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Palavra dos Fundadores 

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Dr. Aparecido Bernardo Pereira
Presidente do Conselho de Administração do Fleury S.A.

Ao completar 77 anos de existência o Fleury continua crescendo e se diferenciando.

Hoje, à nossa sempre presente preocupação com a prestação de bons serviços na área de diagnósticos médicos, somamos a preocupação de evoluirmos também como uma empresa moderna.

Neste sentido, estamos já há alguns anos incorporando à nossa prática instrumentos mais modernos de gestão, como a presença de um Conselho de Administração, com vários Comitês muito atuantes, auditorias externas e internas, planejamento estratégico, claro estabelecimento de metas e saudável estrutura de capital.

Tudo isto sem abrir mão de nossos valores tradicionais, fundamentais para que cumpríssemos nossa jornada até aqui. Participação de todos nas decisões, no planejamento e também nos resultados fazem parte de nosso dia a dia. E têm sido fundamentais para que enfrentemos os dias de economia nacional difícil, e que esperamos seja diferente, para melhor, dentro em breve.

Transparência na gestão, respeito às normas governamentais e sociais, investimento em manutenção e melhoria da qualidade, ética nos negócios corporativos e estímulo ao novo e ao melhor sempre foram e continuarão a ser nossa prática.

Com o nosso crescimento, concluímos que novas Instituições, filhas ou irmãs, deveriam ser criadas, dando a elas liberdade e estímulo para crescer e se diferenciar também, e eventualmente até superar o próprio Fleury, em muitos aspectos. Afinal, todos sabemos que isto é o que desejam os pais em relação aos filhos. É da biologia, e contribui para o avanço das espécies, da sociedade e da humanidade.

E isto é o que queremos para o nosso Instituto, recém nascido mas muito promissor. Queremos ver nele nossos traços, nossos valores, nossas esperanças. Também queremos que ele cresça, seja independente e atinja suas realizações, suas metas.

Desta forma estaremos todos realizados.

Dr. Rui Maciel
Presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Fleury

Assim que comecei a trabalhar aqui, há 25 anos, tive a percepção que o Fleury, além de realizar exames de laboratório muito bem feitos, tinha uma outra clara função. Logo verifiquei que essa percepção não era apenas minha, mas de diversos médicos e cientistas paulistanos, além de sentida por nossos próprios pacientes. Naquela época denominei essa atividade como uma função social que o Fleury exercia na cidade de São Paulo. O que eu chamava de função social?

A função social era o que hoje se denomina, num mundo mais globalizado e politicamente correto, de responsabilidade social frente à comunidade em que estamos inseridos. No Fleury essa função social era uma firme responsabilidade de resolver qualquer problema relacionado ao diagnóstico laboratorial; o Fleury era e continua sendo o último recurso, a última fronteira, para qualquer médico, cientista ou paciente que precise, nesta cidade grande, com problemas complexos e que tinha nascido para ser líder na área médica, de uma resposta sobre um teste raro ou difícil, da melhor idéia para atacar um assunto espinhoso de investigação científica ou de uma consultoria capaz, que economizará diversas idas à biblioteca ou pesquisas na internet. Sempre houve aqui no Fleury esse espírito de bandeirante, de resolver, de enfrentar o touro a unha e de não fugir da enrascada; e se não fossemos capazes, o remédio era agregar um novo talento ou a instituição que sabia do assunto. Assim tem sido a nossa história, talvez decorrente de condições únicas presentes numa determinada época na cidade de São Paulo, que também propiciou a criação de outras instituições muito especiais. A maioria de vocês não sabe, mas aqui era o lugar que se fazia bem um colesterol nos anos 40, o PBI nos anos 50; onde nos anos 60-70 havia uma colônia de triatomídeos, os famosos barbeiros que transmitem a doença de Chagas em plena Avenida Paulista, necessários para a realização de um teste importante que não era oferecido por mais ninguém na cidade; de uma consultoria de estatística de nível mundial, que era de tão grande categoria que eu, pobre médico fraco em matemática, que nunca tinha ouvido falar de equações de 5o. grau nem sabia derivar, tive que buscar auxílio do ajudante dos estatísticos oficiais da casa e foi assim que tive o prazer de conhecer o grande Paulo Vanzolini, o assistente eventual de estatística do grupo. Quando houve restrições à importação fabricamos aqui nossos aparelhos e produzimos os reagentes necessários. E não paramos, sempre buscando a liderança, com a imunofluorescência nos anos 60, os radioimunoensaios nos 70-80, os monoclonais nos 80, a precisão e automação bioquímicas nos 80-90, a biologia molecular e a extensão a todas as áreas diagnósticas nos 90 e continuamos com acréscimos frenéticos de testes e serviços todos os dias. E esse espírito empreendedor e inovador não tem acontecido apenas na área científica e tecnológica, mas também nas áreas de educação, serviços e da administração dos negócios: assim, na área de serviços, o legendário cafézinho do Dr. Fleury, que atraia clientes e colegas, evoluiu para as unidades descentralizadas até o atual Projeto Conceito, método que visa enlaçar os modernos recursos das tecnologias de transmissão de voz e dados com nosso carinho em atender os pacientes. Da mesma maneira, do ponto de vista administrativo, este espírito está presente desde os primórdios; assim, em 1950, quando uns moços talentosos e bem treinados ameaçaram fazer um novo laboratório que criaria um concorrente de peso, houve a idéia, atualmente muito utilizada, de fazer uma fusão entre os dois laboratórios; desta forma, desde essa época o Fleury já tinha iniciativas de boas práticas de gestão, assim como de idéias avançadas de sucessão, de divisão dos resultados e de igualdade de oportunidades para ascenção.

A razão para esta função social foi um ingrediente presente desde o início da instituição, um real espírito universitário de realizar o trabalho bem feito, da melhor maneira, com muita crítica, associadamente a uma capacidade empreendedora e busca permanente da excelência de resultados, princípios seguidos de modo intuitivo por imperativo ético de Leser e Fleury e que foi sendo incorporado pelos que o sucederam, especialmente porque essa política dava ótimos resultados e que com alguns outros ingredientes, juntados à medida das evoluções necessárias, foi se transformando numa mistura que resultou nos valores mais nobres da instituição, que a meu ver são, resumidamente, além da capacidade de atrair profissionais de talento e sinergizá-los - e incluo aqui não apenas os cientistas, médicos e enfermeiras, mas também os administradores, os profissionais de atendimento e educadores internos, a grande virtude de conseguir o equilíbrio entre a obtenção de bons resultados financeiros e uma política de médio e longo prazo responsável e compromissada com o país, com as pessoas e com os talentos que agregamos. No Fleury sinto que as inteligências e os saberes acumulados são considerados como fontes geradoras de riqueza e não como custos.

Assim, da assessoria de estatística, de bioquímica e de morfologia, presente na maioria das teses da Faculdade de Medicina dos anos 50-60, crescemos junto com a pós-graduação brasileira a partir dos anos 70 e fomos um fator de desenvolvimento tecnológico ímpar nesse desenvolvimento. Um estudo completo ainda precisa ser feito sobre o impacto do Fleury na pós-graduação brasileira; talvez eu tenha um certo viés, pois no Programa de Pós-Graduação em Endocrinologia da UNIFESP, do qual faço parte, houve a participação fundamental ou complementar de técnicas desenvolvidas no Fleury em 30% das cerca de 100 teses defendidas. O que quero dizer com isso é que aquele conceito de função social desempenhado pelo Fleury desde seu início, também tem sido validado na construção da pesquisa científica e tecnológica da cidade e do estado.

Este mesmo espírito pioneiro e participativo e que, de certa forma, é uma continuidade dos valores mais caros aqui praticados há quase 80 anos é que tem norteado a criação e a construção do Instituto Fleury. O mundo globalizou-se, o país diferenciou-se em termos de produção científica e tecnológica e o Fleury teria que organizar todo esse seu capital intelectual para aproveitar de forma mais eficaz e estruturada os recursos humanos e tecnológicos aqui instalados, as nossas relações de colaboração com as universidades e institutos de pesquisa paulistas e criar novas formas de cooperação que resultem não apenas no desenvolvimento científico, mas também na capacidade de produzir produtos ou processos que objetivem a implantação de novas tecnologias de alto valor agregado, de patentes e de atuar em outros aspectos do saber em que estamos inseridos, como a gestão de serviços médicos e a economia de saúde.

Muito obrigado.

 

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