A importância da dosagem da hemoglobina glicada A1C

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Publicado em: 01/11/2003 

Por: Núcleo Educacional Científico 

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 A importância da dosagem da hemoglobina glicada A1C 

 
 

O que é a hemoglobina glicada?

O exame de hemoglobina glicada (HbA1C ou A1C), anteriormente conhecido como hemoglobina glicosilada, é uma importante ferramenta para a avaliação do diabetes. A HbA1c é resultado da reação entre a glicose do sangue e a proteína  hemoglobina contida na hemácia ou glóbulo vermelho. Ela resume, para o médico e para o paciente, como foi o controle da doença nos últimos 60 a 90 dias. Durante os 90 dias da vida da hemácia, a hemoglobina vai incorporando glicose, em função da concentração que existe desse açúcar no sangue. Se as taxas de glicose estiverem altas durante esse período, haverá um aumento da hemoglobina glicada. É por esta razão que, ao analisarmos o quanto a hemoglobina incorporou glicose durante o seu tempo de vida, podemos ter uma excelente idéia da média das taxas de glicose no período.

A glicemia realizada em laboratório e a glicemia feita da ponta de dedo (capilar) são parâmetros muito dinâmicos, sofrendo oscilações importantes em razão da influência de fatores como alimentação, exercícios, medicação, etc. No entanto, são muito importantes e devem fazer parte do acompanhamento dos diabéticos, assim como a dosagem de hemoglobina glicada.

A hemoglobina glicada pode ser utilizada para o diagnóstico de diabetes?

Sim. Até o momento, só havia duas alternativas para diagnosticar o diabetes: a dosagem de glicose no sangue e o teste de tolerância oral à glicose. Mas, recentemente, também o teste de hemoglobina glicada, antes usado apenas para o seguimento do controle glicêmico do diabético, passou a ser aplicado para diagnosticar a doença. Valores acima de 6,5% confirmados em outra ocasião são considerados indicativos de diabetes. Indivíduos com valores entre 5,7% e 6,4% são considerados de alto risco para o desenvolvimento de diabetes.

Alguns aspectos sobre o teste devem ser levados em consideração:

- Apenas métodos laboratoriais padronizados pelo programa chamado NGSP (National Glycohemoglobin Standardization Program) podem ser utilizados para o diagnóstico de diabetes;
- Ainda há muito debate em relação ao teste em diferentes etnias: africanos e asiáticos podem apresentar resultados um pouco maiores do que os indivíduos caucasianos;
- Pessoas que têm algum tipo de anemia podem apresentar uma dosagem alterada, não devida ao diabetes, mas por terem hemoglobinas anômalas, o que pode provocar um resultado falsamente alto ou baixo, a depender do método.
No entanto há vantagens na utilização do teste para diagnóstico de diabetes:
- Para fazer esse teste, o jejum não é necessário, o que permite a coleta no laboratório a qualquer momento, sem nenhum preparo específico;
- Ocorre pouca variação entre os resultados da mesma pessoa, em diferentes ocasiões, enquanto que na glicemia de jejum essa variação pode chegar a 10%, o que poderia mudar o diagnóstico, a depender de fatores como estresse e medicamentos;
- Alguns indivíduos podem apresentar a glicemia de jejum ainda normal e ter picos hiperglicêmicos em outros períodos, indicando diabetes. Nesses casos, a hemoglobina glicada pode revelar essas alterações.

Levando em conta todas essas considerações, especialistas recomendam que a hemoglobina glicada seja utilizada em conjunto com a dosagem da glicemia de jejum para o rastreamento do diabetes.

Qual o valor ideal de HbA1C para um diabético?

O valor de HbA1C deve ser sempre individualizado pelo médico, levando-se em conta vários dados clínicos como idade, tempo de diabetes, presença de complicações crônicas e risco de hipoglicemias.
Estudos como o DCCT (Diabetes Control na Complications Trial) e UKPDS (United Kingdom Prospective Trial) são considerados marcos na Endocrinologia, pois demonstraram de forma inequívoca que a manutenção da HbA1C em valores o mais próximo possível do normal é acompanhada de redução significativa do surgimento e da progressão das complicações microvasculares, tanto em diabéticos tipo 1 (DCCT), quanto tipo 2 (UKPDS).

Segundo esses estudos e sugestões de consensos nacionais e internacionais, o valor de hemoglobina glicada mantido abaixo de 7% (método HPLC empregado pelo Fleury, com certificado do The National Glycohemoglobin Standardization Program) protege contra o surgimento e a progressão das complicações microvasculares do diabetes (retinopatia e nefropatia) e da neuropatia. No entanto, como a correlação entre glicemia e problemas vasculares é contínua, para uma boa parcela dos pacientes deve-se tentar atingir o valor mais próximo do normal, que, contudo, NÃO aumente o número de episódios repetidos de hipoglicemia.

Estudos mais recentes demonstraram que o controle muito rígido pode não ser benéfico em todos os pacientes. Indivíduos com longa duração do diabetes, e/ou que tenham mantido mau controle glicêmico por longos períodos*, assim como como aqueles que apresentam complicações crônicas instaladas, podem ter alvos de HbA1C menos rígidos (até 8%).  

Portanto, para se ajustar os valores-alvo de hemoglobina glicada, é importante a interpretação do médico, que deve ponderar o risco-benefício da ocorrência de hipoglicemias. Tais ocorrências são bem mais frequentes na vigência de um tratamento mais intensivo, com metas de hemoglobina glicada menores.  Incluem-se, entre os casos especiais, crianças menores de sete anos¹. Da mesma forma, deve-se ter cuidado com indivíduos com idade muito avançada². Os pacientes que já apresentam complicações em estágio avançado (insuficiência renal terminal, doença vascular difusa) ou que são portadores de outras condições clínicas que reduzem a qualidade de vida podem ter como meta de tratamento valores de HbA1C mais elevados³.

1.Podem não manifestar os sintomas de hipoglicemia; ainda estão em fase de formação cerebral.
2. Os episódios de hipoglicemia podem ser muito prejudiciais.
3. Não existem evidências que o controle intensivo modifique a evolução nestes casos. A intensificação do tratamento pode reduzir a qualidade de vida dos pacientes.

 
*ACCORD (Action to Control Cardiovascular Risk in Diabetes)

Fonte: Milena Gurgel Teles Bezerra, assessora médica de endocrinologia do Fleury Medicina e Saúde

Este material foi elaborado pelo Fleury, tendo caráter meramente informativo. Não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte seu médico.