Uso da citometria de fluxo com reagentes mais eficazes faz diagnóstico mais sensível e específico da hemoglobinúria paroxística noturna | Revista Médica Ed. 7 - 2011

O método consegue identificar uma célula alterada dentre 10 mil normais.

O método consegue identificar uma célula alterada dentre 10 mil normais.

Forma rara de anemia, a hemoglobinúria paroxística noturna (HPN) é causada por uma mutação somática adquirida na célula-tronco hematopoética, precisamente num gene albergado no cromossomo X (PIG-A), que codifica a proteína glicosilfosfatidilinositol (GPI). Essa proteína se liga à membrana das hemácias, dos neutrófilos, dos monócitos e das demais células do sangue, sendo responsável pela ancoragem de várias outras proteínas à superfície celular, entre as quais algumas que protegem as células hematopoéticas da lise pelo complemento – justamente o mecanismo que destrói as hemácias nessa anemia. Assim, uma vez que a célula-tronco adquira uma das centenas de mutações descritas no gene PIG-A, todos os exemplares originários daquele clone serão deficientes em proteínas ancoradas pela GPI. Nos últimos dois anos, esforços internacionais levaram à proposição de várias melhorias no diagnóstico da HPN, hoje feito pela citometria de fluxo. Esse aprimoramento tem envolvido aspectos relacionados à padronização de protocolos e de métodos de análise, ao uso de equipamentos de última geração e ao emprego de reagentes mais eficazes, como é o caso da aerolisina fluorescente, ou Flaer. Derivada de toxinas bacterianas, tal proteína se liga diretamente à âncora de GPI, mas não a proteínas ligadas à membrana celular por essa âncora, como ocorre com outros reagentes usados no diagnóstico da HPN. Com esse novo método, é possível identificar até uma célula proveniente de um clone HPN, dentre 10 mil normais, enquanto os testes convencionais, com anticorpos monoclonais apenas para os antígenos CD55 e CD59, apresentam um limite de sensibilidade de, no máximo, 1%. Além dessas vantagens, o exame permite identificar pequenos clones HPN em outras síndromes de falência medular em que a presença deles pode ter significado clínico, como ocorre na síndrome mielodisplásica hipoplástica e na anemia aplástica.

Manifestações da HPN
Os pacientes com HPN em geral exibem significativo aumento na incidência de episódios tromboembólicos ou graus variados de falência da medula óssea ou hemólise intravascular mediada pelo complemento. Este último fenômeno é o mais importante decorrente da doença, uma vez que está presente em praticamente todos os casos e dá origem às principais manifestações clínicas da HPN, como anemia, hemoglobinúria, fadiga, disfagia, disfunção erétil, hipertensão pulmonar e insuficiência renal crônica. O curso clínico da HPN é extraordinariamente variável: enquanto alguns pacientes mantêm um clone pequeno e são oligossintomáticos, outros progridem rapidamente para falência medular ou sofrem episódios tromboembólicos cujo impacto no prognóstico em geral é desastroso. Até pouco tempo atrás, pouco podia ser feito para mudar esse cenário, mas, recentemente, surgiu o anticorpo monoclonal eculizumabe, que consegue inibir o sistema complemento e reduzir de forma significativa a hemólise crônica e o risco de trombose.

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Assessoria Médica
Dr. Alex Freire Sandes: [email protected]
Dr. Edgar Gil Rizzatti: [email protected]