Marcadores do metabolismo ósseo orientam o tratamento e o seguimento clínico da osteoporose

Publicado em: 31/08/2010
Por:
Fleury Medicina e Saúde

Edição: 2010 - Edição Nº 6 - Boletim
 

A resposta à terapêutica pode ser observada por esses testes antes mesmo da densitometria óssea.

P1NP

O principal objetivo do tratamento da osteoporose é a prevenção de fraturas. Embora os resultados da densitometria óssea apresentem boa correlação com o risco de fraturas, esse método tem algumas restrições na avaliação da eficácia das drogas, entre as quais a demora no estabelecimento de mudanças na densidade mineral óssea (BMD), a má aderência dos pacientes à terapêutica e o fato de a ausência de aumento na BMD nem sempre significar falta de resposta ao tratamento. Além disso, nem a densitometria nem os fatores de risco clássicos para a osteoporose estimam diretamente o grau de remodelação óssea, que, quando acentuado, está associado a formas mais graves da doença e a uma maior possibilidade de fraturas. Na prática, esse papel cabe aos marcadores de metabolismo ósseo, que permitem avaliar a natureza dinâmica da formação e da reabsorção óssea, possibilitando a monitorização da eficácia da terapêutica tão logo ela seja instituída – algo em torno de dois a três meses. O tempo de resposta pode variar um pouco, conforme a medicação utilizada. A estrogenioterapia diminui os valores tanto dos marcadores de formação quanto de reabsorção, os quais voltam aos níveis da pré-menopausa em três a seis meses de tratamento; os bisfosfonatos, por sua vez, reduzem particularmente os indicadores de reabsorção após seis semanas de sua introdução. A decisão sobre o teste a ser utilizado no seguimento clínico deve se basear no processo fisiopatológico de cada uma das afecções e no mecanismo de ação da droga específica, no caso de o marcador ser empregado para monitorizar o efeito da medicação. De uma maneira geral, usam-se, por exemplo, o CTx ou o NTx para os inibidores de reabsorção óssea e o P1NP ou a fosfatase alcalina para as drogas que estimulam a formação dos ossos. O intervalo da dosagem varia conforme o esquema de tratamento, devendo idealmente haver uma medida basal para posterior comparação. Na escolha terapêutica, existem também evidências clínicas da utilidade desses testes, segundo as quais pacientes com metabolismo ósseo acelerado, que perdem osso mais rapidamente, se beneficiam mais do uso de estrogênios ou de drogas antirreabsortivas do que mulheres com turnover normal ou reduzido. Por último, convém lembrar que esses exames não se prestam ao diagnóstico da osteoporose.

Diferenças entre os marcadores de remodelação óssea

Assessoria Médica
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Fonte: Dr. José Gilberto H. Vieira