito elevado |
• Internação para tocólise • Corticoterapia |
Maior que 25 mm
|
Reduzido |
• Controle pré-natal mais frequente • Pesquisa e tratamento de infecções urinárias e vaginais • Uso de progesterona vaginal micronizada • Repetição dos testes, se persistirem os sintomas (em duas a três semanas) |
| Entre 15 e 25 mm |
Variável |
• Reavaliação em duas semanas, com repetição dos testes • Repouso • Redução de estresse • Diminuição da atividade física • Uso de progesterona • Pesquisa e tratamento de infecções urinárias e vaginais |
| Assintomática, mas com antecedente de parto prematuro ou gestação gemelar |
Menor que 20 mm
|
Elevado |
• Uso da progesterona micronizada ou aumento da dose já utilizada • Repouso • Abstinência sexual • Afastamento das atividades profissionais • Pesquisa e tratamento das infecções urinárias e vaginais |
| Maior que 20 mm |
Importante |
• Manutenção da mesma vigilância adotada para as gestantes com colo menor que 20 mm, porém com menos rigor em relação ao repouso e ao afastamento das atividades |
Assessor médico: Dr. Mário Henrique Burlacchini
Veja aqui mais detalhes sobre a conduta em gestantes com fibronectina positiva entre a 22ª e a 36ª semana de gravidez.