Embora seja altamente contagioso, o vírus causa uma infecção autolimitada, de curta duração.
Nos meses de verão, a população das cidades turísticas, especialmente as litorâneas, chega a quadruplicar em alguns municípios, intensificando os fatores de risco para as diarreias agudas. Essas gastroenterites podem ser provocadas por inúmeros patógenos, com destaque para Escherichia coli, Salmonella e Shigella, entre as bactérias, para Cryptosporidium, Cyclospora e Giardia, entre os parasitas, e para o norovírus, entre os vírus, o qual causou, nos últimos meses, um surto de diarreia no litoral e em algumas cidades do interior paulista. Dentro do Programa de Monitorização da Doença Diarreica Aguda do Centro de Vigilância Epidemiológica, esse agente etiológico foi detectado pelo Instituto Adolfo Lutz em amostras de pacientes com gastroenterite provenientes do Guarujá, no litoral sul de São Paulo, e de Olímpia, no interior do Estado. Responsável por 23 milhões de casos de diarreias agudas a cada ano nos Estados Unidos, o norovírus é transmitido por água e alimentos contaminados, mas também pelo contato interpessoal e pela aerolização de vômitos, o que explica a rápida disseminação da doença em ambientes como hospitais e escolas, assim como entre os familiares do infectado. Embora seja altamente contagioso, o vírus usualmente causa uma infecção autolimitada, leve a moderada, com duração de cerca de três dias, desencadeando, além de diarreia, náuseas, vômitos e dores epigástrica e abdominal, que podem ou não ser acompanhados de dores musculares, sensação de fadiga, cefaleia e febre baixa. O tratamento deve ser feito com hidratação e reposição de eletrólitos, por via oral ou endovenosa, raramente requerendo internação. Quando necessária, a hospitalização envolve principalmente crianças, devido à intensa perda hídrica decorrente dos vômitos e das evacuações. O diagnóstico é clínico, até porque ainda não existe um teste comercial rápido para a detecção do norovírus. Contudo, notadamente diante de um caso mais grave, que não responde à hidratação, é importante afastar outras etiologias por meio de exames específicos, incluindo a coprocultura, o parasitológico de fezes e os testes para a detecção de antígenos de alguns protozoários, como a Giardia e o Cryptosporidium, e de alguns vírus, como o rotavírus e o adenovírus.