Densitometria óssea em crianças e adolescentes

Publicado em: 22/06/2018
Por:
​Dra. Telma Palomo & Dr. Sérgio Maeda

Edição: 2018 - Edição Nº 2
​​Guidelines da ISCD fornecem o modo mais adequado de fazer e interpretar o exame no grupo pediátrico, considerando também os fatores de confusão

Nos últimos dez anos, houve um grande avanço da densitometria óssea (DXA) para o diagnóstico e o seguimento das doenças ósseas na população pediátrica, a ponto de o exame configurar o método de escolha para a triagem de fragilidade óssea nesses pacientes, devido à sua grande acurácia e precisão, assim como à mínima exposição à radiação. Além disso, vem aumentando o número de publicações sobre a massa óssea medida pela DXA em várias doenças crônicas pediátricas que acometem o tecido ósseo.

Embora a densitometria tenha utilidade consagrada para adultos, medidas para avaliar a saúde óssea de crianças e adolescentes constituem um desafio, visto que o esqueleto, nessa fase, está em constante mudança e crescimento, impondo dificuldades na interpretação dos resultados. Ademais, a história clínica e o número de fraturas são essenciais na investigação. Com base nesse cenário, a 4a Conferência de Especialistas da International Society for Clinical Densitometry (ISCD), publicada em 2013, recomenda diversas normativas para a análise e a interpretação do exame em indivíduos menores de 20 anos.

Segundo a entidade, a densitometria deve ser indicada à população pediátrica na presença de fraturas por fragilidade ou no monitoramento e no manejo de doenças crônicas que afetam a mineralização óssea, como afecções neuromusculares, distúrbios endócrinos e reprodutivos e erros inatos do metabolismo, bem como na vigência de uso crônico de corticoides e anticonvulsivantes. O intervalo mínimo entre um estudo e outro deve ser de 6 a 12 meses.

Ainda conforme a equipe de especialistas, os sítios esqueléticos de preferência para realizar o exame em pacientes pediátricos são a coluna lombar e o corpo inteiro (sem a cabeça), porção conhecida por total body less head (TBLH). Ocorre que a densidade mineral óssea (DMO) da cabeça parece superestimar a DMO de corpo inteiro nessa população.

A avaliação tem de ser feita com um software específico para as características técnicas de espessura e composição corporal do paciente pediátrico, sempre com o emprego do Z-score – ou seja, comparação com indivíduos da mesma idade, sexo e raça. A ISCD ainda preconiza o uso do termo “massa óssea dentro do esperado” ou “abaixo do esperado para a idade cronológica” quando o Z-score for maior que -2,0 ou inferior ou igual a -2,0 desvios-padrão da média para idade e sexo, respectivamente.

Uma vez que a DXA é uma técnica bidimensional que avalia uma região tridimensional, a interpretação do estudo pediátrico pode necessitar de ajustes adicionais se o crescimento ou a puberdade estiverem atrasados, de modo que a DMO não fique subestimada em pacientes com ossos pequenos nem superestimada em casos de ossos grandes.

Vale salientar que o diagnóstico de osteoporose nessa faixa etária deve estar associado a fraturas por fragilidade. A presença de uma ou mais fraturas vertebrais por compressão, na ausência de doença local ou trauma de alto impacto, é indicativa da condição e independe do resultado da densitometria – embora o exame seja um complemento indicado. Na ausência de fraturas vertebrais, por outro lado, o número e o local das lesões é importante porque uma fratura periférica isolada nessa população pode não representar doença clínica. O diagnóstico da doença ainda se aplica se houver história de fraturas de ossos longos – duas ou mais até os 10 anos ou três ou mais até os 19 anos –, associada a uma baixa massa óssea medida, ou seja, Z-score inferior ou igual a -2,0 desvios-padrão da média para idade e sexo.

Endocrinologistas e assessores médicos do Fleury em Densitometria Óssea:
Dra. Telma Palomo - [email protected]
Dr. Sérgio Maeda - [email protected]