Fatores que interferem na dosagem do hormônio antimülleriano (AMH)

Publicado em: 09/05/2016
Por:
Fleury Medicina e Saúde​​​​​​​

Edição: 2016 - Edição Nº 2

​Folículos ovarianos vistos por microscopia em um corte de ovário humano.​

Sou ginecologista e atendi uma paciente de 30 anos que tem desejo reprodutivo futuro. Ela fez uso de anticoncepcionais orais por cerca de dez anos, parou recentemente e gostaria de avaliar sua reserva ovariana. Entre os exames solicitados, a dosagem do hormônio antimülleriano (AMH) mostrou resultado de 0,28 mIU/L e a contagem de folículos antrais veio baixa (4). Não há histórico de tratamento de neoplasias, de tabagismo nem de familiar com insuficiência ovariana primária. O que fazer?

O AMH consiste em uma glicoproteína dimérica pertencente à superfamília do fator de crescimento TGFβ, que induz à regressão dos ductos de Müller durante o processo de diferenciação sexual masculino. Nas mulheres, é produzido pelas células da granulosa dos folículos ovarianos pré-antrais e antrais pequenos e reflete indiretamente o número de folículos remanescentes no ovário, com a vantagem de não apresentar variações importantes durante o ciclo menstrual. Outros marcadores laboratoriais da reserva ovariana incluem a contagem dos folículos antrais e a medida do volume ovariano, obtidas por meio da ultrassonografia.

No caso descrito, os níveis de AMH encontram-se reduzidos para a idade da paciente. A contagem de folículos antrais e o volume ovariano também parecem sugerir baixa reserva ovariana. No entanto, chama a atenção o relato de uso prolongado de contraceptivo oral. Estudos recentes mostram que usuárias desses medicamentos podem ter diminuição do volume ovariano, da contagem de folículos antrais e dos níveis de AMH na ordem de 50%, 18% e 19%, respectivamente. Assim, valeria a pena repetir esses exames em sua paciente depois de um período para reavaliar os marcadores de reserva ovariana. Na literatura, não está claro qual o intervalo ideal para a reavaliação, mas se recomenda aguardar cerca de seis meses.

Convém destacar que a vitamina D, quando em concentrações baixas, também exerce influência negativa na dosagem em questão. Estudos mostram que o AMH pode cair em até 20% em mulheres com deficiência da vitamina e que sua reposição eleva os níveis do hormônio.

Por fim, deve-se ter em mente que, embora úteis, os marcadores de reserva ovariana precisam ser analisados com cuidado em pacientes jovens e sem maiores fatores de risco para depleção folicular ovariana.


Dr. Gustavo Arantes Rosa Maciel,
assessor médico do Fleury em Biologia Molecular e Ginecologia
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