Pesquisa de macro-CK contribui com o diagnóstico diferencial dos níveis elevados da creatinoquinase | Revista Médica Ed. 1 - 2015

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A medida da atividade sérica da creatinoquinase (CK), uma enzima que predomina no músculo e que é rapidamente liberada após a lesão das células desse tecido, tem utilidade no rastreamento das doenças musculares. Apesar disso, não raro surgem dúvidas diante de níveis elevados de CK em pacientes assintomáticos ou com sintomas inespecíficos. 

Indivíduos portadores das isoenzimas macromoleculares da creatinoquinase (macro-CK) na circulação apresentam níveis cronicamente aumentados de CK, sem uma causa que os justifique. Assim, métodos laboratoriais para a pesquisa de macro-CK estão disponíveis e devem ser solicitados quando houver suspeita da presença dessas macromoléculas. Nessa situação, os outros parâmetros laboratoriais correlacionados, como aldolase, desidrogenase láctica e mioglobina, encontram-se dentro do intervalo de referência.


Por que as macromoléculas de CK podem estar presentes?


A atividade da creatinoquinase no soro se deve, em grande parte, à fração MM (CK-MM), enquanto a CK-MB contribui com apenas cerca de 4% do total. Já a fração CK-BB, que é encontrada no cérebro, está praticamente ausente na circulação de indivíduos normais. Ocorre que, além dessas isoenzimas típicas da CK, há duas outras macromoléculas que habitualmente não são detectadas no sangue, denominadas macro-CK tipos 1 e 2. Resultante de um complexo formado pela CK-BB ou CK-MM com uma imunoglobulina A ou G, a macro-CK tipo 1 constitui uma variação da normalidade, não estando relacionada a uma doença específica. Já a macro-CK tipo 2 é um complexo oligomérico de origem mitocondrial com algum grau de associação com neoplasias.  


Vale lembrar que os testes laboratoriais hoje utilizados para a pesquisa de macro-CK detectam e quantificam o percentual das macromoléculas em relação à concentração de CK total, porém não diferenciam o tipo circulante.


 

Na ausência de doenças do músculo, níveis elevados de CK podem decorrer da presença de macromoléculas. 

SPL DC/LATINSTOCK

 


Assessoria Médica
Dr. Nairo M. Sumita
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Dr. Álvaro Pulchinelli Junior
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